Cachorro Grande faz dez anos mais psicodélico

Guitarrista Marcelo Gross fala sobre quinto álbum, Cinema

Juliana Zambelo |

Dez anos de estrada sem perder a energia, a empolgação ou o rumo é algo raro de se ver no rock. E dentro do cenário nacional, a banda gaúcha Cachorro Grande continua se garantindo, disco após disco, como uma das honrosas exceções nesse quadro.

O grupo está lançando Cinema , quinto álbum de estúdio, ao mesmo tempo em que comemora dez anos de carreira. Mais maduros e profissionais sem se acomodar e sem perder o contato direto com o público, os cinco rapazes conseguiram com este trabalho envolver com uma camada maior de psicodelia o seu rock clássico, explorando ainda mais as suas influências sessentistas e setentistas.

Cinema foi produzido por Rafael Ramos, que já havia trabalhado com a Cachorro Grande em seus dois álbuns anteriores. A banda se mostra plenamente satisfeita com o resultado. Ele sempre direciona a coisa praquilo que a banda quer e sempre vem com sugestões que acrescentam bastante à sonoridade geral do disco, conta o guitarrista Marcelo Gross, que ainda destaca o grande entrosamento da parceria: a gente chegou a uma altura em que o Rafa já conhece a maneira como cada um de nós gosta de gravar, sabe a manha de cada um.

O quinteto, que há anos considera a cidade de São Paulo a sua casa, voltou para Porto Alegre para gravar este CD. Sem nostalgias, contudo, a banda foi atraída por questões puramente técnicas: a possibilidade de gravar de forma analógica. É um dos únicos estúdios que ainda trabalham com fita e isso faz com que o som seja mais próximo ao som que a gente gosta, diz Gross.

Para o guitarrista, a força de Cinema está em sua diversidade (Tem baladas, hard rock, roquinho anos 60, folk...). E esta variedade é, em grande parte, fruto de uma maior democracia nas composições. Todo mundo da banda está compondo agora, conta.

Em toda a sua década de carreira, a Cachorro Grande ostenta uma única perda em sua formação original, que aconteceu com a saída do baixista Jerônimo Lima em 2005. Desde então, Rodolfo Krieger assumiu o posto tocando ao lado de Beto Bruno (vocal), Pedro Pelotas (teclado), Gabriel Azambuja (bateria) e Gross.

Politicamente correto

O quinteto participou recentemente do projeto MTV Procura correndo cidades brasileiras em busca de novos talentos. Entre boas descobertas e algumas roubadas, o guitarrista concluiu que falta atitude ao rock brasileiro atual. E falta não ser tão politicamente correto, não ter medo de arriscar ou medo de fazer as coisas malucas. O rock and roll é espontaneidade, é botar para fora aquilo que as outras pessoas não disseram, dizer o que pensa sem ter medo das consequências. A gente vive uma época meio bundona em relação a isso.

Após o lançamento do quarto álbum Todos os Tempos (2007), os gaúchos revelaram estar planejando o lançamento de seu primeiro trabalho ao vivo em CD e DVD. Engavetado, porém não abandonado, o projeto, garante Gross, ainda vai se realizar. Como a gente tinha várias músicas novas, optamos por gravar um disco de inéditas, que é sempre bem-vindo. Mas ao vivo a banda tem essa parada visceral, que é bem diferente dos nossos discos de estúdio. No momento certo, a gente quer registrar isso e compartilhar com os fãs.

Por enquanto, a banda segue na estrada com seu novo show. Todo fim de semana tem show, a gente tem um público fiel, comemora. Na corda bamba entre o mainstream e o underground, a banda se vê em uma situação interessante e luta para manter o equilíbrio: a gente nunca fez concessão nenhuma, a gente sempre fez o que quis e nunca teve uma exposição muito intensa na mídia, mas a gente sempre esteve por aí.

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