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Dupla sueca Club 8 fala sobre shows no Brasil, bossa nova e pop anti-macho

Juliana Zambelo |

Acordo Ortográfico

Em 13 anos de estrada e com seis álbuns no currículo, o Club 8 é uma banda que nunca perdeu a ternura. Formado na Suécia pela dupla Johan Angergård e Karolina Komstedt, o duo pop está pronto para desembarcar no Brasil pela primeira vez para três apresentações. Parte da nova Invasão Sueca, eles tocam no próximo dia 20 em Recife, dia 22 em Curitiba e 24 em São Paulo.

Sempre melancólicos, o Club 8 nasceu na sombra do indiepop dos anos 80, inspirados por Smiths e pelo catálogo do selo independente Sarah Records, e ao longo dos anos experimentou com trip hop e bossa nova, sempre com a delicadeza e o gosto por melodias bonitas em primeiro lugar. Para seus shows no Brasil, a dupla traz uma performance acústica e carrega na manga seu trabalho mais recente, o álbum The Boy Who Couldnt Stop Dreaming , lançado em 2007.

O multi-instrumentista Johan Angergård leva o Club 8 em paralelo a diversos outros projetos. Ele faz parte das bandas Acid House Kings e The Legends além de administrar o selo Labrador, um dos mais importantes aglutinadores do bom pop sueco. Em meio aos diversos trabalhos e enquanto se prepara para sua primeira viagem à América do Sul, Johan tirou um tempo para falar ao iG Música sobre os shows no Brasil, influências e o último álbum.

Quais são seus planos para esta visita ao Brasil?
Johan Angergård: Eu nunca estive no Brasil ou em nenhum outro lugar da América do Sul então vou tentar ver um pouco dos lugares enquanto estiver aí. Vou ficar uns dias a mais e estou ansioso para conhecer o país. 

Como serão os shows que farão aqui? O que vocês estão preparando?
Johan:
Normalmente somos seis pessoas quando tocamos ao vivo e agora seremos apenas eu a Karolina, uma guitarra e um pouco de teclado. Então será bem diferente de um show normal do Club 8. Você acaba se sentindo muito mais vulnerável quando faz um show acústico e não tem muitas pessoas e sons atrás dos quais se esconder. Espero que isso dê um toque pessoal e acolhedor aos shows, ou pode apenas entediar a platéia, quem sabe?

Você ficou surpreso quando descobriu que existem pessoas aqui que conhecem seu trabalho e querem ver seu show?
Johan: Sim, tenho que dizer que fiquei. Nossos álbuns nunca foram lançados no Brasil e nunca recebemos muitos emails de fãs. Mas agora, depois que os shows foram anunciados, há muitas pessoas escrevendo para nós e dizendo o quanto elas gostam de nossa música e que elas estarão nos shows. Foi uma ótima surpresa.

Em alguns momentos a sua música lembra a nossa bossa nova. A música brasileira foi realmente uma influência? Como você teve acesso a ela?
Johan: Sim, pode-se dizer que foi uma influência, indiretamente no início, mas foi. Eu tive meu primeiro contato com a bossa nova através das bandas de indie pop que, por sua vez, conheciam bossa nova. Bem no início éramos influenciados por bandas como Blueboy e The Legendary Jim Ruiz Group e depois que lançamos nosso primeiro álbum, Nouvelle , pessoas ficavam nos comparando a Astrud Gilberto, então começamos a ouvi-la e a ouvir João [Gilberto], Antônio Carlos Jobim e por aí vai.

Você já disse em entrevistas que sua maior influência é o indie pop dos anos 80. O que te atraiu a essas bandas? Qual é o charme desse estilo para você?
Johan:  É a principal influência no sentido de que foi a música que eu cresci ouvindo e a música que realmente mudou minha vida. Músicas que me diziam alguma coisa sobre minha vida. E eram tocadas por pessoas que eram muito anti-macho, que não tinham medo de mostrar seu lado fraco ou depressivo. E, claro, era música baseada em boas melodias. A maioria das bandas que eu conheci e aprendi a amar nessa época eram bastante melancólicas, mas nem um pouco tediosas - elas vestiam seu lado mais sombrio em melodias pop perfeitas.

Como é o processo de composição de vocês?
Johan: Normalmente eu tenho uma idéia vaga do tipo de música que eu quero escrever ou do tipo de emoção que eu quero capturar antes de começar. E eu componho quase tudo no estúdio, não uso o modo típico de composição do cantor/compositor ¿ sentar em casa com um violão. Eu geralmente começo com bateria e baixo ou bateria e teclado, porque isso me inspira mais e mostra melhor o caminho que a música vai seguir. Depois disso eu começo a trabalhar nas melodias vocais e a música se desenvolve daí. Então eu toco para Karolina e regravo tudo de forma a encaixá-la, e, enquanto eu regravo, eu tenho uma segunda chance de pensar na forma de produção e nos arranjos.

Por que você deixou os elementos eletrônicos de fora do novo álbum?
Johan:
Um novo álbum de alguma de minhas bandas vem de uma combinação de como está minha vida e uma reação ao modo como meu último trabalho soou. Eu lancei Facts and Figures com The Legends em 2006 e aquele disco era todo eletrônico, então foi muito natural para mim querer um álbum focado em guitarra. E felizmente era exatamente o que Karolina queria fazer também.

Quais os pontos mais fortes do novo trabalho?
Johan: Nós realmente tentamos fazer com que cada canção fosse o mais emocional e o mais próxima da emoção original possível. Cada instrumento e voz no álbum visam atingir isso e, para mim, isso pode ser ouvido facilmente no disco. É um disco muito pessoal para mim.

Nenhum de seus álbuns foi lançado no Brasil até agora, então as pessoas que conhecem vocês aqui só conhecem através da Internet. Você acha que a Internet é a melhor forma de encontrar e ouvir música hoje? Ou você acha que pode não ser uma experiência completa?
Johan: É a melhor maneira de descobrir música nova, mas para mim ela não fornece a melhor maneira de ouvir. Eu gosto de som em alta qualidade e MP3s não permitem isso. E eu acho que os encartes dos CDs oferecem uma visão melhor do que é a banda. Eu sinto como se ganhasse uma dimensão a mais quando eu tenho algo físico sobre o qual me debruçar enquanto eu escuto a música.

Serviço:

INVASÃO SUECA 2008

Recife
19 e 20 de setembro
estival No Ar Coquetel Molotov - Centro de Convenções da UFPE
Shows com Peter Bjorn and John, Shout Out Louds e Club 8
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)
Site: www.coquetelmolotov.com.br

Curitiba
22 de setembro
Era Só O Que Faltava
Shows com Shout Out Louds e Club 8
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)
Site: www.faltava.com.br

São Paulo
23 e 24 de setembro
Studio SP (Rua Augusta, 591 ¿ Centro ¿ São Paulo)
Shows com Peter Bjorn and John e Shout Out Louds
Ingressos: R$ 50,00 (antecipado)
Site: www.studiosp.org

24 de setembro
SESC Vila Mariana
Show com Club 8
Ingressos: R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (usuário matriculado no SESC e
dependentes, +60 anos, estudantes e professores da rede pública de
ensino), R$ 5,00 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC
e dependentes)
Site: www.sescsp.org.br

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