marinhas em SP - Música - iG" /

Em noite inspirada, Adriana Calcanhotto une hits e canções marinhas em SP

Marco Tomazzoni |

A maré subiu e, dez anos depois, Adriana Calcanhotto voltou a usar sua fascinação pelo mar como motor criativo. Maré , o segundo volume de uma trilogia das águas iniciada em 1998 com Maritmo , estreou nos palcos brasileiros na noite de ontem, no Citibank Hall, em São Paulo, mostrando uma bem dosada mistura entre trabalho autoral e sucessos de público.

Assista aos melhores momentos em vídeo

Veja fotos do show no Citibank Hall

Adriana entrou no palco, menos grandioso do que deu a entender em entrevista anterior , envolta em mistério e imersa em aura conceitual. Sob um véu branco, segurava um concha junto ao rosto debaixo de um forte spot de luz. Ao fundo, cortinas com cavalos-marinhos, golfinhos e respingos de tinta azul, como no projeto gráfico do álbum. Ao lado, uma grande concha, alusão ao veículo que Tétis, a mitológica deusa das águas que inspirou a cantora, usava em suas viagens pelo mundo.

A abertura seguiu as mesmas três primeiras músicas de Maré , talvez o terço mais forte do álbum. A partir daí, a banda já se mostrou afiadíssima. Pelas mãos de Domenico Lancellotti (bateria e mesa de efeitos), Alberto Continentino (baixo, guitarra e escaleta), Marcelo Costa (percussão) e Bruno Medina (ex-Los Hermanos, teclado e sintetizador), as densas texturas das canções até davam impressão de simplicidade, tamanha a organicidade do quinteto.

Em "Asas", que veio logo depois, o cenário exibiu sua inspiração original. Apesar de Adriana estar vestindo uma espécie de camisolão vermelho, semelhante ao que exibiu em fotos recentes, todo o palco mergulhou numa luminosidade azul, transformando, aí sim, o espaço numa bruma do oceano.

"Porto Alegre" foi outra mergulhar no mar. Mais acelerada, num ponto entre reggae e Havaí, trouxe Adriana imitando o canto das sereias e tapando os próprios ouvidos para resistir ao mítico encantamento das criaturas marinhas. O público, desprotegido, não teve a mesma sorte: caiu na armadilha, ficou maravilhado e aplaudiu efusivamente.

A força dos instrumentistas mostrou ainda mais sua cara em "Para Lá", parceria com Arnaldo Antunes. Ao vivo, a melodiosa linha de teclado que conduz a canção se transformou, no final, em uma mistura de distorção e microfonia de baixo e guitarra. Sentada com o violão no colo, como na maior parte do show, a cantora, alheia à barulheira à sua volta, imitou a montanha dos versos e ficou lá, parada, envolta na semipenumbra. Um dos grandes momentos da noite.

Mais do que momentos inspirados, no entanto, a platéia queria também era ouvir os sucessos na voz da gaúcha. E eles, claro, não faltaram. "Mais feliz", de Cazuza, foi a primeira a levantar o público, que reconheceu a música logo nos primeiros acordes. "Esquadros", "Vambora" e, principalmente, "Fico Assim Sem Você", hit de Adriana Partimpim, também apareceram, entoadas em coro e aclamadas.

Entre as curiosidades do repertório, estava "Vai Saber", um dos raros sambas da cantora, composto originalmente para Mart'Nália, mas que acabou com Marisa Monte. Bem-humorada, Adriana explicou que o troca-troca ocorreu pela "infalível" tensão entre compositoras: quando uma descobre que uma música foi composta para outra, aí sim que ela quer a bendita canção. Na voz de Adriana, no entanto, uma das mais belas e cristalinas da música brasileira, o samba não ganhou malemolência. Pandeiro, tamborim e cuíca (tocada por ela mesma) estavam lá, mas a ginga, sem nenhuma perda, deu lugar ao lirismo característico de sua obra e a um curioso acento eletrônico.

Na saída para o bis, a cantora tirou os espectadores das cadeiras ao cantar "Marinheiro". Aceso, o público fez sua parte e bateu pé para que ela voltasse rapidamente. Com um vestido azul por cima do vermelho, ainda cantou "Quem Vem Pra Beira do Mar", de Dorival Caymmi; "Meu Mundo e Nada Mais", de Guilherme Arantes, que, segundo ela, foi seu remédio para os dias gripados durante a turnê em Portugal; e "Deixa o Verão", do Los Hermanos, com Adriana segurando uma guitarra nos braços. Saiu aplaudidíssima e deu a deixa de que poderia voltar para um segundo bis. E voltou mesmo, agora sozinha no violão, e presenteou os fãs com um de seus grandes sucessos, "Devolva-me".

Veja abaixo o setlist da primeira noite no Citibank Hall:

"Maré"
"Três"
"Seu Pensamento"
"Mais Feliz"
"Asas"
"Para Lá"
"Teu Nome Mais Secreto"
"Vai Saber"
"Esquadros"
"Mulher sem Razão"
"Sem Saída"
"Fico Assim Sem Você"
"Um Dia Desses"
"Vambora"
"Porto Alegre"
"Marinheiro"

"Quem Vem Pra Beira do Mar"
"Meu Mundo e Nada Mais"
"Deixa o Verão"

"Devolva-me"

Serviço
Adriana Calcanhotto ¿ Maré
Citibank Hall, São Paulo
Sábado, 22h; e domingo, 20h
R$ 60 a R$ 120
Info: (11) 6846-6040 e no Ticketmaster

Ouça sucessos de Adriana Calcanhotto no MusiG

Leia mais sobre Adriana Calcanhotto .

    Leia tudo sobre: adriana calcanhotto

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG