As novidades do Exile On Main St.

Obra-prima de Jagger e Richards, disco volta com dez músicas inéditas

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Divulgação
Mick Jagger e Keith Richards gravam Exile on Main St.
Garimpar músicas perdidas sempre foi um dos negócios mais lucrativos da música pop - basta lembrar na infinidade de álbuns póstumos de artistas como Jimi Hendrix, por exemplo. Uma faixa esquecida aqui, uma versão alternativa ali, até uma despretensiosa fita cassete gravada em casa, tudo pode virar material para uma edição especial com material inédito. Nesses tempos de crise da indústria fonográfica, é um filão nada desprezível. A mais recente prova é o fato de Exile On Main St. , disco de 1972 dos Rolling Stones, ter liderado a parada britânica ao ser relançado com bônus.

São dez faixas, gravadas durante as mesmas sessões que originaram o disco. Ou quase: Mick Jagger regravou alguns vocais, conforme admitiu Keith Richards em entrevista à revista Rolling Stone. "Mick quis consertar alguns vocais. Mas, tirando isso, as faixas estão basicamente como era há 39 anos", afirmou o guitarrista. Das dez, duas ("Loving Cup" e "Soul Survivor") são versões alternativas de canções que estão no disco e uma ("Good Time Women") é um embrião de primeiro single do álbum, "Tumbling Dice". As outras sete são totalmente inéditas.

É material para enlouquecer qualquer fã de Jagger e Richards. O início dos anos 70 foi a época mais excessiva dos Rolling Stones - muitas drogas, muito sexo, muitos escândalos, e, em meio a esse turbilhão, muita boa música. Exile on Main St. é a tradução perfeita desse período: o mais puro sexo, drogas & rock'n'roll espalhado por 18 músicas. Curiosamente, o disco recebeu muitas críticas por ser longo demais na época de seu lançamento. Quase 40 anos depois, quem diria, volta com dez faixas a mais e não soa nada cansativo.

A primeira música do CD bônus, "Pass the Wine (Sophia Loren)", é um daqueles típicos rocks maldosos dos Stones setentistas, com Jagger reclamando da vida enquanto Richards solta seus riffs de guitarra característicos. "Plundered My Soul" (o vocal regravado mais evidente) é uma balada amarga, nos moldes das clássicas "Let It Loose" e "Torn and Frayed". Em "I'm Not Signifying", a banda flerta pesadamente com o blues. Já em "Following the River" e "Dancing in the Light", a influência é da música gospel.

"So Divine" começa com uma citação de "Paint it Black", um dos maiores sucessos da fase psicodélica da banda. É um dos poucos momentos em que os Stones deixam de lado a música tradicional americana (além de blues e gospel, há muito soul aqui). O álbum segue com duas versões alternativas ("Loving Cup" e "Soul Survivor", aqui cantada por Keith Richards) e um embrião de "Tumbling Dice", aqui intitulado "Good Time Women" (mais rápida e pesada que a versão final). Para fechar, uma jam instrumental com cara de rock de garagem, "Title 5".

É tudo sobra de gravação, é claro. Material que, na época, os Stones não consideraram bom o suficiente para ser lançado. Mas não custa lembrar que são sobras do melhor disco de uma das grandes bandas do rock. Ou seja, melhor do que a esmagadora maioria do que você ouve por aí.

Leia mais: Rolling Stones voltam ao topo das paradas com Exile on Main St.

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