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Coldplay BR Viva La Vida or Death and All His Friends

Diego Fernandes |

Por Diego Fernandes

Abordar um disco do Coldplay munido de cinismo é como saltar em uma piscina e esperar não se molhar. Em Viva La Vida, o grupo convence exatamente como aquilo que milhões de fãs (e certamente sua gravadora) esperam: a maior banda do mundo, se não necessariamente a melhor. O que de certa forma é um alívio, tendo em vista que X&Y trazia bizarras alusões sonoras ao Kraftwerk, o que era mais ou menos o equivalente musical de se ouvir uma palestra em que Bill Gates declara que na verdade sempre quis ser um professor de conga ao invés de um multimilionário dono de uma das maiores corporações do mundo.

Apesar de quase todas as faixas de Viva La Vida ter um descarado potencial para single, a obra passa longe de ser perfeita ou mesmo definitiva no cânone da banda.

A produção incrivelmente grandiosa de Brian Eno, o homem que redefiniu o U2 (banda com quem o Coldplay é mais justificadamente comparado), trabalha, em diversos momentos, contra as composições do grupo. Eno preenche e comprime todos os eventuais espaços vazios nas faixas com percussão, ruídos sutis, cordas, texturas e efeitos diversos. O resultado é desorientador grande parte do tempo.

O desvairo orquestral da faixa-título (onde Chris Martin usa imagens cristãs para criar uma confusa noção de alguém que "costumava comandar o mundo", mas agora varre as ruas e pretende se tornar um revolucionário) justifica-se pelo conceito grandiloqüente. Mas utilizando tantos elementos o tempo todo, é impossível não errar a mão eventualmente: "Violet Hill", por exemplo, passaria facilmente por algo feito pelo Genesis fase Phil Collins.

Um dos melhores momentos é a climática "42", que progride de lamúrias de piano e voz para uma apoteose de guitarras e ritmos fraturados de bateria.

Liricamente, os dons algo limitados de Martin ainda apontam o grupo na direção do otimismo irrestrito ("Não quero seguir a Morte e seus amigos", canta na derradeira faixa do disco), uma mensagem que, no momento certo, pode perfurar uma espessa armadura de cinismo.

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