David Bowie completa 64 anos afastado dos holofotes

Cantor britânico não lança álbum inédito há sete anos e está longe dos palcos há quatro

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Getty Images
David Bowie em junho de 2010
O David Bowie que faz aniversário neste sábado é um artista recluso. Aos 64 anos, ele não lança um álbum de inéditas desde 2003 e não se apresenta ao vivo desde 2006, quando fez uma participação especial em uma apresentação de David Gilmour e cantou com Alicia Keys num show beneficente. Esse afastamento alimenta os mais variados boatos, desde inocentes férias prolongadas para curtir a família (Bowie teve uma filha em 2000, a primeira de seu casamento com a ex-modelo Iman) até a possibilidade de uma doença grave..

A causa inicial do afastamento de Bowie, é verdade, foi mesmo a sua saúde. Em 2004, ele sentiu-se mal durante um show na Noruega e constatou-se que ele estava com uma séria obstrução numa artéria. Foi feita então uma angioplastia de emergência e o restante da turnê foi cancelada. De lá para cá, o cantor viveu de participações especiais. Se apresentou ao vivo com o Arcade Fire em duas oportunidades, gravou backing vocals para discos do TV on the Radio e de Scarlett Johansson, foi curador de um festival em Nova York, fez pontas em filmes ("O Grande Truque") e séries de TV ("Extras").

É pouca coisa para um artista que ganhou ao apelido de "camaleão" pela capacidade de se reinventar a cada trabalho. Em mais de 40 anos de carreira, Bowie passou do glam rock para a soul music, do eletrônico mais experimental ao pop mais radiofônico. Sua influência ultrapassou a música: está na moda, no cinema, no comportamento. Sua história está contada em detalhes em "Bowie - A Biografia", do jornalista Marc Spitz. Lançado lá fora em 2009, o livro ganhou edição brasileira no final do ano passado. Ele funciona tanto como introdução a quem pouco conhece do artista, como como ótima fonte de informação aos fãs mais dedicados.

Divulgação
Capa de "Bowie - A Biografia"
Conta desde a infância e adolescência nos subúrbios de Londres, passando pelo difícil começo de carreira (Bowie colecionou fracassos durante quase toda a década de 1960, até estourar com "Space Oddity"), os escândalos da época do glam rock (ele virou notícia ao declarar-se bissexual em 1972), o envolvimento pesado com drogas no meio dos anos 1970, a revolução causada por sua "trilogia de Berlim" (três discos gravados entre 1977 e 1979 que mudaram a música pop), a fase mais pop e conservadora dos anos 1980, as novas reinvenções da década de 1990 e, por fim, a reclusão dos últimos anos.

Na comparação com outras biografias de astros do rock, Spitz tem a vantagem de realmente conhecer música e, com isso, conseguir analisar e contextualizar a importância da obra de Bowie. Por isso, não espere muitas fofocas a respeito da atribulada vida do artista. Elas até estão lá, mas contadas num tom respeitoso e às vezes até envergonhado - Spitz, afinal, é um aficcionado e não esconde isso. Sua tristeza nos últimos capítulos, ao falar sobre a reclusão do cantor, é evidente. Quem é fã entende.

Veja abaixo clipes de dois clássicos do cantor, "Space Oddity" e "Heroes":


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