Em banho-maria, Coldplay agrada público em SP

Banda britânica encerrou turnê brasileira com baladas de sucesso e parabéns a Chris Martin

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Não choveu. Apesar da tarde sombria e chuvosa em São Paulo, as nuvens carregadas se seguraram e o Coldplay se despediu do Brasil no estádio do Morumbi, neste terça-feira, em uma noite fria, mas com roupas secas. Melhor, porque daí o aniversário do vocalista Chris Martin pôde ser comemorado no palco e nas arquibancadas como devia: com muito barulho e parabéns a você em português mesmo. E o show seguiu em banho-maria, lento, constante, mas sem tirar o sorriso dos fãs do rosto.

O aquecimento para a apresentação ficou a cargo dos cuiabanos do Vanguart (que pouca gente viu) e do Bat for Lashes, projeto da cantora britânica Natasha Khan (que pouca gente entendeu). Quem conseguiu superar o engarrafamento que dificultava o acesso ao estádio chegou a tempo de ouvir as primeiras notas de O Danúbio Azul. O público que carregava balões vermelhos, brancos e pretos ¿ cores da turnê do álbum Viva la Vida ¿ mexia os braços no ritmo da música, numa prova de dedicação e desprendimento que não daria sinais de cansaço.

Era a deixa para a banda entrar em cena. Da coxia, Martin, Jon Buckland (guitarra), Guy Berryman (baixo) e Will Champion (bateria) apareceram debaixo de uma enxurrada de aplausos, usando seu já conhecido figurino revolucionário-chic, para tocar a instrumental Life In Technicolor, que também abre Viva la Vida . O disco é o fio condutor de um show que quase não reserva surpresas no repertório ¿ o setlist do Rio de Janeiro foi idêntico ao da capital paulista.

AE

Martin: "Não há melhor forma de passar um aniversário do que com 60 mil brasileiros"

Violet Hill veio na sequência e já deu para perceber que as vozes da plateia, feliz da vida, soavam mais altas que a guitarra e o microfone de Martin. O hit Clocks deu a confirmação: os fãs cantavam todos os versos e só a bateria de Champion retumbava cristalina. Ninguém pareceu se importar muito com a falha, até porque o grupo começou a explorar as duas passarelas laterais ¿ Martin correu de uma para a outra, nas extremidades do palco, e cumprimentou os fãs quase sem fôlego.

Ao final, eles responderam estourando os balões para comemorar o aniversário de 33 anos do vocalista. Muito obrigado a todos, respondeu ele, na primeira intervenção de uma noite bastante comunicativa e de danças desengonçadas. No fundo do palco, uma projeção da pintura de Delacroix utilizada na capa de Viva la Vida .

Yellow, outro sucesso, revelou um telão de alta definição no mesmo lugar e uma série de bolas amarelas foram jogadas em direção ao público. A empolgação evidente rendeu um elogio de Martin. Vocês estão fantásticos, disse. Vamos fazer agora o maior barulho que já se viu em São Paulo numa terça à noite, continuou, empunhando o violão para ser acompanhado pela massa.

As baladas ao piano que fizeram a fama do Coldplay ¿ o auge chegou no segundo álbum, A Rush of Blood to the Head (2002), que vendeu 11 milhões de cópias ¿ dividiram espaço com o som ambicioso de Viva la Vida , denso, feito para retumbar em estádios, como nas faixas Glass of Water e 42. O resultado, que caracteriza o banho-maria, não desagrada, mas também não anima como nos hits, vide a comoção causada por Fix You e seus fogos de artifício.

Luciano Trevisan

O vocalista segurou uma camiseta da Seleção brasileira, mas a soltou logo depois no palco

Em Strawberry Swing, Martin comandou uma bela coreografia com as luzes de celulares e seguiu com o resto da banda para a ponta de uma das passarelas. Lá, confessou, para alegria da multidão: Não há melhor forma de passar um aniversário do que com 60 mil brasileiros. Ufanista, a plateia pegou fogo para explodir pouco depois, na catarse que foi Viva la Vida e seus coros no refrão, um verdadeiro hino de torcida. Saciado, o líder do Coldplay até deitou no chão para ouvir melhor. Alvo de uma série de processos de plágio, a música até pode ter sido copiada, mas revela um excelente gosto dos britânicos. Grande momento.

De uma passarela, o quarteto passou para a outra, que avançava ainda mais no meio do público, até a divisa da pista vip com a pista normal. A plataforma pequenina serviu de cenário para uma versão de Shiver com três violões e meia-lua, além de um parabéns a você, em português quase perfeito, puxado pelo baterista. A inédita Don Quixote também apareceu, um pop meio country inspirado pela América Latina com olé, olé na letra.

Na parte final, o destaque ficou para Lovers in Japan, uma das melhores faixas de Viva la Vida . Se sabia que a banda soltava uma chuva de borboletas de papel sobre o público, mas a quantidade foi tão grande que, combinada com os canhões de luz, provocou um efeito belíssimo para quem estava no gramado. Death and All His Friends abriu o caminho para o bis, que teve o hit The Scientist.

Antes de ir embora, Chris Martin avisou que todo mundo iria levar para casa, de graça, uma cópia do álbum ao vivo LeftRightLeftRightLeft ¿ disponível há quase um ano para download gratuito ¿, pelo apoio ao grupo e por terem estado no show. Mais um afago de um bando de bons moços que não se interessa em provocar, mas sim em entregar o que todo mundo espera. E dá-lhe mais fogos de artíficio. Para esses milhares de fãs, basta.

Veja o setlist do show no Morumbi:

Life In Technicolor
Violet Hill
Clocks
In My Place
Yellow
Glass of Water
42
Fix You
Strawberry Swing
God Put A Smile Upon Your Face/Talk
The Hardest Part
Postcards From Far Away
Viva La Vida
Lost!
Shiver
Death Will Never Conquer
Don Quixote
Viva La Vida (Remix)
 Politik
Lovers in Japan
Death and All His Friends
Bis
The Scientist
Life In Technicolor II

Assista a trechos do show em São Paulo:

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