Eminem abre o jogo sobre drogas em novo CD

Rapper fala o New York Times sobre vício e recuperação

Jon Pareles, The New York Times |

No final de dezembro de 2007, um deprimido, bloqueado e viciado em ópio Marshall Mathers, mais conhecido como o rapper que vende milhões Eminem, teve uma overdose de comprimidos azuis que alguém lhe deu ¿ eram metadona ¿ e sofreu um colapso no chão de seu banheiro. Declarações públicas encobriram a razão de sua hospitalização de emergência e desintoxicação, alegando que o problema era pneumonia. No mês seguinte, Mathers reforçou os hábitos de novo.

Mas a overdose o assustou. No começo do ano passado ele se hospitalizou de novo, passou por uma reabilitação e começou o programa de 12 passos de um viciado em recuperação, completo com encontros, patrocinador e terapeuta. Mathers, 36, diz que está sóbrio desde o dia 20 de abril de 2008.

Longe de esconder sua batalha contra o vício, ele está fazendo dela o centro de seu retorno. A capa de Relapse , o primeiro álbum novo de Eminem desde 2004, constrói o seu rosto com pílulas, e em algumas músicas ele canta, tão diretamente quanto alguém que rima pode ser, sobre como as drogas quase o destruíram. Em outro ponto do disco Eminem encarna ¿ ou tem uma recaída ¿ seu principal alter ego, Slim Shady: o rapper compulsivo e serial killer despeitado, palhaço, paranoico, homofóbico, e perseguidor de celebridades que promove proezas para ter risadas e popularidade das massas.

Os quatro trabalhos anteriores de Eminem - The Slim Shady LP em 1999, The Marshall Mathers LP em 2000, The Eminem Show em 2002 e Encore em 2004 ¿ venderam cerca de 30 milhões de cópias nos Estados Unidos, de acordo com a Nielsen SoundScan. Relapse se prende à formula dos predecessores: é parcialmente verdade e parcialmente ficção, com revelações pessoais e farsa social lado a lado.

É hard core, é humor negro, é o que Eminem sempre foi, disse Dr. Dre, seu produtor de longa data, por telefone, em seu estúdio em San Fernando Valley no sul da Califórnia. A ausência de Eminem foi sentida; o primeiro single do álbum, Crack a Bottle ¿ com 50 Cent e Dr. Dre trocando versos ¿ ficou em primeiro lugar na Billboard Hot 100 quando foi lançado em fevereiro, obtendo 418.000 downloads na primeira semana.

Relapse é o último capítulo de uma carreira que parece uma novela, a qual sempre misturou confissões, melodrama, comédia, terror, perseguição da mídia, arte e hipérboles de tabloide em cada cena. Não sei se estou me expondo, afirmou Mathers por telefone no seu estúdio em Detroit. Estou apenas me limpando e exalando.

Ele fala amável e coerentemente, sem ficar na defensiva, conversando com o zelo de um viciado em recuperação sobre seus excessos e a nova claridade e produtividade, parecendo alguém livre de um fardo. Fui o pior tipo de viciado, um viciado funcional, disse. Estava tão mergulhado no vício em certo ponto que não conseguia me imaginar fazendo nada sem algum tipo de droga.

Eminem constrói o seu rosto com pílulas na capa de novo álbum

Ele tem assistido a vídeos dele mesmo no palco e dando entrevistas durante os dias que usou drogas, incluindo um da Black Entertainment Television do qual não tem nenhuma lembrança, quando Ambien o deixou tão confuso que não podia nem responder as perguntas mais simples. Quero ver como eu estava quando usava drogas para que nunca volte para elas, explicou.

Nos cinco anos entre os seus discos, ele trabalhou como produtor, fazendo batidas para outros rappers, e eventualmente apareceu como rapper convidado; agora ele classifica seus versos na música Touch Down, com o rappper de Atlanta T.I., como horríveis.

Mas no ano passado, apenas dois meses saído da reabilitação, Eminem e Dr. Dre se encontraram em Orlando, Flórida, para tentar gravar. Eminem estava fazendo o que chamava de exercícios mentais para poder escrever. Pegava um monte de palavras e tentava organizá-las para poder extrair algum sentido delas, afirmou. Por três ou quatro anos não pude fazer mais isso.

Quando estava sóbrio, disse, a máquina voltou a funcionar. Trabalhando em Orlando e depois em Detroit, Eminem e Dr. Dre gravaram centenas de faixas e concluíram músicas o bastante para três álbuns. Eles selecionaram o suficiente para dois; Eminem pretende lançar Relapse 2 antes do fim deste ano. Quanto mais fundo fiquei no vício, mais apertada ficou a tampa sobre a minha criatividade. Quando fiquei sóbrio a tampa saiu. Em sete meses fiz mais do que podia fazer em três ou quatro anos usando drogas.

Desde o começo, Mathers tem espalhado as fronteiras entre Eminem e Slim Shady. Em "97 Bonnie & Clyde" do Slim Shady LP , de 1999, o rapper leva consigo sua filhinha ¿ chamada Hailie, tal qual a filha de Mathers (que vive com ele em Detroit) ¿ enquanto se livra do cadáver da mãe assassinada. O novo disco conduz as tendências de vício de Eminem a um de seus alvos primeiros e mais frequentes: My Mom, que, diz a música, costumava misturar Valium na comida dele para torná-lo mais controlável.

Mas a música para canções como essa acalma, é quase alegre. Dr. Dre tem fornecido há tempos faixas limpas e rápidas que estão longe de ser ameaçadoras. Geralmente elas têm a batida de balanço e refrões de música infantil. Essa seriedade que sorri foi suficiente para fazer de Eminem um alvo para os censores, que lhe deram em troca um bando de antagonistas os quais ele podia provocar. No final acabou me dando uma força, disse. Agora você vai fazer com que eu fique pior.

Agora, com uma década de carreira com um grande selo, estou cansado de explicar, afirmou. Aqui está minha música. Ela é assim. Entenda o que quiser dela. Não entrei nesse jogo para servir de modelo.

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