Dinho Ouro Preto: "Sei que muita gente vai achar meu disco um insulto"

Cantor regrava músicas de Joy Division e Smiths no álbum solo "Black Heart"; leia entrevista ao iG

Augusto Gomes, iG São Paulo |

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Dinho Ouro Preto
"Eu sei que muita gente vai achar um insulto". A frase, de Dinho Ouro Preto, refere-se ao seu disco solo, "Black Heart". Nele, ele canta versões de músicas como "Love Will Tear Us Apart", do Joy Division, e "There Is a Light that Never Goes Out", dos Smiths. "Eu escolhi algumas bandas que têm fãs xiitas", reconhece o cantor em entrevista ao iG . "Mas eu gravei mesmo assim."

O trabalho solo não significa que Dinho tenha abandonado o Capital Inicial, banda em que está há quase 30 anos. "Só tenho, há muitos anos, essa vontade de fazer um disco nos meus termos", explica. "Acho que todo mundo que toca num grupo nutre esse desejo de não ter de consultar seus companheiros."

Na conversa com o iG , Dinho falou sobre a origem de "Black Heart", revela quando sai o novo trabalho do Capital e adianta quais outras covers vai cantar nos shows de seu disco solo.

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iG: Quando surgiu a vontade de gravar um álbum fora do Capital Inicial?
Dinho Ouro Preto:
Há muito tempo eu queria fazer um disco sozinho. Trabalhar numa banda envolve sempre dar um passo para trás. Você precisa chegar a um acordo, as músicas têm de ser consensuais. Você não pode ser um ditador e enfiar suas ideias goela abaixo da banda. Seus companheiros têm de gostar também.

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Capa do álbum 'Black Heart'
iG: Você queria saber como era não ter que dar satisfações a ninguém, então?
Dinho Ouro Preto:
Eu estou há quase 30 anos no Capital Inicial, fiz 17 discos. Não tem como não pensar 'como seria se eu não tivesse que prestar contas a absolutamente ninguém e pudesse fazer exatamente como eu quero?'. Acho que todo mundo que toca num grupo nutre esse desejo de não ter que consultar seus companheiros.

iG: Mas isso significa que você vai partir para a carreira solo?
Dinho Ouro Preto:
Eu não vou a lugar nenhum agora. Estou há 30 anos no Capital, não vou começar uma carreira solo (risos). Só tenho, há muitos anos, essa vontade de fazer um disco nos meus termos. A maior parte dos artistas tem e esse geralmente é o motivo da separação dos grupos. Se o cara tivesse enfiado um projeto solo enquanto estivesse na banda, poderia dar vazão a seu 'complexo de Napoleão' e a banda teria continuado, para a felicidade dos fãs.

iG: E como tem sido a reação dos fãs do Capital ao 'Black Heart'?
Dinho Ouro Preto:
Muito boa. Mas as pessoas que falaram comigo são fãs roxos, ardorosos. É preciso fazer essa ressalva. Eu os adoro, mas sei que a opinião deles é suspeita.

iG: E os fãs dos artistas que você regravou, o que estão achando?
Dinho Ouro Preto:
Eu escolhi algumas bandas que têm fãs xiitas, como Joy Division e Smiths. Eu sei que muita gente vai achar um insulto. Mas é mais um atrativo, fazer algo que é 'proibido'. Me parece transgressor, na medida em que eu sei que as pessoas acham que eu não poderia fazer. Estou perfeitamente ciente que muitas pessoas podem ficar ofendidas.

iG: Isso não te preocupa?
Dinho Ouro Preto:
É um desafio. Eu sei que as pessoas podem estar dizendo 'quem esse Dinho Ouro Preto pensa que é para gravar Joy Division?'. Mas eu gravei mesmo assim.

Ouça abaixo um trecho de "Dancing Barefoot", composta por Patti Smith:

iG: Quando você pensou no disco solo, já imaginou um álbum de covers?
Dinho Ouro Preto:
Quando eu sentei e pensei 'vou fazer o disco', sim. Em 2011, eu me dei conta que o novo disco do Capital só seria gravado dali a um ano. Ou seja, se quisesse fazer um trabalho solo, teria de ser naquela hora. Aí falei para a gravadora: 'quero fazer um disco rápido, barato e só de versões em inglês. Posso?'. Só que tudo deu errado. Não foi nem rápido e nem barato.

iG: O que aconteceu?
Dinho Ouro Preto:
Eu estava compondo para o novo disco do Capital e também estava fazendo shows com a banda. Eu me vi como um malabarista, com três bolas no ar ao mesmo tempo. A gravação do 'Black Heart' foi de agosto até janeiro deste ano. Numa semana eu conseguia gravar um dia, na outra semana mais um dia, na outra não gravava. Foi uma angústia. Agora vai começar tudo de novo.

iG: Você vai fazer shows do 'Black Heart'?
Dinho Ouro Preto: Em maio, devo tocar no Rio e em São Paulo. Aí vai ter um hiato, por causa da gravação do disco do Capital. Ele deve ficar pronto no final de julho, começo de agosto. A minha ideia é, nas sextas e sábados, cantar com o Capital e, nas quintas e domingos, fazer os shows solo. Se eu conseguir (risos).

Ouça abaixo um trecho de "Hallelujah", de Leonard Cohen, na voz de Dinho Ouro Preto:

iG: Voltando ao disco: todas as músicas falam de amor. A escolha foi proposital?
Dinho Ouro Preto:
As primeiras cinco ou seis que saíram da minha cabeça não foram premeditadas. Só depois me dei conta que todas elas falavam de amor. Então pensei: por que não usar isso como tema para o disco? Metade do disco veio de sopetão e, na outra metade, eu procurei músicas que se encaixassem nesse conceito.

iG: Alguma música ficou de fora porque não se encaixava?
Dinho Ouro Preto:
Teve uma música que acabou não sendo gravada: 'Hang Down Your Head', do Tom Waits. E também outra do Depeche Mode, 'Free Love'. Elas saíram porque eu achei que o disco ficaria muito anos 1980. Eu queria um repertório bem equilibrado entre anos 1960, 1970, 1980, 1990 e 2000.

iG: E o repertório dos shows, como será?
Dinho Ouro Preto:
Os shows terão mais músicas em inglês. Já pensei em várias. Quero cantar 'Don't Look Back in Anger', do Oasis, e 'Over the Hills and Far Away', do Led Zeppelin, por exemplo.

Assista ao clipe da versão de Dinho Ouro Preto para 'Nothing Compares 2 U', composição de Prince que ficou famosa na voz de Sinead O'Connor:

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