Corinne Bailey Rae traz a soul music para os palcos brasileiros

Em entrevista ao iG, cantora inglesa fala sobre carnaval, bossa nova, a morte do marido e a semana que ficará de férias no Rio

Bia Amorim, iG Rio de Janeiro |

Divulgação
Corinne Bailey Rae está em turnê de divulgação do segundo disco batizado de "The Sea"
Considerada uma das revelações da "soul music" da década, a inglesa Corinne Bailey Rae já está com o passaporte pronto para desembarcar no Brasil. A cantora vem ao país pela primeira vez e se prepara para duas apresentações: 4 de novembro na Via Funchal, em São Paulo, e 6 de novembro na HSBC Arena, no Rio de Janeiro.

Corinne ganhou projeção internacional com lançamento do seu primeiro álbum homônimo, em 2006, que trazia as canções "Put your records on", "Like a star" e “Trouble sleeping", que logo foram alçadas às paradas de sucesso. O primeiro hit também foi bastante executado no Brasil, uma vez que fez parte da trilha sonora da novela “Páginas da Vida”. A cantora vem divulgar o seu segundo trabalho, batizado de “The Sea”, ainda não tão conhecido no Brasil.

Em seu segundo álbum, lançado em janeiro, Corinne aposta nos sentimentos e fala de amor, perdas e esperança. Muitas das canções do novo trabalho, escritas por ela, foram inspiradas no marido, o saxofonista Jason Rae, encontrado morto em março de 2008 em um quarto de hotel devido a uma suposta overdose acidental. Jason e Corinne eram casados desde 2001. Na época, a cantora chegou a dar uma parada na carreira, mas logo voltou à estrada e gravou o novo disco.

Antes de embarcar para a temporada brasileira, Corinne conversou por telefone com o iG. A cantora confirmou que depois da apresentação carioca, pretende passar uma semana de "dolce far niente" no Rio, que conhece somente através das músicas de bossa nova que costuma escutar.

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Corinne vem ao Brasil pela primeira vez e se apresenta nos palcos de São Paulo e do Rio
iG: Qual a expectativa para os shows no Brasil?
Corinne Bailey Rae: Estou ansiosa para ir tocar no Brasil, principalmente porque essa é a minha primeira vez no País. Eu sei bem que o Brasil tem uma herança musical muito rica e isso é estimulante. Realmente espero que as pessoas prestigiem a minha apresentação e se divirtam.

iG: Você conhece a formação musical brasileira?
Corinne: Claro! Eu sei do carnaval brasileiro e aprecio muito essa manifestação do País. Veja bem, os meus pais são de origem caribenha e no Caribe existem festas parecidas com o carnaval, então, tenho familiaridade com essa festa. Sabe, eu acho muito bacana as fantasias, o colorido, a harmonia do samba tocado durante os desfiles. Sinceramente gostaria de ir ao Rio de Janeiro no período do carnaval.

iG: Mas acabou que você vai passar pelo Rio a trabalho, não é?
Corinne: Vou a trabalho, mas depois da apresentação pretendo passar uma semana de folga, descansando.

iG: O que você pretende fazer no Rio?
Corinne: Gostaria de estar com pessoas que são alegres, que vivem numa cidade que tem praias bonitas. Com certeza absoluta eu vou pegar um solzinho na praia. Gosto das músicas que falam do Rio de Janeiro, sobre as suas montanhas, as praias, as pessoas...

iG: Você conhece a música brasileira?
Corinne: Tenho influência do jazz e também da bossa nova. Gosto muito de Tom Jobim e do João Gilberto. Gilberto lançou um disco em 1964 que adoro e ele tem uma música que é uma obra prima: “Corcovado”.

iG: Você já fala de bossa nova e carnaval. O Brasil não é uma realidade tão distante, não é?
Corinne: Gosto de samba. O samba é um tipo de música que tem raízes africanas e eu comparo à herança musical que eu tenho, que é caribenha. Embora eu saiba que a música caribenha tenha uma influencia européia muito forte. O samba é um ritmo de muita liberdade, de muita expressividade e que leva as pessoas a dançar. Gosto de cantar para as pessoas dançarem e se divertirem.

iG: Desde quando a música é uma realidade na sua vida?
Corinne: Desde criança. Lembro que desde pequena eu cantava em casa, na escola, na igreja. A música sempre foi uma realidade para mim.

iG: E sobre esse seu novo álbum. Você teve muito trabalho para torná-lo realidade?
Corinne: Não deu muito trabalho para torná-lo real não. Gravei em intervalos de tempos e isso tornou o processo até relativamente rápido. As gravações foram feitas ao vivo, todas as canções foram gravadas ao vivo, por isso o álbum saiu bastante rápido.

iG: Durante o processo de elaboração desse novo disco, você acabou perdendo o seu marido, Jason Rae. Em algum momento você pensou em parar, abandonar a carreira?
Corinne: Não foi fácil. É claro que teve um momento durante todo o processo que eu tive que parar, mas logo em seguida eu foquei na minha carreira e continuei na estrada. Aqui estou.

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