Beirut ao vivo: solidão e tristeza com vigor exótico

Banda toca no Brooklyn com ingressos esgotados

Jon Pareles, The New York Times |

Viajantes inveterados sempre acabam encontrando algo de seu interesse, não importa aonde vão. A banda Beirut, liderada pelo compositor de 22 anos Zach Condon, encontra inspiração em diferentes estilos internacionais, viajando entre sons de tubas, instrumentos de sopro e acordeons. Apesar de fazer sucesso no circuito indie-rock, o som do Beirut tem muito pouco em comum com os ritmos típicos do rock.

Com ingressos esgotados, a banda se apresentou na BAM - Brooklyn Academy of Music, em Nova York. O repertório do show foi praticamente acústico, incluindo instrumentos como acordeom, trompete, trombone, violino e percussão. Condon se alternava tocando flugelhorn e ukulele. O Beirut raramente usa o compasso padrão do rock: a banda geralmente traz a batida da caixa clara e o som surdo do bumbo - presente nas valsas, tangos, polkas e danças balcânicas.

Parte do show de sexta-feira contou com o acompanhamento das três dúzias de músicos da Vassar Orkestar ¿ com cordas, palhetas e trompas, com arranjos de Kelly Pratt, trompetista do Beirut ¿ que adicionaram elegantes toques de pizzicato à musica e deram mais vigor ao som da tuba. Condon chamou a plateia que estava fora dos assentos da casa de espetáculos para invadir o palco, como se a Brooklyn Academy of Music não passasse de uma casa noturna um pouco maior.

Nos álbuns da banda, Condon se deixa mergulhar em sons exóticos: ritmos ciganos, música dos Bálcãs, canções francesas, valsas de cabaré e até mesmo marchinhas mexicanas de funerais, presentes no novo álbum March of the Zapotec. Ele sustenta um murmúrio barítono ao cantar, como Morrissey, diminuindo a dor da melancolia. Diversas vezes ele repete um verso ou dois como se os arranjos se rearmassem ao seu redor junto com as harmonias vocais, flauteando acordes de acordeom, coros de instrumentos de sopro ou trompetes mariachi. São sons híbridos, que nada têm em comum com a autenticidade local, mas têm tudo a ver com o clima das diferentes regiões.

As fontes musicais de Condon combinam bem com ocasiões sociais e boemia movida a cerveja. Mas, em suas canções, elas são acompanhadas de histórias de romances rompidos e paraísos desvanecidos, de saudosas memórias e tristezas inevitáveis. A separação de você é uma longa queda, canta Condon. Sua música convida o ouvinte a se deixar levar pelo desafeto e pela solidão.

A apresentação da banda na Brooklyn Academy of Music fez parte de uma temporada de shows realizada pela casa com músicos locais, evento chamado Sounds Like Brooklyn, que terá continuidade com a banda Clap Your Hands Say Yeah. A noite de sexta-feira contou também com a presença da virtuose das guitarras Kaki King, que se alternou entre as guitarras havaiana, elétrica e acústica, acompanhada por Matt Hankle na percussão. Sem qualquer ostentação, King usou diferentes técnicas, algumas convencionais e outras nem tanto, como o two-handed string tapping ¿ técnica que permite que o guitarrista produza as notas percutindo nas cordas com as duas mãos.

Com composições construídas com riffs e padrões breves, incluindo desde as dissonâncias do hard-rock como a batida folk, King juntou improvisações curtas a cada repetição. A técnica foi um detalhe quase que secundário no show; o mais importante foi a evidente tensão latente de sua música.

    Leia tudo sobre: beirut

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG