Cavalera Conspiracy lança disco e prepara volta ao Brasil

Em entrevista o iG, Iggor Cavalera fala sobre o novo álbum e revela: saiu do Sepultura porque "estava de saco cheio"

Augusto Gomes, iG São Paulo |

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Cavalera Conspiracy
No final deste mês, Max e Iggor Cavalera lançam novo disco e se apresentam no Brasil. O álbum chama-se "Blunt Force Trauma" e é o segundo do Cavalera Conspiracy, grupo que os dois irmãos formaram há três anos, depois que Iggor deixou o Sepultura. Max já havia abandonado o grupo em 1996, e não tocava com o irmão desde então.

"Blunt Force Trauma" tem lançamento mundial marcado para o dia 29 de março. Um pouco antes, no dia 26, o Cavalera Conspiracy toca no Estádio do Morumbi, em São Paulo, abrindo o primeiro show da turnê brasileira do Iron Maiden. Será apenas o segundo show da banda dos irmãos no país - o primeiro foi em outubro do ano passado, no festival SWU.

Na entrevista abaixo, Iggor Cavalera fala sobre o novo álbum, a relação com o irmão, a vontade de tocar no Brasil, o processo de composição da banda e as diferenças da época do Sepultura. "Eu estava muito desencanado de voltar a tocar, principalmente depois de ter saído do Sepultura. Estava de saco cheio", revela.

iG: Quando "Blunt Force Trauma" ficou pronto?
Iggor Cavalera: Na verdade esse disco está pronto há uns seis ou sete meses. Foi até estranho, normalmente a gente grava e a gravadora quer lançar o mais rápido possível para não ter erro, esse risco de neguinho soltar logo na internet. Em todo caso, isso é uma coisa que foge da gente.

iG: Vocês já tinham tocado uma música do disco no SWU ( festival realizado em Itu, interior de São Paulo, em outubro do ano passado ).
Iggor Cavalera: Sim, tocamos "Warlord". Há algumas semanas nós também fizemos um show no Razzmatazz ( histórica casa de shows em Barcelona, na Espanha ), e tocamos o disco inteiro pra mídia da Europa, um pessoal do Japão, vários lugares. Agora vamos fazer esse show um pouquinho antes do álbum ser lançado com o Iron Maiden aqui no Brasil.

iG: Como foi tocar de novo com o Max no Brasil depois de tanto tempo?
Iggor Cavalera: Aquele show no SWU foi uma coisa que eu forcei um pouco a barra, porque fazia muito tempo que a gente não tocava aqui, principalmente o Max. Eu falei 'vamos fazer alguma coisa só pro meu irmão enxergar que ainda tem uma luzinha aqui no fim do túnel'.

iG: Ele tem noção da expectativa do público brasileiro de ver vocês dois juntos?
Iggor Cavalera: Eu tenho mais do que ele. A idéia dele era zero porque ele vive num outro universo, ele não vinha pro Brasil há mais de dez anos. Você perde a noção totalmente.

iG: E depois do SWU a coisa mudou?
Iggor Cavalera: Sim. Quando pintou esse convite para abrir para o Iron Maiden foi bem diferente, tanto da parte do Max quanto da parte de toda a equipe. Essa é a minha batalha, para fazer tocar aqui uma coisa totalmente normal. Quero lançar um disco e na sequência já fazer alguma coisa interessante por aqui. Não só um show, mas algumas datas.

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Iggor Cavalera
iG: Mudou algo no processo de gravação desse segundo disco?
Iggor Cavalera: Não, isso foi o mais louco. A gente fez o primeiro disco de uma forma que podia dar muito errado. O Max que mandou um monte de riffs que ele gravou com uma bateria eletrônica bem tosca. Dentro dessas demos eu achei um monte de coisas legais e falei 'eu gosto disso e disso, vamos tentar transformar em umas músicas'. Aí a gente não mexeu em mais nada.

iG: Entraram em estúdio somente com esse material?
Iggor Cavalera: É. No estúdio nós começamos a mexer e já saímos gravando tudo. Não foi como a a gente faria anos atrás, ficar trabalhando as músicas e só entrar no estúdio quando tudo estivesse meio pronto. A gente saiu fazendo e montando as músicas na hora. Esse foi o jeito que a gente fez o ‘Inflikted’ e deu super certo, então repetimos no disco novo. Ele foi feito exatamente igual ao primeiro disco.

iG: Na época do Sepultura não era assim?
Iggor Cavalera: Não, nunca. Nem o Max faz assim com o Soulfly. O Cavalera é meio exclusivo, não faz nada antes de por o pé no estúdio. A gente só troca essas demos pra ter certeza que a gente tem alguma coisa na manga para também não chegar no estúdio e ficar um olhando para a cara do outro. Tem uns riffs que a gente tem certeza que dá super certo, tem umas batidas que eu também troco com o Max e digo 'isso aqui é louco'.

iG: E como será esse show em São Paulo, abrindo para o Iron Maiden?
Iggor Cavalera: Vamos tocar muitas coisas do "Blunt Force Trauma", até porque o show será super em cima do lançamento do disco. Mas é lógico que a gente tomar cuidado para o show não ficar desinteressante, por ter um monte de coisa nova e as pessoas não conhecerem. Vai ser mesclado.

iG: Já está decidido ou será só na hora do show mesmo?
Iggor Cavalera: Eu e o Max costumamos sentar um pouquinho antes para decidir o set list. Isso deixa a equipe de cabelo em pé, eles nunca sabem o que a gente vai tocar e o Max também muda conforme eu olho pra ele e pensamos 'não é a hora dessa música, vamos mudar'. Eu também gosto disso. É uma coisa gostosa até de brincar entre a gente, de sentir como está o público e falar 'vamos tocar uma velharia agora que é a hora'.

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Max Cavalera
iG: Foi bom voltar a tocar com o Max?
Iggor Cavalera: Eu estava muito desencanado de voltar a tocar, principalmente depois de ter saído do Sepultura. Estava de saco cheio. Queria fazer coisas novas, experimentar com sonoridades novas. Aí, quando fui visitar meu irmão lá em Phoenix para reatar esse lance mais familiar, não estava pensando em nenhum momento em música.

iG: O Max teve que te convencer então?
Iggor Cavalera: Sim, o Max meio que teve que me conquistar. E essa conquista dele foi uma coisa legal, foi para fazer uma coisa nova, que era o Cavalera Conspiracy. Não foi para repetir o que a gente já tinha feito, ou tentar refazer o Sepultura. Não, foi 'vamos fazer algo novo e ver o que acontece.'

iG: O MixHell ( projeto de música eletrônica de Iggor e sua mulher, Layma Leyton ) mudou seu jeito de encarar música?
Iggor Cavalera: Sim, principalmente no primeiro disco do Cavalera Conspiracy. Eu não tinha mais aquela ansiedade de querer ser aquele baterista de rock que toca rápido e tal, para impressionar as pessoas. Quando eu vi eu estava tocando melhor ainda. Quando você está desencanado e mais solto, você acaba tocando melhor. Nisso o MixHell me ajudou bastante. Eu estava com o foda-se ligado e isso me ajudou muito.

Assista abaixo ao clipe de "Killing Inside", primeiro single do álbum "Blunt Force Trauma":

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