As boas garotas recuperam o controle da música pop

Colbie Caillat e Ingrid Michaelson fazem mais do mesmo

The New York Times |

Dois anos atrás, Colbie Caillat surgiu na esfera do MySpace com Bubbly, uma declaração sem vida de afeição em busca de um comercial de xampu. Começa nos meus dedos dos pés/Me faz enrugar o nariz, e assim por diante. No ano passado ela cantou um dueto com Jason Mraz em Lucky, uma ninharia fácil sobre amar aquele com quem se está que foi um hit para ambos os cantores e um desafio para nenhum deles.

Caillat lançou recentemente Fallin for You, o primeiro single do segundo álbum, Breakthrough , e novamente ela estava servindo o amor incondicional: Ao nosso redor, não vejo ninguém/Aqui em silêncio, somos apenas você e eu.

Encaradas juntas, essas músicas, entre os maiores sucessos de Caillat, são suficientes para condená-la como a artista popular menos complicada do dia. Porém, ela tem uma desafiante: Ingrid Michaelson, que nos últimos três anos emergiu como a voz de cem momentos na televisão. As músicas dela têm sido trilha sonora em 90210, One Tree Hill e, mais crucial, Greys Anatomy, em que Michaelson tem sido praticamente uma atriz coadjuvante.

Na semana passada, Breakthrough , de Caillat, foi o álbum novo mais vendido no país, e Michaelson lançou Everybody , seu quarto disco. Ambos os trabalhos ficaram um tempo nos mais vendidos do iTunes. Por ora, pelo menos, a dupla feminina que melhor captura o momento pop não é Britney e Christina, ou mesmo Feist e Norah. É Colbie e Ingrid. As garotas boas estão de volta ao controle ¿ como isso aconteceu?

Foco nas melodias

Ingrid Michaelson

No caso de Michaelson, recato por trás de seus óculos de bibliotecária, tem sido amplamente por se misturar. A música "The Way I Am, do segundo disco (o lançado de forma independente Girls and Boys ), foi usada em um comercial inteligente da Old Navy (Se você está com frio/Tome, aqui está meu casaco). O terceiro álbum, Be OK , coleção de miudezas de novas músicas, covers e gravações ao vivo, foi lançado no ano passado com Keep Breathing, uma música escrita expressamente para um episódio de Greys Anatomy.

Everybody é mais do mesmo: simples, melodias soltas que parecem feitas para gotejar nos buracos entre os momentos de diálogos comoventes. Quando você ajuda a animar as palavras de outras pessoas, o seu melhor não fica no caminho. Nisso Michaelson está em boa forma. As letras dela geralmente são uma série de clichês.

Você me chama de montanha/E eu te chamo de mar, canta, animadamente, em "Mountain and the Sea." Ficarei elevada e certa/E verei você me engolir. Às vezes ela nem se dá ao trabalho com as metáforas: Duas vezes ¿ em Everybody e Locked Up ¿ a palavra amor é triplicada, um martelo suave de sentimento.

A voz de Michaelson é um suspiro vibrante, o tom é de resignação otimista. Em alguns lugares, "Are We There Yet" e "Locked Up, ela parece aspirar a uma voz do tipo de Regina Spektor, mas as letras minam a cada volta. Mesmo as músicas mais sombrias não são complexas, apenas sorrisos para baixo.

E, no entanto, a música é contagiante. A simplicidade das palavras de Michaelson força um foco nas melodias, que são intuitivas e bonitas. Em sua ingenuidade cheia de vontade, Everybody tem mais em comum com música de criança do que com a maioria do pop contemporâneo. Talvez, em sua simplicidade constante, Michaelson esteja redefinindo o que significa ser primitivo.

Educada e descomplicada

Colbie Caillat

Em partes, a sobrenaturalmente relaxada e animada Caillat falha onde Michaelson tem êxito porque raramente canta forte o suficiente para convencer; sua marca de alma folk pede clareza. Mas músicas de amor bonitinhas, em particular, exigem comprometimento e textura para superar o sentimentalismo banal. Por um tempo em Breakthrough , assim como no álbum de estreia de Caillat, Coco , parece que ela se contenta em permanecer educada e descomplicada.

Na metade do disco, entretanto, Caillat faz uma curva pesada para o miserável, como se passasse mousse no cabelo que estava duro. É uma pequena revelação. De repente a voz que advogava frouxamente em nome do amor verdadeiro tem sombras e cores. As canções são escritas amplamente com Jason Reeves e Kara DioGuardi, jurada do American Idol, que a puseram em sua verdadeira zona de conforto: o desconforto.

Se é isso que você ama/Tem que aprender muito/Se essa é a forma que você se despede, ela quase sussurra no começo da excelente Fearless, que se abstém de arranjos de guitarra leves em prol de um piano pungente e escuro. Em I Never Told You anseia, soando mais carregada por sua perda que qualquer amor que professou.

Até Runnin Around, sonoramente a música mais otimista em Breakthrough , é na verdade um documento de falha, com Caillat rosnando e soltando acordes enquanto pede a quem a abandonou uma outra chance. (A maior parte do disco foi produzida pelo pai de Caillat, Ken, que foi produtor de vários trabalhos do Fleetwood Mac, incluindo Rumours e Tusk .)

Se Caillat vai conseguir diminuir sua imagem ensolarada para equiparar seu material forte é uma questão aberta, apesar de que provavelmente não vai. Mas ela deve manter o olho na concorrência. O YouTube tem vários clipes de shows ao vivo do ano passado em que Mraz apresenta Lucky com Michaelson, uma de uma variedade de cantoras que cantam a parte de Caillat nos shows dele.

Michaelson sabe como dar a letras insípidas alguma pompa. Frequentemente as versões dela de Lucky ¿ particularmente a de Copenhagen ¿ sobrepujam a original. O cantar de Michaelson é respirado e pesado (expediente que geralmente emprega em covers, como em Can't Help Falling in Love" e "Over the Rainbow" em Be OK ), com pitadas de frases de jazz, e ela injeta nas afirmações fracas das canções uma nota de surpresa. Ingrid Michaelson, no fim das contas, pode ser uma Colbie Caillat melhor que a própria Colbie Caillat...

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