Elis Regina e Nara Leão ganham homenagens

No mesmo dia em que a morte de Elis completa 30 anos, Nara faria 70

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Nara Leão
Hoje, dia 19 de janeiro, é data de celebração - infelizmente, de olhos marejados de saudade - para a música popular brasileira. Dia para lembrar de duas grandes cantoras contemporâneas, mas tão distintas. Rivais até. Nara Leão nascia há 70 anos. E Elis silenciou o Brasil em luto, 30 verões atrás. É momento para as homenagens justas a duas vozes que pareciam travar um duelo. 

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Nara, de canto suave, buscou inspiração na bossa nova, mas trouxe elementos do Nordeste do País, e outros gêneros culturais de fora do eixo Rio-São Paulo. Elis, por sua vez, soltava o vozeirão e é imitada, até hoje, por vozes femininas da atual geração da MPB.

"Elas tinham estilos completamente diferentes", recorda a jornalista e escritora Regina Echeverria, biógrafa da Pimentinha, em "Furacão Elis" - livro este que ganha uma terceira edição para os 30 anos da partida da cantora, pela editora Leya. Nara, por exemplo, foi quem lançou Chico Buarque como compositor, pouco antes de Elis fazê-lo. Mas a rivalidade musical tinha uma raiz amorosa. 

Nara era apenas três anos mais velha que Elis, tendo nascido em 1942. Aos 17 anos, ela iniciou um namoro com o jornalista, músico e produtor Ronaldo Bôscoli. Eles chegaram a ficar noivos, mas o relacionamento acabou dois anos depois, quando a também cantora Maysa anunciou que se casaria com Bôscoli - o que nunca aconteceu, mas era sabido que os dois dormiam juntos em turnês.

Mais tarde, em 1967, foi Elis quem se casou com ele e, juntos, tiveram João Marcelo Bôscoli, produtor que hoje preside a gravadora Trama. Elis teve, posteriormente, Pedro Camargo Mariano e Maria Rita, com o segundo marido, o músico César Camargo Mariano.

Há três anos, Isabel Diegues, de 41, filha de Nara Leão e do cineasta Cacá Diegues, briga para colocar na rede um site com todo o material da mãe - inclusive os 23 discos lançados por ela, mas fora de catálogo -, para ser ouvido gratuitamente em streaming (sem a possibilidade de download). "Este é um presente que eu dou para a minha mãe", diz Isabel.

Isabel, cineasta e hoje dona de uma editora, conta que, por muito tempo, viu o acervo de Nara perdido nos depósitos do MIS. "Sempre achei que tudo deveria ser público e de fácil acesso a todos. Discordo de que a família deva ficar sentada sobre a obra e não deixar ninguém aproveitá-la. Até tentei tirar do MIS em algum momento, mas a direção de lá mudou e as coisas se endireitaram." Os bens incluem fotos, documentos, uma cronologia e os discos, claro.

Fãs de Elis Regina - contingente que obviamente não exclui os fãs de Nara Leão -, por sua vez, ganham uma gama ainda maior de possibilidades para se aprofundar (de novo) no repertório e na vida dela. Além da biografia reeditada, a cantora ganhará um mega relançamento, com todos os discos lançados pela Universal (antiga Phonogram/Philips), de 1965 a 1979.

São 24 CDs, distribuídos em duas caixas, que reúnem 21 álbuns originais, além de outros dois discos com faixas avulsas e um terceiro com o show "Transversal do Tempo". Os boxes são divididos entre os anos 60 e 70. Em outro projeto, o disco duplo "Um Dia", o pesquisador Marcelo Fróes reuniu duas apresentações de Elis, no mesmo dia, no Montreux Jazz Festival, de 1979.

Já os filhos de Elis, Maria Rita e João Marcelo Bôscoli, realizam, ainda nesse semestre, a turnê "Viva Elis", com shows com o repertório da mãe e uma exposição itinerante. Tudo para manter viva a memória de duas divas da MPB, que eram assim tão diferentes, tão iguais.

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