Bidê ou Balde mostra o poder de um hit em festival em São Paulo

Banda prova com show enérgico que manteve a boa forma mesmo anos longe da mídia; Jukebox Festival continua neste sábado

Tiago Agostini, especial para o iG São Paulo |

Divulgação / Ananda Deckij
Carlinhos Carneiro, do Bidê ou Balde
Parecia 2001 de novo. Foi logo na terceira música do set, com o relógio avançando as quatro da manhã, que Carlinhos Carneiro proferiu o primeiro verso e o Bidê ou Balde fez ressoar pelo Estúdio Emme “Melissa”, música do álbum de estreia dos gaúchos, “Se Sexo É o Que Importa, Só o Rock é Sobre o Amor”. Com a letra inocente e sincera apoiada em arranjo e melodias de pop perfeito, durante três minutos a canção foi responsável pelos pulos ritmados da platéia – sem distinção de geração - que, mesmo com o avançado da hora, ainda mantinha o local cheio. Nunca subestime o poder de um hit.

Bairrismo à parte, coube à também gaúcha Apanhador Só fazer o outro grande show da primeira noite do Jukebox Festival, na sexta-feira (01). Com som redondo e perfeito, os quatro mostraram estar afiados após mais de um ano de turnê do disco homônimo de estreia. Em um show roqueiro, eles não economizaram em distorção, tudo levado pelo ótimo baterista Martin Estevez. Não espanta que o público que já tomava o Estúdio Emme cantasse inteiras músicas como “Nescafé” e “Um Rei e o Zé”, provando que a banda é um dos nomes interessantes a surgir nos últimos anos no cenário nacional em questão de potencial comercial. A cada novo show do Apanhador o público parece aumentar. Eles merecem.

Depois foi a vez do Garotas Suecas subir ao palco. A proposta sonora do sexteto paulistano é interessante – há jovem guarda, a malandragem de Wilson Simonal e soul no caldeirão -, mas poucas vezes consegue virar realidade em cima do palco. A sonoridade é muito soft, reverente demais aos ídolos dos anos 60 e 70. Falta à banda um pouco de ousadia para colocar sua própria cara, seja em timbres ou em melodias, em suas canções.

Quem fez um show aquém de suas possibilidades foi o Holger. A banda paulistana tem apostado cada vez mais no aspecto interativo de seu show, característica marcante desde os tempos do primeiro EP em que ainda não haviam caído de cabeça na onda axé. O problema é que o conceito parece ter se sobreposto à música. Ao chamar duas vezes a plateia para dançar no palco e contar piadas internas entre todas as músicas, o Holger transforma o show em uma pequena festa apenas entre seus fãs e amigos. Nem sempre, porém, o show é na sua casa.

Quando se foca apenas na música, apoiada em uma base percursiva sem pares no cenário nacional, a banda mostra sua competência, principalmente quando injeta identidade própria no ótimo cover de “Hey”, do Pixies”, e no hit “Let’Em Shine Below”, sua música mais empolgante. Se conseguirem dosar o excesso de momentos interativos, o Holger pode voltar a ter um dos melhores shows do Brasil como há anos atrás.

E então o Bidê ou Balde subiu ao palco e provou que muitas vezes não é preciso mais do que um punhado de riffs ganchudos, melodias doces e bateria reta e intensa para incendiar um show. Claro, tudo isso somado a Carlinhos Carneiro, um dos frontmans mais carismáticos do rock nacional. O Bidê ou Balde provou que manteve a boa forma mesmo longe da mídia nos últimos anos, ainda que algumas músicas novas não tenham o mesmo punch de outrora – exceção a “Me Deixa Desafinar”, que abre o show. Cantando versos diretos como “se tu quiser que eu te leve eu aprendo a dirigir”, “é preciso das vazão aos sentimentos” e “é sempre amor mesmo que mude”, a banda mostra como o bom rock adolescente pode deixar sorrisos mesmo no rosto de quarentões.

O Jukebox Festival continua neste sábado no Estúdio Emme, com apresentações de André Paste, Killer On The Dancefloor, Zemaria, The Twelves e Boss In Drama. Os ingressos custam R$ 35 e podem ser comprados na bilheteria do local ou pelo site Compre Ingressos .

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