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Cansei de Ser Sexy BR Donkey

Diego Fernandes |

Por Diego Fernandes

O grupo paulista CSS (ou Cansei de Ser Sexy) carrega consigo a honraria de ser o nome brasileiro que melhor colocação alcançou até hoje na parada de singles da revista Billboard, termômetro do mercado musical mais influente do planeta. Ainda assim, tem um número de detratores cada vez maior em sua terra natal. E, a julgar pelas resenhas na web a analisar seu recém-lançado segundo disco, esse número cresce no exterior também. Em entrevistas, membros da banda atribuem o escárnio de seus conterrâneos a inveja. É uma explicação simples demais, e talvez algumas contorções da lógica se façam necessárias para explicar a deserção ensaiada pela crítica estrangeira que os incensou em primeiro lugar.

A verdade é que o CSS, apesar de sua origem como uma banda da cena indie nacional, é um nome mais aclamado por estilo do que por conteúdo propriamente dito. Círculos indies, no Brasil ao menos, são notoriamente afeitos a uma noção musical intelectualizada e preciosista, e o fato de serem brasileiros excêntricos, é óbvio, não funciona por aqui. Shows incendiários parecem ter sido tão ou mais decisivos para seu sucesso do que as músicas do disco de estréia ( CSS , de 2005). Diante de tudo isso, o conceito de ironia e hedonismo fashionista abraçado pelo quinteto se faz particularmente divisivo: nem todo mundo tem um corte de cabelo fractal ou sai por aí vestido como um daltônico que catou as roupas no chão de um quarto escuro em 1983. Algumas pessoas vão bancar as intransigentes, e, sabe como é, exigir música no pacote.

O grupo fez grande parte de sua fama através do licenciamento de diversos singles extraídos de CSS , e, analisado sob essa ótica, o novo trabalho apresenta melhorias em relação à estréia ¿ nominalmente, através de um acréscimo generoso de guitarras. O tom mais afeito ao rock torna a ausência do clima anárquico que parecia seu maior trunfo bastante notável quando o disco é ouvido de cabo a rabo. Exemplos: o pop a la Pixies de "Rat Is Dead (Rage)" brilha em seus três minutos de fúria, mas o fato de ser seguida da borrachenta "Let's Reggae All Night" faz com que pareça, em retrospecto, não tão brilhante assim. A porção central do disco, de "Give Up" a "Move", é bastante problemática e difícil de justificar: o mesmo andamento e os mesmos synths são empregados à exaustão, e o tédio se instala - crime capital para uma banda conhecida pelo espírito festivo. Há momentos inspirados, guardados para o fim: o tom surreal de "I Fly" e a melodia de "Air Painter" (com uma contida Lovefoxxx personificando Kim Gordon) são pontos altos num disco de mais erros que acertos.

A julgar pela sonoridade de Donkey , a banda tomou as críticas como desafio: limado foi o charme crasso de seu já mítico debut, em favor de uma polidez que não chega a fazer feio, mas que por outro lado não é o suficiente para garantir um álbum particularmente memorável.

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