Banda de rock de brasileiros faz sucesso nos EUA cantando em inglês

Paulistanos da Cruz vivem sonho com a perspectiva de estourar nas rádios norte-americanas com “sotaque da Flórida”. Assista aos vídeos

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

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Formada por cinco paulistanos, a banda Cruz está radicada há três anos em Los Angeles
Imagine que você tenha uma banda de rock com amigos. Um belo dia, um consagrado produtor musical norte-americano ouve o som de vocês, curte e decide apostar no projeto. Essa situação é o sonho de diversos músicos brasileiros que buscam um lugar ao sol, certo? Pois foi exatamente isso o que aconteceu com a Cruz.

Composta por cinco paulistanos, a banda está radicada há três anos em Los Angeles, na Califórnia, e, enquanto se prepara para ser oficialmente lançada nos Estados Unidos, realiza neste mês uma miniturnê pelo Brasil.

Com Enrico Minelli no vocal, Filipe Pampuri e Rafael Kumelys nas guitarras, José Orlando no baixo e Daniel Pampuri na bateria, o grupo tem como padrinho o produtor norte-americano Jay Baumgardner, conhecido por já ter trabalhado com grandes nomes como Papa Roach , No Doubt , Linkin Park , Evanescence e Godsmack .

O encontro com Baumgardner não aconteceu por acaso, mas o convite para assinar um contrato com o selo musical recém-criado pelo produtor foi inesperado. Era o ano de 2008. O grupo havia gravado um CD demo todo em inglês em São Paulo e, em busca de aprimorar o som, embarcou para os Estados Unidos com dinheiro emprestado por familiares para masterizar e mixar o projeto.

O estúdio escolhido foi o de Baumgardner, o NRG Recording Studios, um dos mais conceituados da terra do Tio Sam. Durante o trabalho, o som acabou chamando a atenção do produtor e a mixagem do CD, que seria feita por ele em dez dias, levou um mês para ficar pronta.

“O Jay é muito detalhista. O tempo foi passando e quando demos conta já tinham se passado 30 dias. Foi aí que percebemos que ele tinha gostado do nosso som e que estava fazendo um trabalho para ficar o melhor possível”, relembra o guitarrista Filipe Pampuri. “Elogiávamos os CDs que o Jay havia mixado para outras bandas e ele dizia que o nosso ficaria dez vezes melhor”.

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As músicas da banda Cruz são em inglês e os americanos acham que os integrantes são da Flórida
Convite irrecusável

Trabalho encerrado, passagens compradas, era hora de retornar ao Brasil. Foi aí que Baumgardner fez a proposta aos integrantes da banda. “Fomos até os Estados Unidos para ficar com um som profissional. Não tínhamos ambição de nada até então. Como ele gostou do nosso trabalho, perguntou se aceitaríamos ficar por lá e fazer um disco. Topamos na hora”, conta o vocalista Enrico Minelli.

Os músicos rasgaram os bilhetes aéreos para o Brasil e, de maneira improvisada, acabaram dormindo em carros e nas casas de integrantes de outras bandas que também gravavam no NRG, dos quais ficaram amigos.

“Não podíamos voltar para casa e deixar a coisa esfriar. Como o dinheiro inicial havia acabado, pegamos grana de onde dava. Eu e meu irmão vendemos guitarras e outros equipamentos que tínhamos em um estúdio em São Paulo. O Rafael vendeu o carro. Juntamos tudo”, recorda Pampuri.

Já estabelecidos nos Estados Unidos, Baumgardner só fez um pedido: que alterassem o nome da banda, inicialmente chamada de Montecristo. “Esse é o nome de um lanche nos EUA parecido com misto quente e havia uma banda de salsa em San Diego que também se chamava assim. Aí não dava”, diz Minelli, rindo.

Assista ao clipe da música "Sin City":

Inglês com sotaque da Flórida

Mesmo com a forte influência do pós-grunge, os integrantes preferem definir o som da Cruz como um “rock’n roll sem adjacências”. Entre as preferências dos músicos estão Pearl Jam , Nirvana , Led Zeppelin , Deep Purple e Beatles .

As canções, onde se destacam os grooves e a voz potente de Minelli, são todas em inglês. A adoção do idioma não ocorreu após a mudança para os EUA. Essa foi uma opção do grupo desde a formação. “Achamos o inglês mais sonoro para o rock. Gostamos muito da língua portuguesa e da música brasileira, mas para algumas coisas do rock, o inglês soa melhor”, avalia o vocalista.

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Integrantes definem o som da banda Cruz como um "rock sem adjacências"
Facilitou o fato de eles já serem fluentes na língua de Shakespeare. Enrico Minelli tinha morado na Austrália, Filipe Pampuri nos Estados Unidos e José Orlando na Inglaterra. Ainda assim, o grupo ficou com receio de como seria a aceitação do público norte-americano. Brasileiros fazendo rock em inglês poderia soar estranho. Mas o que aconteceu foi justamente o contrário.

“Tínhamos um pouco de medo de como seria a receptividade da galera. Mas, quando falamos que somos do Brasil, as pessoas se amarram. Pedem para contar como fomos parar lá e começamos a trocar ideias”, diz Minelli.

Segundo Pampuri, as pessoas só ficam sabendo que a banda é formada por brasileiros porque eles contam. “Se não falamos, ninguém percebe. Enquanto gravávamos o CD, perguntavam se nós éramos da Flórida. Falavam que o nosso sotaque era parecido com o de lá”, diverte-se o guitarrista.

Shows nos EUA e no Brasil

O grupo tem feito em média sete shows por mês nos Estados Unidos e possui um público cativo. Entre os lugares onde a banda se apresentou estão a casa The Rocks, onde já pisaram os lendários Rolling Stones e Led Zeppelin , e até uma festa beneficente na mansão da Playboy . O melhor show para eles, no entanto, aconteceu no The Vipper Room, um clube noturno localizado em West Hollywood, na Califórnia, que já pertenceu ao ator Johnny Deep . “É relativamente pequeno, mas possui uma acústica perfeita”, diz Pampuri.

Mesmo a pleno vapor, o lançamento oficial do grupo, com estratégia para tocar nas rádios e fazer apresentações na TV, está marcado para o início do ano que vem, quando a Cruz vai iniciar uma turnê pelos Estados Unidos.

Antes disso, eles resolveram voltar ao Brasil para realizar alguns shows por aqui. O grupo se apresentou na semana passada no Beco 203, em São Paulo, e no Festival Ponto CE, em Fortaleza. No sábado (17) vai estar no Hangar Bar, em Curitiba, e no próximo dia 25 no Bar Opinião, em Porto Alegre.

A repercussão já chama a atenção de gravadoras brasileiras. “Sabemos que já ouviram nosso som, mas não fomos atrás. Queremos curtir o lançamento oficial nos Estados Unidos. Ainda temos muito chão pela frente”, finaliza Filipe Pampuri.

Assista ao clipe da música "Above the water":

Caso não consiga assistir aos vídeos, clique nos links abaixo para assistir na TV iG:

Sin CityAbove the water

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