Black Eyed Peas abre turnê brasileira com show para 25 mil

Primeiro dos nove shows da etapa brasileira da turnê The E.N.D. World Tour aconteceu no festival Ceará Music, em Fortaleza

Dellano Rios, especial para o iG Cultura |

Agência Estado
Fergie, cantora do Black Eyed Peas, durante show em Fortaleza
O caso de amor entre o Black Eyed Peas e o Brasil não é segredo para ninguém. Flerte que, inclusive, rendeu parcerias frutíferas – caso “Mas que nada”, de Jorge Ben, gravada em tom de bossa-pop com Sérgio Mendes. O Fruto mais novo dessa paixão correspondida do grupo com o país é uma turnê inusitadamente longa: nove datas, entre outubro e novembro. A etapa nacional da The E.N.D. World Tour foi aberta nesta sexta-feira (15), em Fortaleza (CE).

Divulgando seu quinto e mais recente álbum, “The E.N.D”, o Black Eyed Peas foi a principal atração da primeira noite do Ceará Music. O festival de pop rock, que acontece há 10 anos na capital cearense, recebeu um público de 25 mil pessoas, na sexta-feira. Nem o preço mais salgado, por conta da atração estrangeira, atrapalhou as vendas (na última semana, o ingresso do front stage custava R$ 440). Quem foi, não se arrependeu.

Wesley Rodrigues, 21 anos, estudante, foi ao show por insistência dos amigos. “Na verdade, esse não é meu som. Sou um cara do rock. Mas fiquei impressionado com o show, com a grandiosidade de tudo. É difícil não gostar”, disse. Fã da banda, a adolescente Adriana Guerra, 17, diz ter realizado o sonho de uma vida: “Quando eles vieram ao Brasil na última vez (2006), eu era muito novinha e meus pais não deixaram eu ir para São Paulo vez o show. Não acreditei quando foi anunciado um show em Fortaleza. O primeiro no Brasil. Não dá pra acreditar”.

Grandiosidade

De fato, o novo show é de encher os olhos. Algo ainda maior que o carisma de seus quatro integrantes. Por vezes, os cantores will.i.am, apl.de.ap e Taboo parecem mais animadores de festa. De uma grande festa: uma boate ao ar livre em que se ouve, vê e dança as duas dezenas de hits que o grupo já emplacou.

Fergie, claro, é um caso à parte, tamanha a histeria que desperta – em homens e mulheres. A loira é, de fato, uma presença marcante no palco. A surpresa é que explora bem menos seu lado sex symbol do que se poderia esperar. Apesar dos figurinos provocantes que desfila no palco, o que se vê é uma cantora limitada porém carismática. Em seu set solo, ela dispensa acompanhamentos para brilhar sozinha em “Fergalicious”, “Glamorous” e “Big girls don't cry” (de seu disco “The Ducthess”, de 2006).

Contudo, fica claro que quem domina o espetáculo é will.i.am. É o grande maestro, da entrada, com “Let's get started”, ao encerramento, com “I gotta feeling”. Mesmo quando improvisa, criando rimas e fazendo as gracinhas gringas de sempre (“Brasil!”, “Fortaleza!”, “Mulheres brasileiras são lindas!”), ele é capaz de incendiar a plateia.

O mesmo aconteceu em seu momento solo, em que ataca de DJ. Eclético, com o som que faz com seu grupo. Foi de Michael Jackson (“Don't stop 'til get enough” e “Thriller”) a Nirvana (“Smell Like Teen Spirit”), passando pelos ídolos indie Blur (“Song 2”) e Lily Allen (“Smile”) e outros canções pop batidas (“Sweet Child O'Mine”, do Guns N' Roses, e “Sweet dreams”, dos Eurythmics).

Agência Estado
Black Eyed Peas abre turnê brasileira em Fortaleza
Herdeiros

O repertório do set de DJ de will.i.am é tão óbvio quanto eficiente. E isto diz muito da música e do show do Black Eyed Peas. A megalomania do cenário, o figurino com elementos militares e de ficção científica remetem às turnês da década de 90 de Michael Jackson, influência declarada de will.i.am, que chegou a produzir o cantor pouco antes de sua morte, em canções ainda inéditas.

O Black Eyed Peas reza na cartilha de Michael, para quem a música deveria ser atraente, acessível e, inda assim, manter uma identidade. O grupo de Fergie e will.i.am conseguiu isto, ainda que muita gente tenha demorado a perceber.

Quem conferiu o show do grupo no Ceará Music deve ter se surpreendido com a quantidades de sucessos que o grupo já coleciona. A apresentação dura 2h10 e não há espaço para aquela porção de canções pouco conhecidas que os artistas adoram enfiar ouvido abaixo de seu público.

No Brasil, The E.N.D Wolrd Tour driblou a óbvia dobradinha Rio/ São Paulo e incluiu em diversas partes do país. Depois de Fortaleza, onde a etapa brasileira da turnê foi iniciada, o grupo segue Recife, onde se apresenta no domingo, no Jockey Club.

A turnê segue por Salvador (dia 19, Parque de Exposições), Brasilia (dia 22, Estacionamento do Estádio Mané Garrincha), Rio de Janeiro (dia 24, Praça da Apoteose), Belo Horizonte (27, Mega Space), Porto Alegre (dia 30, estacionamento da Fiergs) e Florianópolis (1º de novembro, Estádio Orlando Scarpelli).

O último show no Brasil acontece em São Paulo (4 de novembro, no Morumbi), depois a banda segue para a Argentina, o Chile e o Peru.

Set list 

"Let's Get It Started"

"Rock That Body"

"Meet Me Halfway"

"Don't Phunk with My Heart"

Sequência de rap freestyle de will.i.am

"Imma Be"

"My Humps"

"Hey Mama"

"Mas Que Nada"

"Missing You"

Solo de apl.de.ap

"Bebot"

"Mare"

Solo de Taboo

"La Paga"

"Rocking to the Beat"

Solo de Fergie

"Fergalicious"

"Glamorous"

"Big Girls Don't Cry"

DJ set de will.i.am

"Pump It"

"Don't Lie"

"Shut Up"

"Where Is the Love?"

"Boom Boom Pow"

"I Gotta Feeling" (com versos de “With or Without You”, do U2)

    Leia tudo sobre: Black Eyed Peas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG