Céu representa o Brasil no festival de Coachella

Cantora leva álbum Vagorosa para show em deserto da Califórnia

Lúcio Ribeiro, de Los Angeles |

Quem diria. A "nova MPB", mais especificamente o "som de São Paulo", chega nesta semana ao paraíso indie. A cantora paulistana Céu, uma das artistas mais reluzentes da nova geração da música brasileira, é uma das atrações do primeiro dia do Coachella Music & Arts Festival, megaevento da música independente mundial, seja ela rock, eletrônico, hip hop. E agora, por que não, MPB.

Céu é um dos poucos nomes femininos a emplacar solo na programação 2010 do Coachella, festival anual que acontece num vale em meio ao deserto californiano, a algumas horas de carro de Los Angeles. Entre 140 bandas e artistas, ela divide atenção na lista com a inglesa (de cidadania francesa) Charlotte Gainsbourg, filha de Serge, e com pouquíssimas outras. Não deixa de ser verdade que o Coachella 2010 é Jay Z, Gorillaz, Thom Yorke, Devo, Pavement, LCD Soundsystem e... Céu.

Impregnada por bossa nova, soul, jazz, música negra e jamaicana, a sonoridade brasileira de Céu vai se fazer ouvida em terras estrangeiras não só no Coachella. A cantora viaja com seu segundo álbum, Vagarosa , na bagagem e inicia nesta semana, em Seattle, uma série de sete apresentações, que passa pelo festival californiano na sexta-feira e só acaba dia 25, em Nova York.

Escolada em shows no exterior, Céu falou ao iG sobre cantar no Coachella e como quer fazer "barulho" com sua MPB no festival do deserto.

Você já fez shows fora do Brasil, mas num festival como o Coachella é a primeira vez. O que você achou do convite para tocar no festival?
Toquei bastante fora, inclusive em festivais legais como no Northsea Jazz Festival,  Montreal Jazz Festival, San Francisco etc. Mas desse porte é a primeira vez. Estou muito feliz e animada com o convite!

O Coachella é eminentemente um festival de música independente, mais familiar a grupos de rock e eletrônico. Como você, uma representante da "nova MPB", se sente tocando entre os indies?
O Coachella tem mais rock mesmo, mas também abre espaço para sons como o da Charlotte Gainsbourg, por exemplo. Ou em outras edições Leonard Cohen, Gil Scott Heron e muitos ídolos. Para mim é de fato uma enorme honra representar o Brasil lá.

Como se deu o convite? Como sua música foi parar nos ouvidos dos curadores do Coachella, que a escolheram?
Eu faço muitas turnês nos EUA. Talvez alguém da curadoria tenha curtido... Honestamente não sei exatamente como a coisa rolou.

Comparando com seu disco de estreia, seu segundo álbum é mais "minimalista", "tranquilo", cheio de efeitinhos sonoros, barulhinhos, ecos, a voz mais rasgada, "vagarosa". Queria saber se isso tem a ver com o casamento [seu marido é produtor musical e faz trilhas experimentais para cinema], com o amadurecimento (musical e pessoal mesmo, agora com uma filha) ou com a turma de músicos que participaram das gravações (de Catatau a Curumin).
É mais minimalista, pois enxuguei um pouco a instrumentação soando mais orgânico, tocado mesmo, sem tantos efeitos e barulhos. É um disco bastante pessoal e portanto envolve as coisas significantes que aconteceram na minha vida sim, as que você citou, e também as horas de estrada, as prioridades, enfim.... Para cada pessoa soa de um jeito, eu gosto muito disso.

Voltando à sua carreira internacional e ao Coachella. Queria entender sua ligação com o mercado internacional, com a Apple (seu primeiro CD apareceu bem no iTunes), terminando com o Coachella. Por que a ideia de lançar um EP ("Cangote") primeiro nos EUA e só depois lançar o CD aqui no Brasil?
Eu tenho meus trabalhos lançados não só no Brasil, mas também na Europa, Estados Unidos e Canadá. Esses ocorridos foram em razão do meu selo brasileiro, Urban Jungle Records, estar fazendo um trabalho muito bem-feito, seja nas parcerias, nas casas de shows que tem a ver com meu som etc, como o fato de estarem recebendo o disco bem lá fora. O EP foi um pedido da Six Degrees, selo que licencia meus discos nos EUA, pois eu estava indo fazer uma turnê lá e eles queriam um "aperitivo" do que seria o meu segundo álbum. Os estrangeiros sempre foram muito receptivos com artistas nacionais e acho que a música que é feita aqui no Brasil, tão especial, tem muito o que mostrar em palcos do mundo.

E daqui pra frente? Seu próximo CD vai ser mais puxado ao samba, reggae ou dub (os três estilos aparecem quase que igualmente nesse segundo CD). Rock nem pensar?
Pois é. Sou muito ruim em classificação... Mas digo que acho que esses gêneros todos a que me atribuem, na minha visão de música, são muito próximos. E, sim, por que não rock? Quem sabe...

E o palco? Superou a timidez? Vai tocar algum instrumento no Coachella? O que você  espera do público de um festival como esse?
Vou fazer o show que tenho feito aqui, cantando. Os instrumentos eu deixo com a banda. Espero que a gente se divirta muito para reverberar essa alegria ao público. Que as pessoas escutem com o coração e que façamos barulho com minha música no Coachella!

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