DJ brasileiro entra para o livro dos recordes

Conhecido como DJ King, Carlos Eduardo tocou por mais de 120 horas sem parar

Thiago Ney, iG São Paulo |

Com as pernas bambas, os olhos cansados e uma voz que saía com dificuldade, Carlos Eduardo Sebastião ergueu uma garrafa de champanhe e exclamou: "Apareceu a margarida". Deu um gole na bebida e foi ovacionado pelas duas dezenas de pessoas que o assistiam num sobrado transformado em estúdio próximo ao estádio do Pacaembu, zona oeste de São Paulo.

No início da madrugada desta terça-feira, Carlos Eduardo, mais conhecido como DJ King, acabara de entrar para o Guinness Book, o livro dos recordes. Esse paulistano do Brás passou ininterruptas 120 horas e 2 minutos tocando como DJ. Façanha sem igual no mundo - o recorde anterior era do suíço Cedric Barras, que havia ficado "apenas" 118 horas sem parar manipulando dois toca-discos.

Alex Poise
DJ King tocou por mais de 120 horas e quebrou recorde

"A primeira coisa que eu quero fazer é dormir. Depois, dormir", disse, (meio) brincando, segurando a placa do Guinness que atestava o seu recorde. Mas o DJ King ainda esperaria um pouco mais para descansar - seria levado para um hospital, para ser examinado.

Aos 34 anos, King é um dos mais conhecidos DJs de música negra de São Paulo. Está acostumado a números superlativos. Em 2008, se apresentou como DJ em 240 datas. Em 2009, aumentou para 257. E, dos 365 dias de 2010, ele tocou em 303 deles (uma apresentação geralmente dura entre 2h e 3h). "Quando me dei conta de que havia tocado 303 vezes em um ano, percebi que poderia bater o recorde de tempo ininterrupto."

E o recorde começou a ser batido à meia-noite de quinta-feira passada. King tinha à sua frente dois toca-discos conectados a um laptop, do qual selecionava as músicas que tocava. A primeira (e que serviu como encerramento) foi o Hino Nacional. Nessas 120 horas - e dois minutos -, repetiu alguma faixa? "Não, nenhuma." Todo o repertório foi recheado por black music, incluindo alguns sambas-rock que foram pedidos por sua mãe, Shirley Sena Sebastião, 55, enquanto ela dançava e incentivava o filho na pequena pista improvisada no andar superior do sobrado.

"Ele baqueou algumas vezes", conta Shirley. "Estava tocando e, de repente, parecia que ia cair." Então ela, os outros três filhos e os amigos do DJ gritavam e batiam palmas. "Hoje [segunda-feira] de manhã ele chorou. Disse que não aguentava mais", lembra Shirley. "Dei uma toalha umedecida com água, um pouco de arroz e feijão e ele foi em frente."

Nesses mais de cinco dias, King se alimentou de "litros de café" - e ele não gosta de café -, água, arroz, feijão, queijo, lasanha e macarrão, preparados por sua mãe. Sempre em porções diminutas, para que ele não tivesse vontade de ir ao banheiro. E funcionou. No período, King foi ao banheiro três vezes, "e apenas para fazer o número 1", diz.

Dormiu, ao todo, cinco horas e 20 minutos, em momentos alternados - tempo que é permitido pelo Guinness, mas que não foi suficiente para livrá-lo das câimbras nas mãos e do inchaço que sentia por todo o corpo. Dolorido, mas feliz da vida, King recebeu das mãos de Carlos Martines (um espanhol de 33 anos que há três é fiscal do Guinness e que viajou de Nova York, onde mora, ao Brasil especialmente para acompanhar o recorde do paulistano) a placa que comprova seu feito. "É um sonho realizado", disse, e abraçou a mãe.

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