BR Modern Guilt - Música - iG" /

Beck BR Modern Guilt

Katia Abreu |

Por Katia Abreu

Quando mais novo, Beck pediu para que o matassem, pois era um perdedor, no hit Loser, de seu caleidoscópio psicodélico de estréia, Mellow Gold (1994). No clássico Odelay (1996), se firmou como alquimista de ritmos, misturando folk, funk, soul, hip hop, rock, psicodelia. Lançou bases para o tão em voga pop global, levando o tropicalismo e a bossa nova brasileiros para Mutations (1998). E escreveu que era uma causa perdida e dedicou todo um álbum, Sea Changes (2002), à melancolia e desilusão do fim de um relacionamento.

Beck é uma espécie de bastião de criatividade na música pop moderna. E é também observador atento de seu tempo e suas mudanças, que se transformam em poesia urbana, com quês surrealistas, em suas canções. Modern Guilt, faixa que dá nome ao novo álbum de Beck, um rock com batidas pesadas marcando um clima de faroeste pós-moderno, embala o passeio da voz rouca do cronista por uma cidade na qual as pessoas conversam sobre coisas impossíveis e ele comenta que a culpa moderna está nossas mãos e que não vai deixá-lo na cama e completa, Não sei o que fiz / Mas sinto medo. Na climática Chemtrails, se pergunta para onde as pessoas estão indo e lamenta tudo o que posso pegar deste céu / é fumaça / e tudo que posso ver nesta luz / é um barco afundando.

A produção de Danger Mouse (metade do Gnarls Barkley e responsável pelo polêmico The Grey Album , em que misturou músicas dos Beatles e de Jay-Z) constrói, com doses de rocknroll e folk de aromas tradicionais fundida a grooves e beats eletrônicos modernos, uma base sólida para esse ambiente de incerteza, a culpa moderna, sem motivo ou solução aparente, que perturba Beck, aos 40 anos e lançando seu décimo álbum.

A reunião dos dois funciona bem, unindo duas personalidades musicais dadas à experimentações pós-modernas. Gamma Ray, melhor faixa do disco, lembra os poderosos hits do Gnarls Barkley, e no refrão fala sobre sermos refugiados de casas incendiadas e uma onda de calor chamando por nossos nomes. Em Youthless, a melancolia da letra vem acompanhada de funk eletrônico com vocais meio robóticos. Walls traz nuances orientais para a dança, enquanto ele pergunta: hey, o que você vai fazer quando essas paredes começarem a cair? Começarem a cair em você?.

O mundo, para Beck, está em em fase de demolição. E o homem perdido, cheio de perguntas sem respostas, tentando decidir pra onde ir. Beck compartilha aqui dúvidas que todos temos e cujas respostas são reveladas por oradores profanos, que, como ele, cantam sua própria ignorância diante disso tudo, em belos discos. Beck sintetiza o espírito do disco, na melancólica faixa que o encerra, Volcano: Não sei se estou são / mas há um fantasma no meu coração / tentando enxergar na escuridão / Estou cansado de pessoas / que apenas tentam ser agradáveis / Mas eu continuo / querendo agradar você.

    Leia tudo sobre: beck

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG