As principais turnês do U2

Conheça fatos e curiosidades que acompanham a banda irlandesa desde o início da carreira

iG São Paulo |

A turnê 360º traz o U2 novamente ao Brasil. A banda irlandesa se apresenta no estádio do Morumbi, em São Paulo, nos dias 9, 10 e 13 de abril.

Com três décadas na estrada, o U2 tornou-se uma das principais bandas da história do rock porque soube traduzir para seus shows a intensidade existente em suas letras e canções.

Abaixo, o iG selecionou algumas das principais turnês da banda, com fatos e curiosidades que ajudam a definir o U2. Aqui, veja infográfico com todos os detalhes do palco da 360º .

BOY TOUR - 1980-1981

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The Edge e Bono durante um show do U2 em São Francisco, nos Estados Unidos, em 1981, parte da Boy Tour

A grande diferença do U2 para as outras bandas britânicas do início dos anos 1980 foi a percepção em relação ao mercado americano. O grupo notou desde cedo que deveria dedicar um tempo aos EUA. Contudo, a primeira perna da tour foi pela Europa, onde a banda andava em uma van vagabunda e descansava em sacos de dormir na traseira do veículo. No caminho para Munique, foram parados pela polícia da antiga Alemanha Oriental, que confundiu a banda com traficantes de imigrantes ilegais. Sob a mira de rifles, Bono explicou quem eram aquelas pessoas e finalmente conseguiu a liberação.

Já a turnê americana foi uma montanha russa de sucessos e fracassos. No primeiro show, em Nova York, o grupo estava nervoso e ansioso. Em Boston, maior concentração de irlandeses nos EUA, foram tão bem recebidos que tocaram “I Will Follow” três vezes. Em compensação, o show em New Haven foi um desastre: Bono, irado com a performance do quarteto, pegou o pedestal do microfone e saiu correndo atrás de Larry Mullen Jr., o baterista que não conseguia manter o instrumento parado. Antes de o vocalista atingir seu objetivo, o guitarrista The Edge o segurou e precisou dar um soco no colega para impedir uma tragédia maior.

Ouça: "I Will Follow", "Into The Heart" e "Out of Control"
Curiosidade: "Boy" foi lançado com duas capas diferentes. A capa mais conhecida, com um menino sem camisa, foi evitada no lançamento americano para não chocar os mais conservadores. Uma versão com desenhos rebuscados dos membros da banda saiu no lugar.


OCTOBER TOUR - 1981-1982

O primeiro choque de realidade da banda. Depois do sucesso de "Boy" e da primeira turnê, o U2 voltou para Dublin já com ideia formada do segundo disco. As confusões começaram antes disso, quando, em um show, um fã roubou o caderno com todas as letras de Bono. Como as horas de estúdio já estavam pagas, o grupo não tinha outra alternativa a não ser seguir com a gravação com o produtor Steve Lillywhite. O álbum foi finalizado meio às pressas e a gravadora Island não gostou do resultado final. Mas a arrogância dos músicos venceu os executivos e tudo seguiu como combinado. Apesar da má recepção da crítica ao disco, a tour não foi inútil. O grupo continuou a saga pela América e começou a sentir o poder político do IRA pelo mundo. Com o país natal em polvorosa, o U2 passou a pensar em um disco com mais punch e raiva.

Ouça: "October", "Gloria" e "Tomorrow"
Curiosidade: Foi durante a turnê de "October" que o U2 encontrou um de seus maiores colaboradores ao longo da carreira: o fotógrafo e diretor holandês Anton Corbijn, que já era conhecido pelas fotos do Joy Division, uma das bandas preferidas do U2, e trabalhava para o semanário musical inglês "NME" à época.



Reprodução
Bono ostenta seus mullets em 1983, período em que o grupo divulgava o álbum "War"
WAR TOUR - 1982-1983

O fracasso do segundo álbum deu lugar ao início da caminhada do U2 para se tornar a maior banda do planeta. "War", o terceiro disco, foi direto para o topo das paradas britânicas e afirmou o grupo como roqueiros ativistas. A turnê trazia uma produção carregada de mensagens e bandeiras brancas. Apesar de vários shows esgotados nos Estados Unidos, o U2 ainda ralou muito para conseguir se destacar: tocou até em concursos de camisas femininas molhadas no Texas e sofreu horrores para registrar seu primeiro show em vídeo (e CD), "Under a Blood Red Sky", em Red Rocks, Colorado. Fazia muito frio e chovia bastante na região. A banda não tinha condições financeiras para remanejar a apresentação para um dia melhor e foi a todas as rádios dizendo que a chuva iria parar na hora do show. O concerto foi em frente, assim como as filmagens, mas o público não arriscou - das 7 mil pessoas esperadas, apenas 2.500 foram ver a banda. "Agradecemos até hoje pelas lentes grande angulares", brincou Bono.

Ouça: "Sunday Bloody Sunday", "New Year's Day" e "Drowning Man"
Curiosidade: No final da maioria dos shows, o público continuava cantando o refrão de "40" ("How long to sing this song?") até cansar. Em Red Rocks, a plateia não embarcou na brincadeira e as filmagens só não deixaram de captar uma das marcas da turnê porque Dennis Sheehan, o gerente da tour, pegou o microfone escondido e começou a incitar as pessoas na frente do palco a cantar. No fim, tudo deu certo.


THE UNFORGETTABLE FIRE TOUR - 1984-1985

Depois de três discos produzidos por Steve Lillywhite, o U2 decidiu que era hora de mudar e experimentar. Ligaram para Brian Eno, ex-Roxy Music, que recusou o trabalho porque estaria se aposentando da produção para se dedicar à carreira de videomaker. Bono o convenceu a encontrar a banda em Dublin e Eno topou, levando na bagagem o parceiro Daniel Lanois. O grupo acabou convencendo os dois a assumirem a missão de gravar "The Unforgettable Fire", o que acabou se tornando uma das mais complicadas da carreira da banda. Muitos acreditavam que o U2 estava dando um tiro no pé ao mudar depois de finalmente atingir um certo status em "War".

As sessões no Slane Castle geraram um disco com ar europeu e temas americanos. É o álbum que Bono teve menos influência (Eno dizia "Para que letras?"), mas gerou hits como "Pride (In The Name of Love)" e "Bad" – além de um EP ao vivo chamado "Wide Awake in America". A essa altura, o grupo já lotava ginásios de 15 mil pessoas nos EUA e fazia a primeira turnê pela Oceania. Ao mesmo tempo, os músicos estampavam a capa da "Rolling Stone" e encontravam ídolos como Bob Dylan, Van Morrison e Bob Geldof, este último sendo o responsável pelo convite para o U2 fazer parte do histórico Live Aid. Nesse festival, Bono roubou a cena e mostrou que o quarteto estava pronto para ser a maior banda do planeta.

Ouça: "Bad", "Pride (In The Name Of Love)" e "A Sort of Homecoming"
Curiosidade: Pouco antes do Who entrar no palco do Live Aid, Bono se aproximou do guitarrista Pete Townshend e perguntou se ele ficava nervoso antes de tocar. A resposta: “Nervoso por tocar ao vivo na frente de milhares de pessoas? Eu vou ficar nervoso na hora que encontrar Deus. Nervoso na sua frente ou na das pessoas? Nunca”.


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Bono durante apresentação na Califórnia, em 1987: Colete e cabelo preso marcaram a The Joshua Tree Tour
THE JOSHUA TREE TOUR - 1987-1990

Antes de lançar o disco que jogaria a banda na estratosfera pop, Bono e cia. firmaram o lado político do grupo com uma mini tour para divulgar a Anistia Internacional, chamada "Conspiracy of Hope". Antes de "Joshua Tree" ser terminado, a banda fez uma viagem ao deserto Mojave, nos EUA, o que acabou se tornando a referência musical e visual do disco. O grupo se tornou o maior do planeta, ganhando capa das maiores publicações de música da época, além de estrelar uma edição da revista "Time".

A turnê pelos maiores estádios dos EUA rendeu o filme "Rattle & Hum", dirigido por Phil Joanou, e o disco com a trilha sonora homônima. Sim, o U2 se tornou um megagrupo, mas nem tudo funcionou para os irlandeses. Depois de "Rattle & Hum" ter sido massacrado pela crítica, cansada do messianismo de Bono e do exagero ianque do disco ao vivo, a banda resolveu dar um tempo após a perna australiana da tour, a pouco capturada Lovetown. "Precisamos sonhar tudo novamente", falou Bono no último show. Parecia que seria o fim da linha precoce para uma das maiores bandas da história.

Ouça: "With or Without You", "Where The Streets Have No Name" e "Running to Stand Still"
Curiosidade: "With or Without You", um dos maiores hits do U2, quase foi jogada no lixo. Foi Gavin Friday, amigo de infância de Bono, que resgatou a música depois de ter sido descartada por Brian Eno e Daniel Lanois.


ZOO TV - 1992-1993

Após um hiato de dois anos, o U2 não apenas voltou aos holofotes para retomar o trono do rock, mas para revolucioná-lo. O disco "Achtung Baby" reaproximou a banda dos timbres europeus, afastou qualquer traço de obviedade do som em uma época em que todo mundo queria ser o U2 de "Joshua Tree" e construiu uma carapaça sonora que até hoje ecoa modernidade. A turnê conseguiu refletir as ideias do álbum e da nova identidade da banda, irônica, sexy e carregada no visual. Foi criada a Zoo TV, o conceito de shows que mudou para sempre o rock. O uso de vídeos, interação com o público, links ao vivo, carros pendurados, telões gigantes, frases de efeito desconexas, personagens teatrais e dançarinas em um pacote ousado e coeso até hoje permanece inimitável. Os fãs do U2 dos anos 1980 estranharam a mudança. Muitos não entenderam a piada por trás dos disfarces de Bono (caubói em terno de prata, McPhisto, o demônio capitalista), mas sem dúvida é a fase mais criativa do grupo, que ainda rendeu o disco "Zooropa", gravado durante a turnê, e dois registros em vídeo.

Ouça: "The Fly", "One", "Ultraviolet (Light My Way)" e "Lemon"
Curiosidade: O U2 assumiu o papel de rockstar e as consequências foram bizarras. The Edge casou com a dançarina Morleigh Steinberg, que fazia a dança do ventre em "Mysterious Ways" durante a tour. O baixista Adam Clayton teve um relacionamento com a top model Naomi Campbell e voltou a beber muito, o levando a perder um show em Sydney, Austrália - foi a primeira e única vez que o U2 subiu ao palco sem um membro titular, substituído por um técnico. Bono ainda conseguiu levar Salman Rushdie para o estádio Wembley, em Londres, quando o escritor de "Os Versos Satânicos" ainda era caçado por muçulmanos radicais.


AE
A versão "musculosa" de Bono foi utilizada durante os shows da Pop Mart Tour
POPMART - 1997-1998

Antes de o grupo começar a pensar em gravar "Pop", um projeto com Brian Eno foi levantado. Inicialmente, seria a trilha sonora de "The Pillow Book", de Peter Greenaway, mas depois de o filme ter sido cancelado, o conjunto e o produtor-agora-quinto-membro decidiram levar a música ambient adiante, criando o grupo Passengers, que lançou o disco "Original Soundtracks 1".

O interesse do U2 pela música eletrônica se intensificou e logo se espalhou que o novo álbum oficial seria uma "homenagem à cultura clubber". Um exagero. Apesar de o vídeo de "Discothèque" mostrar a banda em trajes de Village People, o projeto não foi tão radical assim. Os temas religiosos foram intensos e baladas como "If God Will Send His Angels" e "Wake Up Deadman" (uma sobra de "Zooropa") mostraram que "o disco de eletrônica" do U2 era mais um marketing dos músicos.

O álbum rendeu a überturnê PopMart, com o maior telão já criado para o showbiz, um limão móvel gigante e um arco em homenagem ao McDonald's que era visto até fora do estádio. E foi assim, em 1998, que o U2 passou pela primeira vez pelo Brasil, em um show complicadíssimo no Rio - inicialmente, seria no Maracanã, mas foi transferido para Jacarepaguá por problemas estruturais – e dois em São Paulo. Ao som de "Pop Muzik", Bono entrava no palco como um lutador de boxe e usava uma camiseta colada com desenhos de músculos. Não foi o momento mais brilhante do figurinista da banda.

Ouça: "Gone", "Please" e "If You Wear That Velvet Dress"
Curiosidade: O show no Maracanã não aconteceu porque a entrada do estádio era pequena para a passagem das peças do palco. Apesar dos problemas enfrentados no show no autódromo Nelson Piquet (um mega-trâmnsito fez com que grande parte do público perdesse boa parte da apresentação), The Edge lembra com carinho da passagem da banda. "Se Tóquio era a capital da Zoo TV, então o Rio de Janeiro era a capital do Pop."


ELEVATION TOUR - 2000-2001

Após a série de críticas enfrentadas pela mudança de postura da banda em "Pop", o décimo disco de estúdio dos irlandeses, "All That You Can't Leave Behind", foi uma volta ao rock de arena mais clássico. Não que o álbum seja retrógrado. Alguns ritmos foram arriscados nas composições, como "In a Little While", um r&b romântico, e "Stuck in a Moment You Can't Get Out Of", uma balada gospel escrita especialmente para Michael Hutchence, líder do INXS morto em 1997. A estética visual do U2 também sofreu um retorno ao passado. As cores e os exageros da PopMart deram lugar a um visual mais sóbrio e mais "honesto". O conceito mais simples também se refletiu na turnê, batizada de Elevation, originada de um dos singles mais poderosos do álbum.

O U2 retornou ao Brasil durante a viagem de promoção. Concedeu entrevistas no Copacabana Palace, gravou o vídeo de "Walk On" no Rio de Janeiro e fez um pocket show para fãs e jornalistas (exibido pelo "Fantástico", da Rede Globo), mas não retornou para um show de verdade. O que não deixa de ser irônico, pois o palco - uma passarela em forma de coração - foi o menor da banda em muito tempo e o disco foi um dos mais vendidos do ano no Brasil.

Ouça: "In a Little While", "Beautiful Day" e "Walk On"
Curiosidade: Durante a tour promocional, a banda tocou "I Remember You", dos Ramones, em homenagem a Joey Ramone, que combatia um linfoma. Mesmo doente, o ícone punk foi visitar a banda na gravação do programa humorístico "Saturday Night Live". Bono contou as histórias de como o quarteto fazia covers de Ramones e fingia que eram originais para poder tocar na televisão local. Meses depois, Joey morreu e, de acordo com amigos próximos, sua música preferida no hospital era "In a Little While", que passou a ser dedicada todas as noites da tour para o ex-Ramone. Outro abalo para a banda foi a morte do pai de Bono durante a tour. O vocalista decidiu continuar os shows e voava todas as noites para ficar no hospital. Um dia depois do enterro, a banda fez dois shows no famoso Slane Castle (Irlanda), para 180 mil pessoas. "Kite" foi dedicada a Bob Hewson (o pai do vocalista) numa das mais emocionantes performances de Bono em todos os tempos.

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The Edge e Bono cantam durante apresentação em Sydney, na Austrália, como parte da Vertigo Tour de 2005
VERTIGO TOUR - 2005-2006

Reestabelecido como o maior grupo do planeta, o U2 retornou aos estádios - a tour anterior ficou restrita a ginásios. E não foi à toa. "How To Dismantle an Atomic Bomb" nasceu feito para grandes multidões. "Vertigo", o primeiro single, batizou a tour, que pousou no Brasil para dois shows no estádio do Morumbi, em fevereiro de 2006. Os shows na América do Sul foram capturados por câmeras em 3D para um filme da banda nos cinemas - o primeiro desde "Rattle & Hum" - com a tecnologia que hoje tomou as salas de assalto.

Ouça: "Vertigo", "Original Of The Species" e "Sometimes You Can't Make It On Your Own"
Curiosidade: "Sometimes You Can't Make It On Your Own" foi composta na época de "Pop", mas nunca havia sido lapidada ao ponto de entrar em um álbum. O clima pesado da canção começou a tomar uma forma mais concreta quando Bono a cantou no funeral do seu pai - "One Step Closer" também foi feita em homenagem a Bob Hewson. Já "Original of the Species" foi escrita inicialmente para Hollie, filha do guitarrista The Edge.

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