Elvis Costello é levado pela sensação em novo CD

Músico fala sobre seu novo trabalho, o álbum acústico Secret, the Profane and Sugarcane

New York Times |

Elvis Costello é um dos vocalistas e compositores mais versáteis da música pop. Nos últimos seis anos, o artista lançou um álbum pop ao estilo da orquestra sinfônica Gershwin, um álbum conceitual voltado para a composição e um álbum de rock n jazz ao vivo, além de alguns esforços colaborativos de gênero desafiador (com Allen Toussaint e Jenny Lewis).

Agora vem seu mais recente álbum: Secret, the Profane and Sugarcane , considerado bluegrass por muitos ¿ mesmo que Costello não adore tal descrição. Não se trata de um álbum de bluegrass, afirmou Costello. É um álbum de baladas. As canções têm uma história ¿ muitas delas escritas em harmonia com minha personalidade.

Segundo Costello, Secret é um disco acústico ¿ um álbum que reúne algumas faixas novas com material antigo (inédito e já lançado), passando tudo pelo filtro tradicional do músico e produtor T-Bone Burnett. Embora os fãs de Costello venham se conectando com seus diversos projetos em diferentes níveis, muitos deles estão encontrando conforto no álbum Secret , que estreou ocupando a 13ª posição da Billboard 2000 na semana passada ¿ a estreia de maior sucesso do artista em quase 30 anos de carreira (desde Get Happy , de 1980).

A voz de Costello ¿ acentuada por grandes nomes do bluegrass, como Jerry Douglas, Stuart Duncan, Mike Compton, Jeff Taylor and Dennis Crouch ¿ flui em harmonia com o som dos instrumentos. Costello mostra-se completamente à vontade tanto em meio ao dedilhado esparso do single Complicated Shadows (uma antiga faixa do artista) quanto na emotiva interpretação em grupo de Red Cotton (faixa que integra o álbum The Secret Songs , encomendado pela Royal Danish Opera e nunca finalizado).

Eu queria fazer um disco acústico e estava procurando uma razão para gravar um com meu amigo T-Bone, disse Costello. Já fizemos dois álbuns juntos e estamos sempre em contato, então percebi que tinha diversas canções pertinentes com ideias que havíamos tido ¿ como juntar um grupo de músicos e fazer algo deste tipo.

Embora Costello esteja no comando do álbum, o clima das canções é definido pelos instrumentos: o dobro de Douglas, o violino de Duncan, o mandolim de Compton, o acordeom de Taylor e o baixo duplo de Crouch, além da produção de Burnett e do backing vocal de Lauderdale. A presença dos músicos é bem forte e Costello gostou de trabalhar com o grupo ¿ e com seus instrumentos.

Estes sons são lindos, disse ele. Já trabalhei com violino em diferentes situações, como num quarteto de cordas e com músicos do folclore irlandês, mas não com os instrumentistas deste álbum ¿ como o Jerry Douglas, que é um músico magistral; enfim, todos eles são. O que mais gosto no trabalho deles é que, como são todos muito experientes, eles sabem quando não devem tocar. Eles sabem quando silenciar e quando entrar na música.

Em apenas três dias, Costello e sua equipe gravaram 13 faixas ¿ incluindo um cover de Changing Partners, canção que se tornou conhecida por Bing Crosby. Segundo Costello, fora um solo de guitarra elétrica em overdub, tudo transcorreu da mesma forma que é ouvido. 

Era só a gente, tocando em semicírculo, disse ele. Complicated Shadows veio muito rápido. Mesmo aquelas canções um pouco mais complicadas, a maioria saiu no primeiro ou no segundo take ¿ acho que nenhuma passou de quatro takes. Antigamente toda gravação era feita assim. Não entendo o que tem de tão difícil nisso. Não era só se juntar em uma sala e tocar, e isso seria a gravação? É claro que se você está fazendo um disco experimental justapondo dois sons que parecem não combinar, isso é outro tipo de disco, que eu mesmo já fiz: você tenta casar coisas que, de outra forma, nunca seriam colocadas juntas. A recompensa de tocar desta maneira é evidente ¿ a conexão instantânea com a música e a sensação tangível dos outros instrumentos.

Para Costello, a parte mais divertida do projeto foi escolher as canções certas. E este processo está longe de estar concluído. Costello e os Sugarcanes, como seus novos companheiros de banda se autointitulam, irão focar nas canções do álbum em shows ao vivo, mas também irão incluir outros acordes de familiaridade variada.

Vez por outra vai ter uma canção que as pessoas reconhecem ¿ talvez elas vão perceber que a canção tem algo que permite que a mesma seja tocada por tais instrumentos, de forma tão vívida, disse Costello. Não é só um truque de mágica. É preciso repensar um pouco. Sou muito mais levado pela sensação que a música desperta do que pelo seu estilo.

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