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Cultura
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Banda Seychelles fala sobre novo disco, opressões e bizarrices de São Paulo

Juliana Zambelo |

O Seychelles vive em São Paulo e todo dia assassina a razão. É com a sobrevivência na maior metrópole brasileira como sentimento onipresente que essa banda paulistana chega a seu segundo álbum conquistando espaço e atenção a que tem direito.

A banda é formada por Gustavo Garde (voz), Fernando Coelho (guitarra), Renato mCortez (baixo) e Paulo Chapolin Rocha (bateria). Nananenem, seu segundo álbum cheio, foi lançado pela internet para download gratuito em parceria com o selo virtual Mondo77.FM e em formato físico. Clique aqui para baixar e ouvir.

Transpira neste disco uma lembrança do rock paulistano dos anos 80, tateando a mesma angústia e a mesma densidade. Sob a sombra do rótulo de banda difícil, o Seychelles tempera sua música com elementos eletrônicos, piano e metais e letras com pretensões literárias pontuadas por sensações de opressão e um certo desgosto generalizado.

O baterista Paulo Chapolin falou com o iG Música sobre esse novo trabalho.

Como foi a gravação do álbum Nananenen? Ele retratou bem o que é o Seychelles?
Paulo: Diferentemente do primeiro disco, nesse tivemos menos tempo para compor as músicas. Esse processo refletiu um pouco na decisão dos arranjos, já que em vários momentos decidimos os arranjos durante as gravações, mas por outro lado trouxe um bom frescor. As músicas ficaram mais objetivas, e o repertório, apesar de bastante eclético, refletiu bem a fase em que o Seychelles vive.

O álbum remete ao rock paulista dos anos 80. Há influência direta daquelas bandas no som ou vocês sentem alguma ligação com elas?
Não digo que exista uma influência direta.  Acho sim que existe um sentimento similar, apesar de estar em uma época diferente. Queremos mostrar algo diferente do que tem aparecido por aí, nos esforçamos para não sermos "mais um" e creio que eles também pensaram assim. No Seychelles temos todos vinte e muitos ou trinta e poucos anos e ouvimos muito som dos anos 80, mas também ouvimos muito grunge.

Quem é responsável pelas letras deste álbum? Quais as referências na hora de escrever as letras?
O principal letrista é o Gustavo Garde, nosso vocalista, mas o Coelho (guitarrista) também escreve algumas. Eu e o Renato (baixista) damos palpite quanto aos assuntos, divisões métricas e sugestões de frases. Mas as referências e as influências são sempre o dia-a-dia de São Paulo, com suas opressões, bizarrices e sua poesia concreta. Claro que o humor, para quem vive em São Paulo, é uma válvula de escape, e tentamos usar isso de uma forma discreta e elegante, às vezes incômoda.

Vocês têm uma formação clássica de rock (voz-baixo-guitarra-bateria), mas fogem disso em muitas canções. Como vocês dosaram a produção no estúdio?
Com a experiência do EP e do primeiro disco, onde abusamos de coisas eletrônicas, arranjos épicos e muitos instrumentos, nesse disco nós nos preocupamos em fazer as músicas soarem bem. Em algumas músicas utilizamos novamente timbres eletrônicos, instrumentos de percussão e de sopro e, em outras, a formação clássica, sempre tentando não exagerar. Já ao vivo a coisa é mais rock mesmo.

O disco foi disponibilizado para download, mas vocês também capricharam na embalagem e na arte do disco físico. Por que esse capricho?
Sempre nos preocupamos muito com isso. Já que o mp3 está aí, vamos tentar fazer algo especial para quem comprar o disco. Além disso, eu acredito que um encarte e uma capa bem feita chama a atenção dos jornalistas que recebem muitos discos por dia.

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