As drogas e o rock: conheça alguns artistas falecidos e sobreviventes

Redação iG Música |

O volume de notas que pipocam na redação do iG Música envolvendo os excessos da cantora Amy  Winehouse nos fizeram pensar na antiga relação entre o rock e as drogas. Desde o surgimento  do estilo, roqueiros se envolvem com entorpecentes em busca de inspiração, alienação ou  curtição. 

O grande problema é que alguns músicos acabam esquecendo-se de seus limites e passam dessa  para melhor precocemente. Apesar de mais comedidos, os anos 90 contaram com Courtney Love na  lista de drogados de plantão, assim como Amy divide o título dessa década com o também  malucão Pete Doherty. 

Mas foi com os olhos voltados para os anos 70 que elaboramos nossa lista de roqueiros que  sucumbiram diante das drogas e alguns sobreviventes.  

Jimi Hendrix

Durante os anos 60 drogas alucinógenas como o LSD caíram no gosto da classe artística, e com o maior guitarrista de todos os tempos não foi diferente.

Apesar de relatos creditarem ao músico o uso de anfetaminas e de uma passagem pela polícia após o confisco de heroína e haxixe em sua bagagem, foi com o álcool que Hendrix assinou sua sentença de morte.

Amigos do músico diziam que sob influência da bebida seu humor mudava drasticamente, e o incidente em que ele destruiu um quarto de hotel em Estocolmo, no ano de 1968, foi causado não por outra substância que o álcool.

Dois anos depois Hendrix foi encontrado morto em circunstâncias até hoje misteriosas. Alguns disseram que ele havia morrido em decorrência de uma overdose de heroína, enquanto outros apontaram o afogamento no próprio vômito, causado por um misto de vinho tinto e pílulas para dormir, como causa da morte. O certo é que o cultuado guitarrista faleceu aos 27 anos por conta de seus excessos.

John Bonham

No caso de Jimi Hendrix o álcool é uma possibilidade, mas no caso do cultuado baterista do Led Zeppelin, John "Bonzo" Bonham, não foi nada além dele o grande causador de sua morte precoce.

Todos os que conheciam o músico sabiam de sua dificuldade em manter-se sóbrio, mas ninguém esperava que após um ensaio da banda em 1980 a bebida fosse tirá-lo para sempre do mundo do rock.

Na data em questão o baterista foi levado por Rex King, então assistente da banda, para o Bray Studios, na Inglaterra. De acordo com ele Bonham pediu para tomar um café-da-manhã antes de prosseguirem a viagem, refeição que contou com apenas quatro doses quádruplas de vodka, o equivalente a dezesseis doses da bebida - em suma, muito álcool.

No fim do dia todos se reuniram na casa do guitarrista Jimmy Page, onde o músico veio a falecer asfixiado no próprio vômito aos 32 anos de idade. A importância de Bonham como baterista foi comprovada pouco tempo depois de sua morte, quando os membros remanescentes do Led Zeppelin decidiram encerrar suas atividades.

Keith Moon

Outro monstro da bateria, Keith Moon fez história na cozinha do The Who, chamando a atenção do público por conta de seu estilo exuberante e personalidade destrutiva. E quando pensamos em personalidade destrutiva não falamos de jogar vasos em espelhos, mas sim em destruir quartos de hotel inteiros, casas de amigos e até a própria casa - cujos móveis depois de arremessados para fora ainda foram incendiados.

Da forma como Moon sentia orgulho de seu estilo de vida, não era de se surpreender que o músico fosse adepto de porres e bebedeiras que garantiram ao The Who banimento de alguns estabelecimentos, como o hotel Holiday Inn, onde reza a lenda o baterista entrou com um carro numa piscina.

As farras de Keith Moon tiveram um trágico fim em 1978, quando ele retornou de um jantar com o Beatle Paul McCartney e sua mulher Linda e retirou-se em seu flat, em Londres. A polícia concluiu que o baterista morreu aos 32 anos em decorrência de 32 pílulas de Clomethiazole, um medicamento que ele tomava para afastra-se do álcool.

Bon Scott

Conhecido no mundo do rock por seu papel como vocalista e compositor da banda australiana AC/DC, Bon Scott foi responsável pela alavancada da carreira da banda com o álbum "Highway to Hell", de 1979.

Apenas um ano após o lançamento do disco Bon Scott foi encontrado morto no carro da amiga Alistair Kinnear, depois de passar por uma noite regada a muita bebida no pub londrino MusicMachine.

Apesar de muita gente apontar afogamento por vômito e overdose de heroína como possíveis causas de sua morte, o relatório oficial da polícia diz que o vocalista faleceu por conta de excesso de consumo de álcool. Mais uma vez a bebida leva um roqueiro antes do tempo, neste caso aos 33 anos.

Layne Staley

Enquanto os excessos dos músicos dos anos 70 são normalmente ligados a farras e festas, na década de 90 as drogas parecem representar mais uma válvula de escape diante de um mundo cada vez mais cruel. E a morte de Layne Staley é um retrato dessa brutal diferença.

Stanley ficou mundialmente conhecido com a explosão do grunge, estilo musical que revelou bandas como Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains. Na última o músico fez história como vocalista e compositor.

Como muitos outros músicos desse seguimento Stanley era usuário de heroína, e por conta de seu vício a banda acabou não fazendo shows para divulgar o EP "Jar of Flies", de 1994. Nesse período o vocalista foi encaminhado a centros de reabilitação, mas acabou mesmo se isolando em meados de 2000.

O corpo de Layne Staley foi encontrado dentro de seu apartamento em 2002. Ao seu lado foram encontrados cachimbos de heroína e outros objetos utilizados para o consumo de drogas. De acordo com a autópsia, a causa da morte foi uma mistura letal de cocaína com heroína. Stanley tinha 34 anos.

Entre mortos e feridos...

Enquanto alguns roqueiros são levados pelas drogas, outros cometem abusos homéricos e ainda estão aí para contar suas histórias. Talvez o "papa" dos viciados do rock seja mesmo o guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards.

Oficialmente Richards foi preso por posse de drogas apenas cinco vezes (em 1967, duas em 1973, em 1977 e em 1978), mas isso não impediu que muitas lendas a seu respeito se propagassem pelo mundo da música, como suas trocas periódicas de sangue e uma curiosa "cheirada" nas cinzas do próprio pai.

Independente de tudo isso ser verdade, o mais caricato dos Rolling Stones parece seguir colaborando para que sua imagem de maluco não morra.

O grupo dos sobreviventes ainda inclui o endiabrado Iggy Pop, o guitarrista Eric Clapton, o gênio do rock Brian Wilson e o príncipe das trevas Ozzy Osbourne.

Apesar do abuso de drogas pesadas como LSD e cocaína, Pop e Clapton parecem ter vencido seus demônios e colocado uma pedra no passado. O primeiro retornou as suas origens ao lado dos Stooges e o segundo segue lançando álbuns voltados ao blues.

Já Wilson e Osbourne parecem ter de conviver com algumas seqüelas de sua época de farras e maluquices, como é possível constatar só pela maneira como andam por aí. Uma coisa, porém, é inegável: nos palcos ambos continuam verdadeiras feras do rock.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG