CPM 22 se reinventa com novo disco

Banda recorre a influências de ska e punk para voltar à cena, com álbum que chega às lojas em 2011

Renan Silva, iG São Paulo |

Divulgação
O grupo CPM 22
Após expor suas percepções urbanas com o álbum “Cidade Cinza” (2007), o CPM 22 voltou aos estúdios com um pensamento unânime entre os integrantes na hora de gravar: não ser cópia de si próprio. Um exercício de se reinventar, ou um tiro no próprio pé, considerando a baixa exposição nos últimos anos e o ressurgimento na cena musical com uma levada diferente do hardcore melancólico – característica que conquistou os inúmeros fãs da banda.

O resultado se ouve no single “Vida ou Morte”, que já toca nas rádios e que está disponível para download gratuito no site oficial da banda. Um ska-punk com a presença de metais e de letra sem drama.

Com a produção de Luciano Garcia e de Fernando Sanchez (respectivamente o guitarrista e o baixista do CPM 22), o novo disco tem lançamento previsto para o inicio de 2011 e segue sem nome. As gravações aconteceram entre junho e outubro deste ano, em um clima familiar. Fernando convidou o irmão caçula, Mauricio Takara, e o mais velho, Daniel Ganjaman, ambos músicos, para o processo de criação. Phil, guitarrista do Dead Fish, também participou. Ainda sem gravadora, agora a banda negocia com alguns selos para distribuir o CD por todo o país.

O iG conversou com Luciano.

iG: Essa levada de ska em “Vida ou Morte” é algo novo no som de vocês. De onde surgiu?
Luciano Garcia: As músicas foram compostas pelo Badauí (vocalista) e por mim. E no período em que eu estava compondo, andei viajando pelo litoral, descansando. Daí um pouco desse clima do ska, de uma batida alegre. Mas não é só isso. Comecei a resgatar algumas bandas que curto, mas que há um tempo não escutava direto. O Fernando também. Na verdade, todos. Todos nós voltamos a ouvir bandas que influenciaram a gente pra caramba no começo: Mighty Mighty Bosstones, Rancid, Reel big Fish e outras. Esse ska-punk surgiu assim.

iG: E o por que esse resgate?
Luciano: Essas bandas sempre influenciaram o CPM 22. Só que nós ainda não tínhamos usado essa levada ska de modo tão presente em álbuns anteriores. utilizando metais, dando um tom jamaicano. Então, quando fomos para o estúdio, a principal ideia na cabeça de todos era: não ser cópia de si próprio. E isso foi importante. Começamos a nos divertir.

iG: Foi a primeira vez que vocês entraram em estúdio com um integrante a menos (Wally, guitarrista, deixou o CPM 22 no início da turnê do álbum “Cidade Cinza”). Como foi?
Luciano: Normal. Esse episódio ficou lá atrás. E outra, no estúdio você pode colocar quantas guitarras quiser. A diferença, que não é muita, a gente sente no palco, ao vivo. Agora, a gravação desse disco foi feita em um clima muito bom. Composição, pré-gravação. Claro, batemos cabeça, mas sempre querendo fazer algo legal.

iG: Como está sendo receptividade de “Vida ou Morte” nas rádios e com os fãs?
Luciano: Surpreendente. Até porque o momento do rock é outro. A reação de muit gente foi algo como "caramba, enfim o CPM com algo novo". E o legal foi sentir isso dos fãs. Perceber que o som novo está sendo curtido nos shows. Nas rádios também foi bacana, pois estamos em processo de negociação com uma nova gravadora, logo, ainda não temos um selo para divulgar nosso trabalho em grande escala e, mesmo assim, nosso som está rolando. E nisso a internet ajuda.

iG: Vocês surgiram numa época em que os Raimundos e o Charlie Brown Jr. estavam em alta no rock nacional, e agora estão lançando um trabalho em meio à cena do “rock colorido”. Como vocês enxergam isso?
Luciano: Eu, particularmente, não gosto de nada do que está aí. Mas cada um faz o que quiser. Não tenho nada contra. De nós, o Japinha (baterista) é o que tem um gosto mais pop. Mas respeitamos. E outra, sempre existiu espaço pro CPM 22. Temos nosso público. Não precisamos surfar essa onda para poder aparecer. Já ficamos um bom tempo expostos. Até cansamos de ver a gente um pouco na TV (risos).

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