Charles Gavin fala sobre os 300 Discos Importantes da Música Brasileira

Redação iG Música |

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Lembrando de Ary Barroso a Racionais MC, de Emilinha Borba a Tati Quebra Barraco, já está nas prateleiras o livro "300 Discos Importantes da Música Brasileira". A obra assinada pelo baterista dos Titãs Charles Gavin junto a Tárik de Souza, Carlos Calado e Arthur Dapieve ¿ três dos principais nomes do jornalismo musical brasileiro ¿ foi lançada no início deste mês e tem como objetivo percorrer toda a memória da música popular do país através de alguns de seus discos mais significativos.

O livro, impresso em formato de disco de vinil, vem como mais um projeto de resgate e preservação capitaneado por Gavin. Idealizado em 2003, ele analisa e contextualiza trabalhos que influenciaram a cultura brasileira de 1929 a 2007 com textos curtos dispostos em mais de 400 páginas. Procuramos discos que tivessem relevância artística e histórica, independente de gênero ou época, conta Gavin,

Sem a pretensão de propor uma lista definitiva, o livro deixa no ar o desejo de uma continuação. Quando terminamos a lista dos títulos selecionados, já dava imaginar que seria possível a realização de um segundo volume, diz. Mas o potencial para a sequência fica para depois já que, por enquanto, Gavin tem outra prioridade: um novo álbum dos Titãs. Devemos lançar um trabalho com composições inéditas no primeiro semestre de 2009.

"300 Discos Importantes da Música Brasileira" esta à venda com exclusividade na Livraria Cultura a R$ 230. Parte de sua renda será revertida ao Instituto Sou da Paz.

Confira a entrevista com Charles Gavin:

Como foi feita a escolha desses 300 discos?
Charles Gavin:
Procuramos discos que tivessem relevância artística e histórica, independente de gênero ou época. Cada um de nós trouxe sua lista e, depois de conferidas e acertadas as unanimidades, partimos para nossas discordâncias, que, na verdade, foram pouquíssimas.

Como esses três jornalistas (Tárik de Souza, Carlos Calado e Arthur Dapieve) entraram no projeto?
Quando tive a idéia da produção do livro anos atrás, liguei imediatamente para o Tárik de Souza, convidando-o para fazer o projeto comigo. Quando chegou o momento de começar a trabalhar, percebemos que a quantidade de trabalho estava muito além de nossa capacidade. Sabíamos que seria impossível finalizar o livro no prazo combinado com nosso patrocinador, a Petrobrás. Por isso, Tárik sugeriu a inclusão do Carlos Calado e Arthur Dapieve no projeto. Achei a idéia ótima e assim nossa equipe ficou completa.

O próprio nome do livro não coloca essa como uma lista definitiva. Existe a possibilidade de uma segunda edição com discos que ficaram de fora?
Existe sim. Quando terminamos a lista dos títulos selecionados, já dava imaginar que seria possível a realização de um segundo volume.

Entre outras escolhas difíceis, a presença de Tati Quebra Barraco é uma das que tem maior potencial para polêmica. Como ela entrou na seleção?
O disco Boladon a de Tati Quebra Barraco entrou para o livro porque representa com legitimidade um segmento importante da música brasileira que se faz hoje. Como Tárik disse no lançamento do livro em São Paulo, o funk é hoje a música de protesto da periferia carioca.

Entre os 300 discos há apenas um álbum do Titãs ( Cabeça Dinossauro ), como há apenas um álbum de outras bandas importantes do rock nacional. Como você lidou com o caso específico dos Titãs? Você influenciou na escolha de qual trabalho da banda entraria para a lista?
Cabeça Dinossauro , de 1986, é uma unanimidade em nossa discografia, inclusive entre os Titãs. Foi uma escolha fácil e acho que o texto escrito por Arthur Dapieve descreve e explica Cabeça Dinossauro muito bem.

O preço de capa do livro é R$ 230. Você não acha um pouco salgado para o bolso dos brasileiros?
Consultei várias pessoas do ramo editorial antes de fixar o preço e todos afirmaram que o valor mínimo para um livro desta configuração é isso mesmo. Sei que não é barato, mas ao comprar você está contribuindo para a campanha que localiza e investe na educação de jovens carentes na periferia da cidade de São Paulo que têm talento para trabalhar na área do entretenimento.O projeto é administrado pelo Instituto Sou da Paz. Vale à pena ou não? Outros aspectos: o livro está sendo vendido abaixo de seu preço de custo e seus autores abriram mão todos os direitos autorais.

No seu trabalho de pesquisa e resgate de episódios da música brasileira, você já tem algum novo projeto em vista?
Ainda não pensei nisso. Neste momento estou mergulhando no disco novo dos Titãs. Devemos lançar um trabalho com composições inéditas no primeiro semestre de 2009.

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