Cranberries toca para multidão de fãs em São Paulo

Banda irlandesa cantou sucessos em um Credicard Hall lotado na turnê de retorno

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

O Cranberries passou seis anos separado. Mas percebeu que ser uma das bandas mais bem sucedidas da década de 1990, com cerca de 40 milhões de discos vendidos, não era uma coisa para se deixar de lado e os irlandeses se reuniram no fim de 2009 para uma turnê mundial de reencontro. Foi essa turnê que passou por São Paulo na noite de ontem, em um Credicard Hall com ingressos esgotados.

O impacto da primeira passagem da banda pelo Brasil era notado antes mesmo de se chegar à arena, com o trânsito complicado nos arredores e na própria Marginal Pinheiros. Nem o anúncio de lotação esgotada desanimou os fãs, que se arriscavam a pagar o dobro por uma entrada na mão dos cambistas. O interior do Credicard Hall refletia esse fuzuê: casa cheia em todos os setores e muito burburinho.

Com meia hora de atraso, o Cranberries entrou em cena tocando How, do primeiro álbum, o que não deixa de ser sintomático. É claro que se esperam sucessos de uma banda planetária, mas no caso do Cranberries isso fica mais evidente porque o grupo nunca conseguiu superar o brilho dos dois primeiros discos, Everybody Else Is Doing It, So Why Can't We? (1993) e No Need to Argue (1994). Tanto que do repertório quase fixo da turnê, mais da metade é dessa época.

A sólida base de fãs no Brasil, que pagou R$ 300 para ficar na pista vip, acompanhou tudo, mesmo as músicas dos discos posteriores ¿ To the Faithful Departed , de 1996, Bury the Hatchet , de 1999, e Wake Up and Smell the Coffee , de 2001 ¿, na ponta da língua. Principal compositora do quarteto, a vocalista Dolores ORiordan percebeu de cara a acolhida ruidosa e retribuiu com muita simpatia, agradecendo muito e mandando beijos para a plateia. De cabelos curtos, como foi ficou conhecida, e camiseta rosa sem mangas, ela parece ter parado no tempo.

Uma das cantoras mais ricas da Irlanda, ORiordan já havia passado pelo país há dois anos em carreira solo e teve a mesma recepção, sem abrir mão, claro, de muitos hits do Cranberries. A mistura que dá identidade ao grupo ¿ rock, pop, música celta, punk ¿ tem um certo carisma, sinceridade e apelo juvenil quase irresistíveis, em especial nas baladas do início, como o sucesso Linger, Pretty e a belíssima Ode to My Family, um dos melhores momentos da noite.

A vocalista é a preferida dos fãs ¿ coros de Dolores, Dolores eram insistentes ¿, mas o grupo original faz toda a diferença (a banda de apoio que acompanhou ORiordan na turnê solo era patética). Outra metade criativa do Cranberries, o guitarrista Noel Hogan tece a base de tudo e o baterista Fergal Lawler mostra ao vivo que tem muito mais peso guardado nas baquetas do que o trabalho em estúdio dava a entender.

Exemplo claro é a lição de moral contra as drogas Salvation, rock rápido e urgente que deixou o Credicard Hall inteiro aos pulos e com os braços para cima. A saída para o bis não podia ser melhor e seguiu na mesma vibração: a furiosa Zombie, protesto contra o IRA que ajudou a consolidar a carreira do Cranberries. Quando voltou para o palco, o grupo foi recebido por uma chuva de balões da plateia, prova de que os fãs brasileiros são realmente organizados. Dolores prometeu voltar e Dreams, talvez seu maior sucesso, fechou o show em alta.

A banda desconversa quando fala que a reunião pode render um novo disco, e é provável que isso deva mesmo acontecer. Sem problema. Se os sucessos continuarem no setlist, a recepção vai ser sempre a mesma.

O Cranberries tem mais dois shows no Brasil pela frente: em Belo Horizonte (Chevrolet Hall, amanhã) e Porto Alegre (Pepsi on Stage, 03/02). Veja a lista de músicas do show em São Paulo:

"How"
"Animal Instinct"
"Linger"
"Ordinary Day"
"Wanted"
"You and Me"
"Dreaming My Dreams"
"When You're Gone"
"Daffodil Lament"
"I Can't Be With You"
"Pretty"
"Ode to My Family"
"Free to Decide"
"Waltzing Back"
"Switch Off the Moment"
"Salvation"
"Ridiculous Thoughts"
"Zombie"
Bis
"Empty"
"The Journey"
"Promises"
"Dreams"

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