Baú de Jimi Hendrix continua rendendo lançamentos

Valleys of Neptune é o novo disco do guitarrista

Augusto Gomes, iG São Paulo |

O baú de Jimi Hendrix, um dos mais produtivos da música pop, rendeu novos frutos essa semana com o lançamento de Valleys of Neptune , mais um álbum póstumo do guitarrista morto em 1970. As gravações aconteceram em 1969, após o lançamento do disco duplo Electric Ladyland . Elas misturam versões diferentes de músicas já lançadas anteriormente, como "Fire" e "Stone Free", regravações de outros artistas (caso de "Sunshine of Your Love", maior sucesso do Cream) e até algumas poucas composições inéditas, como a faixa título, "Valleys of Neptune".

Será que o mundo precisa de mais um disco de Jimi Hendrix? O músico que revolucionou a forma de tocar guitarra morreu com apenas 27 anos, e nesse período lançou apenas três discos. Todos eles - Are You Experienced? e Axis: Bold as Love , de 1967, e Electric Ladyland , de 1968 - são obras-primas incontestáveis. O problema está nos trabalhos póstumos de Hendrix lançados desde 1970. Gravações ao vivo, versões alternativas, ensaios em estúdio, praticamente tudo que o guitarrista gravou foi empacotado em dezenas de "novos" álbuns.

É um negócio lucrativo para os herdeiros de Hendrix. Segundo levantamento feito pela revista Forbes no ano passado, ele foi o décimo primeiro artista morto que mais faturou entre outubro de 2008 e outubro de 2009, com um lucro estimado em oito milhões de dólares. À frente dele, estavam outros nomes da música, como John Lennon (US$ 15 milhões), Elvis Presley (US$ 55 milhões) e Michael Jackson (US$ 90 milhões). O dinheiro veio dos direitos autorais das músicas (incluindo aí, é claro, os lançamentos póstumos) e também licenciamento de imagem para produtos e publicidade.

No Brasil, não há números sobre o tamanho desse mercado. Mas não faltam lançamentos do gênero. Um dos mais recentes foi a música "Gospel", que Raul Seixas (1945-1989) gravou em 1974 mas só viu a luz do dia no ano passado, quando entrou na coletânea 20 Anos sem Raul Seixas . Há ainda a série de discos póstumos de Renato Russo (1960-1996) - o último deles, O Trovador Solitário (2008), exumou fitas caseiras que o cantor gravou em 1982. Cazuza também teve uma série de gravações quase caseiras reunidas no disco Por Aí (1991), lançado apenas um ano após sua morte.

No caso de Hendrix, Valleys of Neptune é apenas o mais novo capítulo de uma novela que deve continuar por um bom tempo, já que os herdeiros de Hendrix já afirmaram que possuem material inédito para novos lançamentos. A boa notícia é que, no meio da infindade de discos póstumos do músico, ele é um dos melhores. Se não chega aos pés dos três álbuns que ele lançou em vida, pelo menos tem boa qualidade de som e uma certa unidade estilística. Mas dizer que este é o quarto álbum perdido de Hendrix é um exagero - até porque ele não tinha planos de lançar este material em disco.

Com exceção de "Mr. Bad Luck", de 1967, todas as faixas foram gravadas entre fevereiro e setembro de 1969, em estúdios em Londres e Nova York. Entre as músicas inéditas, estão a espacial "Valleys of Neptune" e a lenta "Ships Passing Through the Night", última gravação do baixista Noel Redding com Hendrix (ele seria substituído por Billy Cox logo em seguida). A rigor, são as únicas canções realmente inéditas do disco. As demais são versões diferentes de músicas já conhecidas. Em alguns casos, bem diferentes - caso de "Lullaby for the Summer", que depois viraria "Ezy Rider".

É, portanto, um disco com qualidades, e que deve fazer a alegria de fãs e colecionadores. Mas somente deles. Para o consumidor que não se encaixa em nenhuma dessas categorias, o álbum é apenas uma curiosidade. Melhor mesmo investir nos clássicos Are You Experienced? , Axis: Bold as Love e Electric Ladyland . Esses, sim, são imprescindíveis.

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