Dinosaur Jr. acaba com jejum dos fãs

Estreando no Brasil, banda lavou a alma no primeiro show em São Paulo

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Divulgação/Eugênio Vieira
O guitarrista J Mascis: cabelos esvoaçantes e bico calado no Comitê Club, em São Paulo
O sonho de muitos ex-adolescentes se realizou na madrugada desta terça-feira. O grupo norte-americano Dinosaur Jr. fez o que se esperava e entregou um set list repleto de sucessos no último volume no primeiro de seus dois compromissos no Comitê Club, em São Paulo. A casa lotada, os stage dives do palco minúsculo, os sorrisos e os urros do público não mentiam: um dos shows do ano na cidade.

Divulgação/Eugênio Vieira
Dinosaur Jr completo em ação no palco
Ao vivo, a personalidade do trio é a mesma que se ouve falar há anos. J Mascis, um dos maiores guitarristas do indie norte-americano, se limita a fazer o que sabe – canta, longos cabelos brancos balançando no ar condicionado (que só parecia chegar ali), mas não fala com ninguém, nem com os companheiros, fazendo juz à fama de depressivo caladão. Lou Barlow, no baixo, é o popular. Depois de um show solo acústico bastante aplaudido no dia anterior, tinha gente até gritando seu nome, e só o seu, quando a banda entrou em cena. "Obrigado", disse ele ao longo da noite, "vocês são a melhor plateia". Já Murph, na bateria, ajudou a entender melhor o que é o Dinosaur Jr hoje. Cabeça raspada e jeitão de contador, tirou a camiseta na segunda música e desceu a mão, com um prazer evidente. Quarentões, com quase 30 anos de carreira, que voltaram à ativa para alegrar muita gente, inclusive eles mesmos.

Heróis de toda uma geração, e não dá para deixar de citar Nirvana, Pearl Jam e o rock em peso da década de 1990, os três iniciaram a noite, com uma hora de atraso, ao som de "Thumb", de "Green Mind" (1991) e emendaram faixas recentes ("Been There All the Time") com clássicos do repertório – "In a Jar", "Little Fury Things", "The Wagon", "Out There". Entre uma música e outra, um intervalo incômodo, interrompido quando menos se esperava – uma sensação estranha de desconforto pela pausa e alegria pelo retorno inesperado.

No palco, os solos de Mascis, previstos em todas as canções, ficam maiores, mas não cansam, envoltos por distorção, pedais e uma parede de amplificadores. Mais o baixo alto e sujo de Barlow e o peso de Murph fazem com que toda a experiência seja exemplar para o rock asseado do novo século – só uma música já consegue ser mais relevante do que a terra arrasada que é o atual rock brasileiro mainstream.

Os pontos altos da noite foram "Freakscene", cantada junto pelo público, e o hit "Feel the Pain", momento de êxtase coletivo. No bis, vieram "Just Like Heaven", cover sensacional do The Cure, a preferida de Robert Smith, e "Forget The Swan", numa versão imensa, com o trio emulando uma espécie de Led Zeppelin progressivo. Barulho de primeiríssima qualidade.

O único porém ficou por conta do próprio Comitê. Se o som não estava perfeito, a temperatura, então, foi de lascar. É difícil manter um clima ameno numa casa lotada, mas o calor senegalesco que o público teve de suportar não passou no teste do consumidor. Fica o aviso para quem tem ingresso para a noite desta quarta-feira: roupas leves e água, muita água.

Serviço – Dinosaur Jr. em São Paulo
29 de setembro de 2010 (quarta), às 23h
Comitê Club (Rua Augusta, 609)
Ingressos: R$ 80 (esgotados)
Informações: (11) 3237-3068

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