Artistas deixam fãs decidirem músicas que serão tocadas em shows

Iniciativas difundidas pela internet estão mudando a forma como são feitas as apresentações ao vivo

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Divulgação
A banda americana Rapture
A banda norte-americana Rapture fez há poucos dias um show em Londres com um nível raro de interação com o público.

Em primeiro lugar, uma fã foi escolhida para tocar percussão com o grupo no hit "House of Jealous Lovers". Em segundo, as canções do bis também foram definidas pela plateia. As duas escolhas (fã que subiu ao palco e músicas do bis) aconteceram através da internet.

A apresentação (que também foi transmitida ao vivo pela rede) é mais um exemplo de como a internet está mudando a forma como os shows acontecem ao redor do mundo.

A tendência já chegou ao Brasil: desde o ano passado, a dupla Zezé di Camargo e Luciano deixou na mão dos fãs, através de votações em seu site oficial, a escolha das músicas que fecham suas apresentações.

No caso da cantora pernambucana Lulina, a interação é ainda mais radical: ela já lançou um disco inteiro só de canções compostas com fãs. "Fiz músicas com gente que nem conheço", explica. O álbum chama-se "Meus Dias 13" e surgiu assim: a cada dia 13 do ano, qualquer pessoa poderia mandar um e-mail para a artista contando como foi seu dia e ela tentaria colocar tudo aquilo numa música.

A experiência resultou em 13 faixas (maio gerou duas canções), a primeira delas com mais de 40 compositores. "A internet é mais uma ferramenta de possibilidades criativas", afirma a artista, que também já encorajou fãs a subir ao palco em seus shows. "Em 2008, eu deixava instrumentos à disposição para o pessoal tocar", lembra.

Divulgação/Ariel Martini
Lulina
Crowdfunding

Neste ano, Lulina lançou uma nova empreitada, o Minimecenas . O projeto permite que qualquer pessoa "adote" um artista. O modo de funcionamento é simples: o fã define uma contribuição mensal (o mínimo é de R$ 5) e o artista oferece uma contrapartida, dependendo do valor. Há inclusive a possibilidade de um show na casa do "patrocinador".

Lançado há apenas três meses, o Minimecenas é um dos mais recentes exemplos de sites de crowdfunding (financiamento colaborativo) do mercado brasileiro.

O pioneiro é o Queremos , criado por um grupo de fãs de música indignado com as bandas que passavam pelo Brasil, mas não tocavam no Rio de Janeiro.

Como funciona? Os organizadores levantam o custo para trazer um artista ao Rio e dividem esse valor em cotas, que são colocadas à venda pela internet. Se todas as cotas forem vendidas, o show é confirmado e os ingressos "normais" são colocados à venda. Dependendo de quantas entradas forem vendidas posteriormente, um valor (que pode chegar a 100% do investido) é reembolsado a quem comprou as cotas.

O Queremos já conseguiu levar ao Rio de Janeiro bandas como LCD Soundsystem, Primal Scream e The Kills, entre outros. O mais novo nome confirmado é o cantor americano Mayer Hawthorne. Ele se apresenta no Circo Voador em fevereiro do ano que vem, numa apresentação viabilizada via crowdfunding.

Shows pela internet

Outro mercado em expansão é o de shows transmitidos pela internet. Exibir apresentações ao vivo via streaming está longe de ser uma novidade, mas a atividade vem ganhando cada vez mais força ao se integrar com redes sociais como o Facebook.

Um dos sites que melhor permite a interação com redes sociais é o Big Live . A página coloca no ar uma grande variedade de vídeos (incluindo shows) e permite que o "público" interaja durante a exibição. "Num show ao vivo, eu posso conversar com quem está perto de mim. Queremos fazer a mesma coisa online", explica Mike Rudoy, o fundador da empresa.

Segundo Rudoy, o principal objetivo do Big Live é levar a experiência de um show para pessoas que não podem ir a uma performance. "Para isso, conhecer pessoas e encontrar os amigos é tão importante quanto ver o artista", afirma.

Ele considera iniciativas como deixar que fãs escolham pela internet músicas para artistas tocarem interessantes. Mas, por enquanto, seu foco está apenas no que acontece na frente do computador. "Acredito que conectar experiências online e offline é algo fantástico. Mas é algo para o futuro", diz.

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