Com adrenalina alta, Pearl Jam faz show de tirar o fôlego em SP

Banda se apresentou pela segunda noite seguida na capital paulista nesta sexta-feira, 4

Tiago Agostini, especial para o iG São Paulo |

Em seu segundo show em São Paulo - e no Brasil - na turnê, o Pearl Jam estava com a adrenalina alta. O show desta sexta-feira (4) começou logo de cara com "Go" e "Do The Evolution", fazendo os problemas do som - que era cortado com o vento - e o engarrafamento habitual de São Paulo não serem problema. Pela energia de Eddie Vedder no palco, não havia tempo a perder.

Agência Estado
Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, em show em São Paulo no dia 4 de novembro
O Morumbi lotado demorou mais duas músicas para entoar o primeiro dos coros da noite, em "Hail, Hail". "Got Some" deixou os ânimos quentes, enquanto a dobradinha "Elderly Woman Behind The Counter in a Small Town" e "Given To Fly" serviram para deixar o estádio com clima de férias na estrada.

O Pearl Jam é pródigo em misturar os climas durante a apresentação. Com declaradas 200 músicas ensaiadas e definindo o setlist poucas horas antes de entrar no palco, é de se espantar que o grupo consiga moldar um conjunto de canções que se encadeiam de forma tão natural. Coisa de uma banda que gosta de deixar o palco molhado de suor.

O show segue e, enquanto "Wishlist" emociona em um arranjo mais intenso que o original, "Not For You" prepara o caminho para a pedrada que é "Even Flow". Primeira música do disco de estreia, "Ten", a figurar na noite, fez o estadio inteiro pular, sem excessões. Não fosse o solo hermético e longo, seria um daqueles hits que unem todo tipo de fã.

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Talvez uma das bandas mais pops do grunge, o Pearl Jam tem um pé no rock de arena, feito por eles com competência poucas vezes vistas em outras bandas nas últimas décadas. "Black" fecha a primeira parte de forma gradual: o coro cresce junto com o arranjo, até explodir no início do solo, com a plateia inteira cantando o "chururu" que acompanha o virtuosismo do guitarrista Mike McCready. Um daqueles momentos em que o tempo devia correr devagar.

Vedder então volta ao palco pedindo desculpas por falar em inglês, já que seu português é "uma m.....". O palavrão sincero atiça o público, embalado pela bonita "Just Breathe". Quando tocam "Inside Job" - que teve uma parte composta em São Paulo durante a passagem da banda em 2005 - fica claro que o Pearl Jam, assim como o R.E.M., tem o dom de, ao vivo, transformar músicas medianas em grandes canções.

Se "Olé", lançada como single no site da banda, era apenas para os iniciados, a sequência "Why Go" e "Jeremy" encerrou o primeiro bis como arrasa quarteirão. A banda deixou o palco, mas o público continuou a cantar o coro da última canção. Uma bela maneira de dar as boas vindas à parte final.

A sequência final deixou poucos segundos para o público respirar. Se "Last Kiss" e "Better Man" - com direito a citação de "I Wanna Be Your Boyfriend", dos Ramones - começaram em marcha lenta com o esperado apoio vocal da plateia, "Spin The Black Circle" mostrou que o Pearl Jam é versátil ao ponto de enfileirar baladas com músicas urgentes. Veio então "Alive", como um último suspiro de energia.

As luzes começavam a se acender quando a banda atacou uma versão do clássico do The Who "Baba O'Riley", seguida de "Yellow Ledbetter", que terminou com apenas Mike McCready no palco fazendo o riff final. Vedder agradeceu, mais de uma vez durante o show, a vibração do público em todos os shows. O Pearl Jam sabe que será bem-vindo todas as vezes que quiser voltar.

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