Áurea Martins é tema de filme e prepara quarto álbum

Desconhecida do grande público, cantora construiu carreira cantando em clubes e boates

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Áurea Martins
Cantar na noite pode ser o início de uma carreira de sucesso na música - aconteceu com Djavan, Ana Carolina, Jorge Vercillo e tantos outros. Mas nem sempre é assim. Há quem comece nos bares da vida e neles construa sua trajetória, permanecendo à margem das prateleiras das lojas e das primeiras páginas. Esta é a história de Áurea Martins, carioca com mais de 50 anos de clubes, boates e casas de shows fora do mainstream. No dia 13, completou 70 anos - aparenta dez menos -, e vem comemorando a data redonda no palco.

Na última quinta-feira, pouco antes de um desses shows-festa, no Cordão da Bola Preta, no centro do Rio, ela recebeu a Agência Estado para conversar sobre a efeméride. Áurea diz que não está cansada das noitadas, embora tenha dado pra sofrer de alergias recentemente (resultado da longa exposição à fumaça de cigarro). Não tem, isso é verdade, o mesmo pique de décadas atrás, quando pulava de casa em casa, e tinha entre seus admiradores aquela que ela própria, e todo o Brasil, considerava a maior de todas: Elizeth Cardoso.

"Ela foi minha madrinha. Ia me ver cantar nas boates da zona sul e falava de mim nas entrevistas, me colocava entre as grandes. Dizia que eu era magrinha e me levava pra casa pra comer gemada", lembra a cantora, que se chama Áldima e foi batizada profissionalmente por Paulo Gracindo, nos anos 60 (ele dizia que seu sorriso era reluzente como ouro). Gracindo era apresentador da Rádio Nacional e a moça de Campo Grande, bairro distante de tudo, era uma iniciante que dividia os programas com nomes então consagrados, como Ângela Maria e Zezé Gonzaga, e outros que ainda iriam estourar, caso de Elis Regina. Áurea, por sua vez, jamais estourou. É "quase invisível", nas palavras de Hermínio Bello de Carvalho, que a vem produzindo há alguns anos.

O primeiro LP, com Luizinho Eça, gravou em 1972, como prêmio pelo primeiro lugar conquistado num programa de Flávio Cavalcanti anos antes, cuja final havia sido no principal palco da cidade, o do Teatro Municipal. Levou nota dez de todos os jurados. Agora, Áurea está em meio à preparação do quarto disco, novamente com Hermínio. O repertório tem só canções dele com parceiros - os novos, Vidal Assis, Lucas Porto e Luizinho Barcellos, e os antigos, Pixinguinha ("Isso É Que É Viver"), Dona Ivone Lara ("Mas Quem Disse Que Eu Te Esqueço") e Elton Medeiros ("Pressentimento"). Cartola (com quem Hermínio e Carlos Cachaça compuseram "Alvorada"), talvez entre no CD. No ano passado, no eclético Prêmio de Música Brasileira (ex-Tim), foi eleita melhor cantora, mesmo desconhecida do grande público.

Já premiado em dez festivais pelo País, o curta-metragem Áurea , de Zeca Buarque de Hollanda (sobrinho de Chico, filho de Cristina), acompanha a cantora numa noite de trabalho, no Centro Cultural Carioca, no centro do Rio. A ideia do diretor, que a conheceu por sua ligação familiar com a música popular, era justamente mostrar "a artista não como um ser iluminado, mas uma trabalhadora da noite, como todos ali no bar". "Áurea personifica isso", diz Zeca. No filme, dramatizado, ela se prepara para o show num espelhinho perto da cozinha, dada a ausência de um camarim. Ao fim, pega a condução de volta a Campo Grande, anônima. Áurea estreou em 2009 no Curta Cinema, no Rio, e em agosto deverá ser exibido no Festival Internacional de Curtas de São Paulo.

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