Banda carioca Matanza lança 6º álbum de inéditas

Com letras satíricas e críticas, "Odiosa Natureza Humana" mantém o estilo pesado dos outros discos da banda

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Jimmy London, do Matanza
O novo disco do Matanza, banda carioca de hardcore, ficou pronto, mais ou menos, na mesma época em que um motorista atropelou 20 ciclistas em Porto Alegre. Nesta semana, o Brasil ficou assombrado com o massacre ocorrido numa escola do Rio de Janeiro. Os dois episódios são usados como exemplo por Jimmy London, vocalista do Matanza, para explicar o título do novo trabalho: "Odiosa Natureza Humana."

"Estamos passando um dia horrível aqui no Rio de Janeiro. Esse massacre é a maior demonstração da odiosa natureza humana", diz Jimmy. "Somos uma banda apolítica, niilista. Achamos que o homem é o lobo do homem. Ou melhor, o homem é o homem do homem. Somos piores do que o lobo."

Com letras satíricas e críticas, a banda mantém o estilo pesado e o hardcore que a caracterizaram nos seis discos já lançados. A primeira canção, "Remédios Demais", conta a história de um homem que perde a cabeça numa briga de trânsito e acaba matando uma pessoa.

A letra diz: "A polícia disse que eu reagi / Que eu tinha um rifle comigo ali / E abri fogo sem discutir / Mesmo que não faça o menor sentido / O por quê de um ato tão desmedido / De nada mais eu duvido". "Queremos dizer que a humanidade está doente", explica ele. Além dessa canção, outras duas falam de pessoas desequilibradas. Como é o caso da música "Odiosa Natureza Humana" e também de "Conforme Disseram as Vozes."

Para não pesar o clima, o disco guarda espaço também para letras satíricas e divertidas. É o caso de "Ela Não Me Perdoou", que traz na letra a história de um homem abandonado pela mulher, e de "Melhor Sem Você", também sobre uma desilusão amorosa. Todas as canções do disco são ligadas uma a outra, dando uma unidade ao trabalho. Não percebemos quando uma música acaba e outra começa.

Para potencializar esse efeito de unidade, a banda decidiu gravar as canções numa fita de rolo, numa máquina M80 da década de 50. "Para gravar assim, precisávamos estar muito bem entrosados, porque não dava para fazer takes separados", explica Jimmy. "Por isso, ensaiamos muito antes. Daí, quando entramos no estúdio, gravamos apenas um take de cada música. Precisamos de três dias para gravar tudo", conta.

As bebedeiras nos bares com amigos, tema recorrente nas letras da banda, já não fazem mais parte do cotidiano do grupo. "Agora, ficamos mais tempo em aeroporto do que em bares", diz Jimmy. "Estamos fazendo shows em diversos pontos do País e está difícil parar para tomar uma cerveja".

Mas os bares não ficaram de fora das letras desse disco. É o caso da música "O Bebum Acabado", que traz os versos: "Se só o conhaque me ouve / Farei do chão do bar meu divã / Se eu estou bebendo hoje / Só vou parar depois de amanhã". Do álbum, as músicas que Jimmy mais gosta são "Em Respeito ao Vício", "Amigo Nenhum" e "Escárnio". "São letras que falam sobre o que sai dessa nossa odiosa natureza humana", afirma.

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