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David Byrne and Brian Eno BR Everything that happens...

Diego Fernandes |

Por Diego Fernandes

Conhecidos como os principais arquitetos da pioneira fusão de world music e pós-punk do Talking Heads na virada da década de 70 para a de 80, Brian Eno e David Byrne têm em Everything That Happens Will Happen Today sua primeira colaboração em quase três décadas. Seu último trabalho conjunto, o cinemático My Life In The Bush Ghosts , lançado originalmente em 1981 (e em versão remasterizada dois anos atrás), é tido como um álbum visionário pelo casamento de samples vocais evocativos e música ambiente, sendo considerado precursor de diversas técnicas de produção que se seguiriam, sobretudo no hip-hop.

Eno, produtor responsável por moldar a carreira do U2 na década de 90 - e mais recentemente por revitalizar um cambaleante Coldplay -, é apontado como o teórico-chefe do rock, e dessa forma ETHWHT não poderia deixar de ter algum tipo de conceito agregado. Em um texto postado no site oficial de David Byrne, o produtor explicou que a espinha dorsal do trabalho é formada por pedaços de canções que nunca fruíram por conta própria, entregues aos cuidados de Byrne para que assim se desenvolvessem. Byrne (que nos últimos anos tem se destacado mais como curador de festivais e mostras do que como músico) disse ter detectado o espírito oculto emanando das canções como uma forte força gospel. Sob influência dos livros de Dave Eggers (até o título do álbum lembra os nomes longos e/ou enigmáticos dado pelo escritor americano a seus romances, como "What Is The What?" e "You Should Know Our Velocity"), o cantor criou letras reflexivas, de tons levemente religiosos.

Segundo Eno, a idéia era de que as canções fossem convidativas e harmônicas ao ouvinte. Não se trata de um trabalho de música ambiente, nem de puro gospel, como chegou a especular-se, mas fato é que em ETHWHT apresenta pouquíssima urgência em suas músicas ¿ e, dados os nomes envolvidos, desaponta. Gravitando em torno de uma mistura de rock, folk, alguns respingos de world music e eletrônica com um sotaque trip-hop rançoso, as onze faixas soam datadas (possivelmente devido ao fato de serem instrumentais engavetados por sabe-se lá quanto tempo), o tipo de coisa que, com um leve acréscimo de guitarras, constitui todo um cânone musical plenamente esquecível da década de 90. O título dá uma das maiores pistas falsas de que se tem notícia na música recente, e pouco ou quase nada acontece em Everything That Happens Will Happen Today .

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