Em São Paulo, Roberto Carlos prova que envelhece para fortalecer a majestade

Marco Tomazzoni |

Nem quase uma hora de atraso diminuiu os ânimos de um Credicard Hall lotado. A demora para a estréia da concorrida temporada de Roberto Carlos em São Paulo era atenuada pelas propagandas do capitão Roberto no telão, convidando para o cruzeiro Emoções em Alto Mar 2009, e pelas vendedoras de camisetas com a foto do astro. A entrada de Hebe e de um dos integrantes do KLB por uma porta lateral provocou um princípio de confusão, mas os flashes e pedidos de autógrafos sossegaram logo que as luzes foram apagadas. A partir daí, nada importava mais: as cortinas abriram e aos primeiros acordes da banda RC9, todos viraram súditos de vossa majestade, Roberto Carlos.

Assista a Roberto Carlos cantando "Emoções" em São Paulo

Veja fotos do show no Credicard Hall

Após uma breve introdução instrumental, o Rei adentrou o palco ovacionado, já ao som de Emoções, que tradicionalmente abre seus shows. Soterrado pelas palmas, Roberto agradeceu o carinho. Obrigado, muito obrigado por tudo isso que recebo desde que nasci, falou ao microfone, em uma noite que foi de muita conversa com o público. Como é grande o meu amor por você veio na seqüência, mais um dos muitos clássicos compostos em parceria com Erasmo Carlos que estavam no repertório. A afiadíssima orquestra comandada pelo maestro Eduardo Lages, também arranjador de todas as músicas, já mostrou as garras de cara, provocando arrepios ao som dos violinos.

O curioso é o fascínio que Roberto consegue manter aceso mesmo depois de tantos anos executando as mesmas músicas, com a mesma estrutura. Mais incrível ainda é perceber que, prestes a completar 67 anos de idade e 40 de carreira, sua voz permanece intocada pelo tempo, passeando irretocável pelas canções que o transformaram no maior popstar brasileiro da história. Talvez o segredo esteja também nos pequenos detalhes, como o violão que Roberto pegou nos braços para apresentar justamente Detalhes. O dedilhar é discreto, ofuscado pelos outros músicos, mas a interpretação, que faz concentrado, de olhos fechados, sublime ¿ a platéia segue as pausas, respira junto e acredita piamente em cada verso.

Durante muitos anos não cantei essa música, disse ao microfone, mas, de uns tempos pra cá, mudei de idéia. Bem-humorado, continuou explicando, antes de cantar Negro Gato. Isso me faz crer que a terapia está dando certo. Não posso dizer que já tive alta, mas não conto mais tudo e, se não tiver jeito, saio por outra porta que não a que entrei. Ainda bem que o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) do Rei está sob controle, porque assim dá para aproveitar uma de suas grandes músicas, acompanhadas por um naipe de metais suingado, em conjunto com um baixo alto e órgão de primeira.

Um dos destaques da noite foi o grande pot-pourri com sucessos relacionados a automóveis. Sempre fui apaixonado por carros, pelas máquinas quentes, explicou. No total, o Rei emendou nove músicas, algumas eternas como As curvas na estrada de Santos e outras hits da Jovem Guarda, caso de Parei na contramão. O calhambeque, aliás, fechou o medley em grande estilo, com um carro azul inflável surgindo em um piscar de luzes no palco.

Para não deixar a carreira dos últimos anos passar em branco, Roberto conseguiu a proeza de transformar o brega em algo bom, ao cantar sua homenagem às baixinhas, Mulher pequena. A platéia feminina com mais de 50 anos, que era maioria no local, delirou com a letra sensual e não deixou barato a malícia do cantor, berrando gostoso e eu te amo sem a menor vergonha. Mulher de 40 só fez aumentar a tietagem, que chegou ao auge no encerramento, ao som de Jesus Cristo.

A correria para a frente do palco já começou na música anterior, É preciso saber viver. Uma massa de senhoras levantou-se das mesas e ficou a postos, na ansiedade de receber uma das rosas lançadas (e beijadas) pelo ídolo. Nem todas levaram uma para casa, mas todo mundo deixou o Credicard Hall seguro de seu amor pelo rei.

A temporada de Roberto Carlos em São Paulo segue nesta quinta, sábado e mais dois dias da semana que vem, com ingressos já esgotados. Veja abaixo qual foi o repertório do primeiro show:

Emoções
Como é grande o meu amor por você
Além do horizonte
Detalhes
Outra vez
Aquele beijo que te dei / Splish Splash
Negro gato
Eu sou terrível / O taxista / Se você pretende / As curvas da estrada de Santos / 120, 150, 200 km por hora / Chuva fina no meu pára-brisa / Por isso eu corro demais / Parei na contramão / O calhambeque
Amor sem limite
Mulher pequena
Mulher de 40
Eu me proponho a mudar
Cavalgada
É preciso saber viver
Jesus Cristo

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