Bandas indies têm sucesso em selos grandes

Anos depois de invadir o mainstream, indie rock ainda é relevante

The New York Times |

O rock indie não é uma moda passageira. Anos depois de invadir o mainstream com hits de rádio e lançamentos de grandes selos, o indie rock (que enfatiza a paixão musical individual em detrimento da viabilidade comercial) ainda é tão relevante como nunca.

Pergunte para Ben Gibbard e seus amigos de banda do Death Cab for Cutie. Letras reflexivas e óculos de armação preta ainda prevalecem, mesmo com muitos tendo previsto o fim da paixão das massas pelo indie rock anos atrás.

O começo dos anos 2000 foi uma época estranha para os fãs de rock indie, que viram seus heróis entrar no mainstream em 2003 (Yeah Yeah Yeahs), 2004 (Modest Mouse) e 2005 (Death Cab). Outrora participantes de pequenos clubes de rock e galpões, eles se expandiram para públicos maiores, e enquanto algumas bandas não tenham durado nesse nível, outras ainda estão vendendo álbuns e ingressos.

Uma dessas bandas de fato prosperou criativa e financeiramente, independente de pressões externas, expectativa dos grandes selos e fãs volúveis. E apesar de Death Cab for Cutie estar na onda do excelente Narrow Stairs do ano passado, seus integrantes ainda temem pelo pior às vezes.

Meu maior medo era que (a Atlantic Records) iria interferir e nos prensar em um canto em que teríamos que começar a escrever músicas e fazer shows que fariam com que nos sentíssemos falsos às pessoas que têm ouvido nosso som por 10 ou 11 anos, disse Nick Harmer, baixista da banda. Queria manter nossa guarda elevada, mas eles nunca fizeram isso com a gente. Nunca nos encontramos nesse tipo de situação.

Mas no dia em que alguém de terno aparecer no estúdio e nos disser que temos que ter mais refrões nas nossas músicas, eu não sei... Felizmente, nunca fizeram isso.

A sobrevivência da música independente em um grande selo é mais uma ciência do que uma forma de arte. Histórias anteriores de sucesso do Built to Spill e do Flaming Lips têm muito em comum com os formandos mais recentes. O lançamento de Narrow Stairs foi como um longo e gratificante exalar para Harmer.

Durante a época de Plans , a estreia em um grande selo do Death Cab em 2005, ficamos nervosos por conta do perfil da banda e a mudança da percepção pública, admitiu Harmer. Mas uma vez que passamos pelo ciclo de Plans e continuamos a nos amar e a amar fazer música ¿ notando que ainda éramos fundamentalmente a mesma banda que éramos no começo ¿ foi reconfortante, e ampliou a nossa confiança.

Karen O, vocalista do Yeah Yeah Yeahs, faz experiências respiratórias

Quando pensamos em grandes bandas de rock indie que conquistaram espaços maiores nos selos importantes, olhamos para Death Cab, Yeah Yeah Yeahs e Modest Mouse ¿ nessa ordem. E aí vai o porquê.

1. Death Cab for Cutie. Se ainda não fez isso, esqueça The O.C., a série que deu ao Death Cab o gás necessário para uma colocação musical favorável. A banda evoluiu para além desse ponto de referência.

O disco Plans , de 2005, foi uma estreia adorável entre os grandes, mas o trabalho mais recente da banda de Seattle, Narrow Stairs , é o lar certo para as melhores canções que eles já conceberam. Depois de cinco álbuns em dez anos, o sexto do Death Cab é algo que entretém sempre com charme, exala sensibilidade indie e prende de modo inegável.

Claro, os fãs ainda amam essa banda. A personalidade mais séria que definiu o Something About Airplanes de 1998 ainda está intacta. Gibbard continua escrevendo músicas no piano e no violão, cantando sobre desilusão, tristeza e amor. Chris Walla ainda é o guitarrista principal e empresta às gravações sua produção cuidadosa. E Harmer e o baterista Jason McGerr oferecem o ritmo firme que os fãs se acostumaram a esperar.

Isso não quer dizer que o Death Cab soa como a mesma banda de dez anos atrás. A evolução é óbvia. As canções estão mais completas, cheias. A visão é maior. O produto geral é mais coerente.

E a banda segue ganhando fãs com sua abordagem direta e leve ao rock n roll ¿ e nos grandes, esse é um componente bem importante.

2. Yeah Yeah Yeahs. Ainda adoramos as músicas desajeitas e artísticas do trio de Nova Iorque. Mas a maioria das canções que amamos data de alguns anos atrás.

O Its Blitz deste ano ¿ o terceiro disco da banda pela Interscope ¿ concentra o melhor no início. A primeira faixa, Zero, é um regresso melódico fácil de gostar, e a segunda, Heads Will Roll, é uma óbvia favorita de rádios e clubes. Mas depois dessas duas, é difícil achar algo para curtir ¿ especialmente depois de escutar algumas vezes.

O Yeah Yeah Yeahs vai melhor quando a cantora Karen O faz experiências respiratórias/inflamáveis/sedutoras com seu amplo alcance vocal enquanto os instrumentos se chocam por baixo de seus lamentos. E enquanto a banda não tem tido medo de experimentar, a qualidade tem caído desde que Fever to Tell , de 2003, vendeu mais de 500 mil cópias com a força do single Maps.

Maps encontrou vida nova no jogo Rock Band, mas os fãs se viram coçando a cabeça quando o Yeah Yeah Yeahs fez uma restrição em sua cidade natal no Saturday Night Live na temporada passada. Em vez de tocar duas faixas novas do Its Blitz , a banda tocou uma música nova e usou o outro espaço para Maps ¿ canção que já tinha mais de seis anos.

3. Modest Mouse. Muitos marcos ¿ desde músicas de sucesso de verão a ter a companhia do lendário guitarrista dos Smiths, Johnny Marr ¿ mantiveram o Modest Mouse em circulação e relevante durante os anos. Dessa coleção de roqueiros indie, o Mouse é na verdade o veterano dos grandes selos, com três álbuns pela Epic Records e outro, No Ones First and Youre Next , esperado para o mês que vem.

Dito isso, suas composições complexas de rock ficaram obsoletas. Float On ¿ o single que abriu a porteira em 2004 ¿ era uma canção anômala e carismática que simples e graciosamente arrancava melodia da substância. A onda dessa música esteve onipresente durante um ano inteiro, atuando como a trilha sonora de churrascos e festas de piscina, viagens e sessões de estudo.

Mas a maior parte da música do Modest Mouse enfoca a peculiar interação de instrumentos e vocais. As canções da banda exigem ser escutadas múltiplas vezes, e se isso pode oferecer texturas ricas, também produz mais fracassos do que hits.

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