Bela Lugosi está morto em show de Peter Murphy

Cantor privilegia covers e músicas de sua carreira solo e deixa Bauhaus de lado em show em São Paulo

Carlos Augusto Gomes |

Bela Lugosi is dead. Em português, Bela Lugosi está morto. Com essa frase, Peter Murphy encerrou o show deste sábado (14) em São Paulo. Com a frase, que fique bem claro, porque a música Bela Lugosi Is Dead não apareceu durante o show. Ou melhor, apareceu pouquíssimo, já que um rápido trecho foi cantado no meio da apresentação.

Foi pouco. Trata-se, afinal, do maior sucesso do Bauhaus, banda formada no final dos anos 1970 que tinha Murphy nos vocais. Foi também a canção que deu origem ao rock gótico, gênero que deu ao cantor e seu grupo um lugar na história da música. E, sem dúvida, era a música que a maior parte dos fãs presentes no Via Funchal mais queria ouvir.

Tudo bem: Bela Lugosi Is Dead foi lançada há trinta anos, e é mais que compreensível que Murphy não aguente mais cantá-la. Mas convenhamos: a turnê leva o nome de Peter Murphy Retrospective Tour 2009. O mínimo que se espera de algo com esse título é que a obra mais importante de sua carreira não seja esquecida. Ou então é melhor não chamar de retrospectiva.

Murphy, no entanto, pareceu mais interessado em interpretar músicas de sua carreira solo do que do Bauhaus. Ao encerrar a performance dizendo que Bela Lugosi está morto, o que ele realmente disse foi que a própria Bela Lugosi Is Dead já morreu. Ou que, pelo menos, não tem mais importância para ele. Resta saber se a opinião do público é a mesma.

O cantor subiu ao palco pouco depois das 22h. Surgiu debaixo de luzes baixas e piscantes, andando rapidamente de um lado para o outro, deixando que sua figura esguia fosse percebida aos poucos. Abriu a noite com Burning from the Inside, do Bauhaus, e de cara mostrou que a voz, assim como a presença de palco, não perdeu nada com o passar do anos.

O Via Funchal, casa com capacidade para seis mil pessoas, estava com menos de metade de sua lotação tomada. A maior parte do público estava na casa dos trinta anos, e muitos ostentavam com orgulho seus indefectíveis sobretudos góticos. Por sorte, o frio de São Paulo e a pequena lotação da casa tornaram seu uso mais suportável.

O grande momento da primeira metade do show foi sua versão de Hurt, do Nine Inch Nails. Murphy cantou pendurado numa escada no fundo do palco, com apenas uma guitarra para acompanhá-lo. Ali, mostrou porque é considerado um dos grandes performers da história do rock: dramático, envolvente, hipnótico. E com uma voz impressionante.

Outro dos pontos altos também foi uma cover. Dessa vez de Transmission, do Joy Division, banda um pouco anterior ao Bauhaus, mas de estilo e estética semelhantes. Murphy chegou a imitar o gestual de Ian Curtis, falecido vocalista do Joy Division, e se saiu muito bem. A terceira cover da noite, Lust for Life (Iggy Pop e David Bowie), infelizmente foi mais morna.

O repertório do Bauhaus rendeu outro ponto alto do show, a grande She's in Parties. De sua carreira solo, os destaques foram Strange Kind of Love e Cuts You Up, ambas do álbum Deep , de 1990. À medida que o show seguiu, Murphy foi ficando mais descontraído. Cantou bem próximo do público, aceitou presentes, distribuiu pétalas de rosa e sorrisos.

Também prometeu voltar em breve ao país, com a turnê de seu novo álbum. Quem sabe dessa vez ele será mais generoso com Bela Lugosi's Dead.

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