Choro das Três e a música instrumental na Virada

Trio de choro fala sobre a popularização do estilo na capital paulistana

Redação iG Música |

Apesar de sofrer com o rótulo de "estilo elitizado", a música instrumental paulistana tem lugar garantido na Virada Cultural 2009. Estilos como o choro, jazz, groove e ska serão contemplados pelos jovens talentos que se apresentarão no palco da Rua Conselheiro Crispiniano, que será inaugurado no sábado (02) pelo trio Choro das três.

O grupo, formado pelas irmãs Corina, Lia e Elisa, trabalha há sete anos pela divulgação daquele que é o primeiro gênero musical urbano do Brasil, e que nas últimas décadas vêm encontrando espaço em redutos específicos, muitas vezes organizados pelos próprios músicos e divulgados no famoso boca a boca.

Em entrevista ao iG Música , a flautista Corina falou sobre a importância de participar do evento deste ano, às vésperas de viajar para o estado do Ceará, onde o trio se apresentaria.

Essa é a primeira vez que vocês participam do evento? Qual é a expectativa?

É a primeira vez que participamos. No ano passado nos apresentamos na Fnac Paulista e já havíamos nos apresentado no Vale do Anhangabaú e no réveillon da Avenida Paulista de 2007, onde fizemos a abertura.

O legal desses eventos é o contato com o grande público, onde podemos levar o choro, que não é uma música da moda, e ver que as pessoas gostam.

O choro é o primeiro gênero musical urbano do Brasil. E São Paulo é nosso maior centro urbano. Como vocês veem a relação do povo paulistano com o choro?

É uma das capitais que tem um movimento de choro mais forte. Em São Paulo você pode ouvir choro todo dia se souber se informar. No bairro da Vila Madalena tem barzinhos de choro e nos finais de semana existem diversas rodas de choro organizadas por amigos que se juntam para tocar.

Acho legal porque quando a gente começou a tocar, há sete anos, praticamente não tinha ninguém da nossa idade tocando, era a gente e um monte de velhinhos. Agora existe uma procura, o choro está ganhando espaço com as pessoas jovens. Com isso a gente vê que o choro não vai morrer.

Apesar da origem popular, o choro é hoje visto como um gênero erudito. Vocês, que fazem parte de uma nova geração de músicos, lutam pela popularização do choro. Imagino que esse show seja importante para difundir não só o trabalho de vocês, como o choro em si, tendo em vista o público heterogêneo da Virada Cultural.

A gente acha super legal isso, pois temos um acesso razoavelmente mais fácil que outros grupos de choro, principalmente depois do lançamento do nosso CD [ Meu Brasil Brasileiro ], que entre outras coisas nos permitiu participar de muitos programas de TV.

Recebemos e-mails de gente que nem sabia que o choro existia. E que passou a gostar do estilo. Muitos pedem indicação de coisas do gênero. É genial! Nosso objetivo é muito mais divulgar o choro e trazê-lo de volta, do que divulgar simplesmente o nosso trabalho. E isso nos deixa felizes e serve de estímulo para que continuemos.

Você não gosta de nada que não conheça. E pra gente ser porta-voz do choro, introduzindo para um monte de gente esse estilo, é uma responsabilidade grande e ao mesmo tempo genial.

O que você pode adiantar sobre o repertório do show da Virada Cultural?

Nossos shows nunca são exatamente como o CD. Misturamos algumas músicas próprias, da Elisa, e também algumas canções que pesquisamos e acabam entrando no repertório.

Atualmente estamos numa fase muito Pixinguinha, tirando muitos arranjos dele. Uma música que o público tem gostado é "Atraente", da Chiquinha Gonzaga, com um arranjo do Pixinguinha com o Benedito Lacerda que nós ouvimos de uma gravação de rádio e que nunca foi gravado.

A gente tem muito dessa coisa de pesquisar, procurar coisas que as pessoas que não tenham acesso. É uma judiação um material tão rico ficar escondido. O jazz, nos Estados Unidos, é super valorizado e exportado para todo o mundo.

O brasileiro deveria valorizar mais o choro. Assim como o jazz, o choro influenciou 99% dos gêneros brasileiros, está muito enraizado. Desprezar isso, deixar o choro de lado, é uma judiação. Uma música tão bonita, alegre e trabalhada deveria ser mais valorizada. O que falta para isso acontecer é o acesso do público.

A apresentação de vocês é logo no início da noite. Vocês pretendem assistir a outros shows?

Eu não dei uma olhada na programação, pois estamos numa correria, vamos para o Ceará amanhã e estamos fazendo um evento atrás do outro. Mas com certeza vou ao Teatro Municipal e pretendo ver mais coisas no palco dos instrumentais.

Veja abaixo a programação do palco da Rua Conselheiro Crispiniano:

19h10 - Choro Das Três
20h50 - George Petit
22h50 - Daniel Latorre Hammond Trio
00h50 - Menage
02h30 - Macaco Bong
04h10 - Freegideira
06h00 - Charles M Trio
07h40 - Roto Roots
09h20 - Alessandro Penezzi
11h20 - Danilo Brito
13h20 - Gabriel Grossi
15h20 - Kleztory
17h20 - Ricardo Herz

Clique aqui para conferir a programação completa da Virada Cultural 2009.

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