Bob Dylan faz no Rio primeiro show da turnê 2012

Sem diálogo com a plateia, cantor prioriza canções recentes em apresentação com ingressos de até R$ 800. iG teve acesso ao setlist

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

AE
Bob Dylan em show no Rio
Mito da música popular mundial, Bob Dylan tem tantos seguidores quanto novos curiosos atrás da boa e velha música que sempre carregou junto a seu nome. Talvez isso explique a presença maciça dos fãs que não se importaram em pagar R$ 500 (valor do ingresso mais barato) para vê-lo de perto no Citibank Hall, casa de shows da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

Na noite deste domingo (15), Dylan deu início à turnê latino-americana de 2012. O músico, que desembarcou na última sexta-feira (13) no Rio, exigiu no camarim iogurtes de morango com pedaços da fruta e 15 garrafas de champanhe Perrier-Jouët (cada garrafa pode sair por até R$ 2 mil). Não se apresentando na cidade desde 2008 (as outras vezes foram 1990, 1991 e 1998), ele manteve a fama de pouco diálogo. Ou melhor, nenhuma interação direta com o público, além dos acordes certeiros de sua música. Nem sorrisos, nem palavras. Dylan estava ali só para cantar. E já bastava.

Nem todos os três mil ingressos foram vendidos. Mas a casa ficou cheia. A pedido da produção, jornalistas e fotógrafos não foram credenciados para a cobertura. Avisos de que não seria possível fotografar ou mesmo filmar com celulares o espetáculo foram ditos já na entrada. Câmeras seriam confiscadas caso alguém desrespeitasse a norma. Marcado para as 20h, Dylan subiu ao palco nove minutos depois para cumprir uma hora e quarenta minutos de apresentação.

Show morno


Os sucessos mais conhecidos do público brasileiro, entretanto, só foram tocados no encerramento – “Like a Rolling Stone” e “All Along the Watchtower” fecharam a noite. Isso deu um tom apenas morno ao show de 16 músicas, que começou com “Leopard-Skin Pill-Box Hat”, seguida de “It ain’t me, Babe” com um arranjo de contrabaixo inveterado. E logo veio “Things have changed”, quando Dylan assume a gaita, que revisita em várias canções. Sempre acompanhado no palco pelos seus cinco músicos (tendo eles baixo, bateria, duas guitarras e o teclado), Dylan, de chapéu e paletó preto, lidera seus peões ao ritmo do country misturado ao blues (ou seria o contrário).

Entre as músicas mais longas, com mais de dez minutes de apresentação, “Levee Gonna Break”, do álbum “Modern Times” (2006). Mesmo desconhecida até por parte dos “dylanmaníacos”, a belíssima ”Knockin' On Heaven s Door”, do álbum “View from the Vault” (2000) foi bastante aplaudida. Ele então assume o teclado para a clássica “Desolation Row”. Já se passa do meio da apresentação, e só com a décima música, “Simple twist Of Fate, enfim vêm os aplausos mais contundentes dos seus seguidores.

Voz incompreensível

Aos 70 anos de idade, sendo 50 de carreira, Dylan mantém como característica de seu canto a voz rouca e, por inúmeras vezes, incompreensível. Mantendo-se quase sempre na lateral direita do palco, de cenografia simples (apenas uma cortina em tom azulado, ajudada por uma luz que se firma constante do começo ao fim), Dylan anima com “Highway 61 Revisited”. É quando parte do público se levanta para seguir os acordes de pé. Aos românticos, embalo da “Forgetful heart”, acompanhada por um solo de violino.

Chega então “Like A Rolling Stone”, sem intervalo para os aplausos. É o bis emendado no próprio setlist, para não perder tempo. As luzes se acendem de vez e, ainda por acreditarem numa possível volta do cantor ao palco, ninguém arreda pé. Dylan, obviamente, a esta altura já está no camarim – com seus morangos. “Ele não vai voltar mesmo?”, questiona um senhor ao lado do filho. “Nem precisa, pai. O cara é lenda”, se conforma o garoto. Uma jovem, no caminho da saída, comenta: “Que delícia, estou leve. Nem acredito. É show para se guardar não na memória, mas no peito”, define.

Bob Dylan tem agendadas as próximas apresentações em Brasília (17/4), Belo Horizonte (19/4), São Paulo (21 e 22/4) e em Porto Alegre (24/4). Em seguida, a turnê segue para Argentina, Chile, Costa Rica e México. Em junho, volta a se apresentar na Europa.

Valmir Moratelli
O iG teve acesso ao set list da mesa de som (PA): com o "apelido" de algumas músicas
Confira a ordem das músicas apresentadas por Bob Dylan:

Leopard-Skin Pill-Box Hat
It ain’t me, Babe
Things have changed
Tangled Up in Blue
Levee Gonna Break
Knockin' On Heaven s Door
Beyond here Lies Nothin
Desolation Row
Summer days
Simple twist Of Fate
Highway 61 Revisited
Forgetful heart
Thunder On The Mountain
Ballad of a Thin Man
Like A Rolling Stone
All Along The Watchtower

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