Em show curto, com produção pobre, Snoop Dogg não impressiona no Rio

Prévia da apresentação do rapper no SWU deixa a desejar, mas empolga com hits, mesmo com refrãos em playback

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Pouco mais de um mês depois do último dia de Rock in Rio, os papéis de Rio de Janeiro e São Paulo se invertem. Se em setembro foi a capital paulista que ficou com as prévias do festival principal, na Cidade do Rock, nesta quarta-feira (09) foi a vez dos cariocas sentirem o gostinho do que está por vir no SWU , que ocorrerá neste fim de semana em Paulínia. Gostinho meio amargo.

Snoop Dogg, que dispensa apresentações entre apreciadores do hip-hop, empolgou, mas nem tanto, o Vivo Rio com uma sequência de pouco mais de 1h15 de sucessos. Por ora, não justificou a frase "quem tocar depois de mim estará em apuros", proferida em entrevista coletiva na segunda-feira , se referindo ao festival.

Com preço de show salgado, Snoop tem a seu favor o carisma e a inquestionável habilidade para conduzir o público. Mas a produção é das mais pobres. Dois outros rappers, vestindo à risca o clichê roupa preta, óculos escuros e bonés, faziam pouco mais do que dizer "yeah", "hey". Não havia uma voz capaz de reproduzir, por exemplo, os agudos de Pharrell Williams no refrão de "Beautiful", música que teve videoclipe gravado no Rio e dezenas de mulheres no palco de Snoop, como é tradição. As dançarinas, com figurinos de "pole dance" a policial assanhada, foram o cenário do californiano.

Outra decepção, o DJ que comandava as carrapetas se limitou a lançar batidas, não arriscou nada, nem "scratch", e só apareceu quando pegou o microfone para ajudar o artista principal a animar a plateia. Não fosse a voz marcante de Snoop, com um ou outro tímido improviso, seria festa em vez de show. Fato curioso foi Snoop Dogg, depois de uma entrevista coletiva na qual afirmou que "fuma maconha para se divertir" , não ter feito nenhuma referência à erva, que já inspirou até nome de turnê do artista. Talvez por receio de problemas dias antes do festival em São Paulo, não levou nada que fizesse fumaça para o tablado.

O norte-americano, que cantou boa parte do show com a camisa da seleção brasileira de futebol e um terço no pescoço, entrou no palco por volta de 0h30, logo depois de exibido um clipe misturando cenas com o artista e trechos do filme "Scarface", ao som da "Cavalgada das Valquírias".

A batida pesada de "I Wanna Rock" abriu bem a noite, com o público confundindo o "hey, hey" do início da música com o "hey, ho" da clássica "Hip-Hop Hooray", do "Naughty By Nature", coro que se repetiria em outros momentos. Em seguida apareceu no palco o "Nasty Dogg", uma espécie de lobo mau com ares de bicho de pelúcia gigante.

Quando começou a introdução de "P.I.M.P.", faixa de 50 Cent com participação e mixagem de Snoop, ninguém ficou parado. Foi o ponto alto do show, ao lado de "Beautiful", "The Next Episode" (Dr. Dre), e do emblema do californiano, "What's My Name". "I Wanna Love you", de Akon com participação de Snoop, mais em ritmo de balada do que de rap, também colocou o público, que em boa parte era composto por mulheres de vestidos curtíssimos, para dançar.

Veja letras de Snoop Dogg no Vagalume

Ele chegou a lançar até uma pesada batida de techno, em um raro momento em que a apresentação fugiu do trivial, e coube ainda breve homenagem a Tupac Shakur, morto em 1996. Porém, outras pérolas do repertório do rapper, como "Gin'n Juice", perderam muita força com refrão em playback e volume baixo.

O fim da apresentação, com um batidão funk depois trocado por Bob Marley ("Jamming"), pareceu ter causado no público uma sensação de surpresa pela curta duração e muitos demoraram a entender que o rapper não retornaria ao palco, do qual se despediu dizendo: "Obrigado, Rio de Janeiro. Volto na hora que vocês quiserem". Não houve bis.

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