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Claudia Leitte BR Ao Vivo em Copacabana

Diego Fernandes |

Por Diego Fernandes

Ao Vivo em Copacabana , registro de um show apresentado frente a mais de 700 mil pessoas no Rio de Janeiro, transparece toda ambição, carisma e tino comercial da baiana Claudia Leitte, em seu primeiro lançamento após desligar-se do megasucesso Babado Novo.

Participações pouco ortodoxas parecem tentar conferir uma milhagem extra ao espetáculo - tente pensar em outro disco recente que inclua canjas tanto de Gabriel o Pensador quanto de Wando -, e a cantora apresenta uma versão mais sofisticada da sonoridade dos trios elétricos. Guitarras funky, metais afiados e alguns toques eletrônicos discretos tentam desfazer a noção de música vulgar e descerebrada associada ao gênero.

Nem tudo funciona: "Bola de Sabão" tem uma transição desastrada ("Rock'n'roll!", avisa Claudia, didaticamente) para um hardcore enfadonho cantado por Badauí (CPM 22). A inédita "No Carnaval de Salvador" é um perfeito exemplo do som de Leitte e banda: DNA axé (percussão marcando o ritmo, refrão redentor para ser berrado por milhares), com elementos mais sofisticados (como a guitarra sutil e o clima mais etéreo) resultam num momento interessante, até se dissipar num solo de guitarra hard rock medonho - uma típica armadilha de disco ao vivo onde uma banda afiada sente a necessidade de mostrar trabalho e não diminuir nunca o pique do show.

A axé music é como o hip-hop, só que ao contrário: enquanto o rap tem a reputação de funcionar apenas em disco mas nunca sobre um palco, ainda está pra ser lançado um disco que faça jus à intensidade de um show de axé, onde as pessoas se entregam de modo primal a um rito de acasalamento guiado pela música. Apesar das inovações presentes, grande parte das músicas parece-se demais entre si, se não em sonoridade, em sentimento ¿ um problema menor num show onde todos cantam e berram em uníssono, mas bastante notável em disco. O maior defeito de Ao Vivo em Copacabana é não conter suor e o contato de pele com pele - os elementos mais indispensáveis ao pop de rua baiano.

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