Back2Black: Aloe Blacc rouba a cena no terceiro dia de festival

Noite teve homenagem às vítimas do bonde de Santa Teresa e apresentações de Asa, Seu Jorge & Almaz e BNegão & Paraphernalia

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Gustavo Pellizzon/Agência O Globo
Aloe Blacc mostrou desenvoltura e carisma, além de competência, no terceiro dia do Back 2 Black
O terceiro dia do Festival Back2Black , na Estação Leopoldina, no Rio, começou morno, mas era apenas um pequeno lapso do público esquecendo que o dia seguinte seria segunda-feira. Por volta das 20h30, o local já estava tomado para ótimas apresentações de artistas até então pouco conhecidos por aqui, como Asa (a pronúncia é Asha) e Aloe Blacc. Nesta terça, o festival terá edição curta em São Paulo, no Bourbon Street, com Blacc e Tinariwen , que se apresentou na primeira noite da edição carioca.

Na plateia, atrizes como Danielle Winits, Alessandra Negrini e Betty Lago, ou cantoras como Teresa Cristina, se misturavam ao povo, deixando de lado a área vip. A noite foi fechada com Seu Jorge e Almaz (quarteto de integrantes do Nação Zumbi) e ainda contou com breve show de BNegão e Paraphernalia, entoando funk com inserções de rap.

Alex Palarea / AgNews
Asa foi a primeira a se apresentar no terceiro dia do Back 2 Black
A primeira a subir ao palco Estação Oi, com apresentações de cerca de uma hora e meia de duração, foi Asa, nascida em Paris e criada em Lagos, na Nigéria. De vestido vermelho e óculos, a cantora mostrou bastante desenvoltura e divertiu os presentes tentando fazê-los reproduzir palavras ou sons praticamente impronunciáveis para brasileiros. Quando notava que não daria muito certo, fazia um gesto com as mãos como quem diz "bah". Ela chegou a tocar trompete e perguntou ao público: "Onde posso comer uma feijoada? Onde posso ir com o meu amor no Rio?". A plateia respondeu Lapa, bairro repleto de bares e rodas de samba no Rio, mas ela retrucou com "nice, take me to Rapa (legal, me leve para o Rapa)". Saiu bastante aplaudida.

No palco compacto, em ambiente aberto, primeiro o Paraphernalia tocou sem vocal. Depois, com a entrada de B Negão, o "upgrade" foi claro. Ao lado (bem ao lado, pois o palco era pequeno para o tamanho da banda) de músicos que já trocaram acordes com gente do quilate de Hermeto Pascoal e Ed Motta, o cantor puxou referências de Parliament ao trabalho racional de Tim Maia, colocando o povo para dançar. Foi provavelmente o show menos perfeito da noite tecnicamente e, talvez por isso, um dos melhores. Com boa dose de improviso, BNegão conduziu a apresentação com autoridade.

"Queria tirar proveito da minha circunferência de Tim Maia e pedir mais retorno por favor", brincou, logo ao subir no acanhado tablado sobre as aposentadas linhas férreas. O "Funk até o caroço" de BNegão e Seletores de Frequência, além da levada de "Tear the roof of that sucker", do Parliament, ainda deixou espaços para solos carregados de "wah-wah" numa guitarra muito bem manejada. Não faltaram também referências a Jorge Ben Jor, com versão de "Umbabarauma", do clássico disco "África Brasil", tudo a ver com o festival. O cantor não esqueceu as vítimas do acidente com o bonde que deixou cinco mortos : "Toda essa energia boa que está aqui eu dedico ao pessoa de Santa Teresa, meu bairro".

Vicente Seda
Os passos de break fizeram sucesso na pista de dança
O segundo artista a pisar no palco dentro da estação foi Aloe Blacc, "soulman" americano, que tocou até "Femme fatale" do Velvet Underground e fez o show mais consistente da noite. Com banda afiadíssima, transitou entre dub, reggae, jazz e, claro, soul, além do momento hip-hop portenho protagonizado por uma de suas backing vocals. O tecladista abusava do sintetizador (dois, na verdade, um Nord Stage e um Nord Electro) para ambientar os diversos estilos executados com competência acima da média por Blacc.

Alexandre Palarea/ AgNews
Danielle Winits e Betty lago compareceram ao terceiro dia do festival
Chegou a cantar "No woman, no cry", de Bob Marley, para delírio do público. "That's soul music (Isso é música soul)", disse em seguida. Ele também fez leitura de "California dreamin", do Mammas and the Pappas. O hit "How to make a dollar", tema de abertura de um popular seriado americano, também agradou e, no fim, outra surpresa: Blacc e especialmente sua backing vocal (a mesma beldade que cantou rap) mostraram samba no pé. Outro ponto alto do show foi quando Blacc atacou de Moisés e dividiu o mar de gente, desafiando: "Agora eu quero ver quem sabe dançar". Alguns ensaiaram uns passinhos, a brincadeira durou segundos, mas o público adorou.

Seu Jorge subiu ao palco com status de atração principal da noite. Com o Almaz, excepcional quarteto de integrantes do Nação Zumbi, não fugiu muito da rotina e se escorou nos sucessos, salvo raros momentos em que pegou uma flauta transversa para solar e um sintetizador para brincar. A levada de "Rock with you", de Michael Jackson, tirou a plateia do chão. "Pai João" também agradou e foi repetida no bis. A jam em boa versão de "Mas que nada", de Ben Jor, foi outra passagem diferenciada da apresentação. Somando isso tudo a hits como "Carolina", o saldo foi bastante positivo. Encerrados os shows, foi a vez da pista de dança encher, com grupos fazendo passos de break, e as bolachas girando com funk e charme nas agulhas.

Vicente Seda
Ambiente com vagões grafitados agradou ao público

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