Em clima pesado, primeira noite do festival Calango serve de aquecimento

Tiago Agostini |

A estrutura é de primeira. Em um enorme galpão, o Centro de Eventos do Pantanal, estão distribuídas várias tendas de expositores vendendo de tudo que se imagine: camisetas, artesanato, adesivos, imãs de geladeira, caixinhas para guardar bugigangas. Já na entrada uma roda de break, cheia de pessoas fazendo coreografias de robô e piruetas no chão, comprova que este não é um festival de rock apenas. Há inclusive um stand só para que as pessoas joguem Guitar Hero. Estamos no Calango, intitulado o maior festival de artes integradas da América Latina.

De qualquer forma, a música é o que acaba unindo todas as coisas. A primeira banda a se apresentar, o Los Bobs, de Mato Grosso, até tem uma proposta sonora digna, meio Beatles, mas a execução atrapalha - erros em transições de acordes são imperdoáveis para uma banda. A sensação é de uma banda iniciante, fazendo seus primeiros shows ainda.

Os dois palcos montados um ao lado do outro fazem com que não haja intervalo entre as bandas e, logo depois, os pernambucanos do Sweet Fanny Adams tocam seu rock influenciado pelas bandas internacionais anos 2000. Strokes e Franz Ferdinand saltam aos ouvidos. Na seqüência, o Ebinho Cardoso Trio, reforçado com o renomado baixista Celso Pixinga, apresentou seu jazz (que em alguns momentos lembra Rush) que influenciou os locais do Macaco Bong. Já o Mamelo Sound System é a típica banda que só faz sentido quando se assiste da beira do palco. Seu hip-hop não cativa à distância.

Depois da projeção nacional do Vanguart, o folk-rock ganhou prestígio dentro da cena. O lado ruim disso são bandas como a goiana Diego de Moraes e o Sindicato, um crossover do grupo cuiabano com Raul Seixas e letras à Humberto Gessinger, que dilui a sonoridade do gênero e das influências em um som que não empolga.

O primeiro grupo a realmente animar o público da primeira noite do Calango foi o MQN. Com seu conhecido e competente show de stoner rock, Fabrício Nobre e companheiros foram responsáveis pelas primeiras rodas de pogo e pela animação da legião de adolescentes com camisetas pretas e piercings que dominava a platéia. Seguidos da local Venial, que também atacou com um metal pesado, constituíram os principais momentos da noite para o público.

Os gaúchos do Pata de Elefante enfrentaram o cansaço da platéia pós-metal com suas canções instrumentais curtas fortemente influenciadas por Hendrix e o hard-rock da virada dos 60 para os 70, com pitadas de surf music. Apesar de não empolgar tanto o público, fizeram o melhor show da noite junto com os paulistas do Jumbo Elektro. Com seu som pós-punk bem Gang Of Four, o Jumbo impressiona pela performance de palco cheia de brincadeiras e com intervenções de brinquedos e gravadores analógicos.

Os veteranos do Garage Fuzz apresentaram seu hardcore melódico que, apesar de eles refutarem a comparação, lembra muito o das bandas emo em voga na atualidade. Mas a essa altura, quase uma da manhã, o público já não era tão grande no festival. O Papier Tigre, da França, mostrou um indie-hardcore cheio de energia. Para fechar a noite, os cuiabanos do The Melt fizeram mais barulho do que música, seguidos dos baianos do Cascadura, que tocaram seu hard-rock melódico para alguns pouco abnegados que permaneciam no Centro de Eventos do Pantanal.

Marcada pela irregularidade das apresentações, a primeira noite do Calango serviu, como algumas pessoas da organização disseram, para acertar todos os detalhes para que o festival funcione como planejado. Na noite deste sábado vão se apresentar três das bandas de maior destaque do evento: Do Amor, Cérebro Eletrônico e Macaco Bong.

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