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Bloc Party BR Intimacy

Katia Abreu |

Acordo Ortográfico

Por Katia Abreu

Um coral seguido por riffs de guitarra que soam como sirenes e uma batida que lembra o Prodigy ou o Chemical Brothers. É assim, e com vocal quase falado, que o Bloc Party abre Intimacy , seu terceiro disco, evocando Ares, o deus romano da guerra. Um pequeno e etéreo interlúdio torna a música quase interessante, mas volta o clima clubber, de batidas fortes... Mercury mantém referencia a divindades (agora, o deus mensageiro) e o clima eletrônico, dançante.

Halo (a auréola) vem mais roqueira e rápida, lembrando um pouco a estreia da banda, Silent Alarm (2005), assim como One Month Off e Trojan Horse, que alia ao clima de dança os experimentalismos cacofônicos e a pungência de guitarras pós-punk. Better than Heaven, climática e também dançante, avança um pouco nessa linha, mais soturna e explodindo num grande caos de guitarras no final.

Intimacy também revive momentos de A Weekend in the City (2007), como em Biko, mais tranquila, com vocal suave e linha de guitarra quase monótona por boa parte da canção, até entrarem baixo e batidas quebradas, numa espécie de pós-trip hop. Ou na bonita Signs, em que a delicadeza do metalofone e teclados, mais as cordas dando alguma dramaticidade à canção, fazem tudo soar como uma caixinha de música pós-moderna.

É um pouco confuso entender o caminho que o Bloc Party escolheu percorrer por aqui. Há um pouco de tudo que já fizeram, com a eletrônica ganhando mais espaço. Se em seu segundo disco Kele Okereke usou citações do escritor Bret Easton Ellis para tecer críticas sociais, aqui está mais intimista, inspirado pelo fim de um relacionamento e referenciando escritores como William Blake e e.e. cummings (cujo poema I Carry Your Heart with Me é citado na orquestração eletrônica que encerra o disco, Ion Square).

A faixa que mais chama atenção, entretanto, é a mais esquisita: Zepherus com backing vocal de coral suave, como que gravado numa igreja medieval, ecoando sob uma batida quebrada e forte, enquanto Okereke canta a eterna guerra, sem vencedores, que é amar. Fazer bobagem, deixar de ser amado e, ainda assim, acreditar na força do amor.

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