Cubanos abrem Virada Cultural com classe

Remanescentes do Buena Vista Social Club tocaram para multidão na palco principal do evento em São Paulo

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Marco Tomazzoni
O veterano Ignacio ¿Mazacote¿ Carillo: emoção no palco da praça Júlio Prestes
A Virada Cultural 2010 foi aberta oficialmente no final da tarde deste sábado com música cubana em estado de graça. O palco principal, montado na Praça Júlio Prestes, sediou a apresentação de Barbarito Torres, um dos seis integrantes remanescentes do grupo Buena Vista Social Club, alçado ao estrelato na década de 1990 com o documentário dirigido por Wim Wenders. O público ansioso que lotava os arredores desde cedo teve a seu dispor uma orquestra de 12 integrantes e pôde conferir a atuação de Ignacio “Mazacote” Carillo – apesar de não fazer parte do grupo original, o cantor de 83 anos foi o grande destaque do show.

As festividades iniciaram com atraso, às 18h20, logo depois da aplaudida performance de uma acrobata: a 40 metros do solo, ela ficou tocando acordeom presa a um cabo metálico no alto da torre do relógio da Estação Júlio Prestes. Na sequência, a banda cubana já entrou em ação, fazendo um aquecimento que se estendeu por três músicas, com duas cantoras se revezando nos vocais. E aí Barbarito, 54 anos (um garoto para a faixa etária de seus colegas do Buena Vista), entrou em ação e mostrou porque é uma lenda da música latina. Virtuose do alaúde cubano, toca o instrumento com uma velocidade de fazer inveja ao melhor intérprete de “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo.

Marco Tomazzoni
Barbarito Torres: ás do alaúde cubano
A plateia só começou a ficar mais animada quando a banda tocou uma música mais conhecida: “Chan Chan”, que abre o álbum do grupo. Aí começaram a tremular bandeiras cubanas e até os curiosos nas janelas de prédios próximos entraram na dança, que já era regra para quem estava perto do palco – resistir àquele festival de salsas e sons (o dançante estilo musical cubano) era tarefa ingrata. Barbarito pegou o microfone pela primeira vez e disse, orgulhoso: “Gostaríamos de apresentar um dos cantores mais jovens de Cuba”. Era a deixa para Mazacote entrar em cena.

Tido como um dos mais importantes intérpretes de Cuba, Mazacote viajou o mundo recentemente com o Afro Cuban All Stars. Frágil, assustou quando surgiu em cena, mãos trêmulas e andar trôpego. Mas foi só sentir a percussão alta que ele começou a mexer os quadris, encarnou um Elvis da terceira idade, fez caras e bocas, dançou muito e ainda dominou o microfone com segurança. A voz sumia de vez em quando, é verdade, mas a presença de palco compensava qualquer dificuldade.

O sucesso “El Cuarto de Tula” apareceu mais tarde, só que nada foi mais emocionante do que a interpretação de Mazacote para “Veinte Años”. Se o veterano titubeou aqui e ali, não vem ao caso. Importa, sim, a entrega que ele fez a esse bolero que, ao vivo, ficou dilacerante. “O amor que já passou, não se deve recordar”, cantou Mazacote, “hoje represento o passado, não posso me conformar”. Um passado glorioso da música cubana, diga-se de passagem, que continua fazendo a alegria de muita gente.

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