Arrigo Barnabé grava DVD com canções de Lupicínio

Shows acontecem de sexta a domingo na Casa de Francisca

Augusto Gomes, iG São Paulo |

"Matar um amor que já tem tantos anos / Criar um inferno dentro do seu lar / Fazer do meu peito uma caixa de ódio / Como um coração que não quer perdoar". Esses versos raivosos fazem parte da música "Caixa de Ódio", uma das mais tristes canções compostas por Lupicínio Rodrigues (1914-1974). É também o título do show que Arrigo Barnabé vem fazendo desde o ano passado, em que revisita a obra do compositor gaúcho, famoso por canções como "Nervos de Aço" ("Você sabe o que é ter um amor, meu senhor...") e "Vingança" ("Eu gostei tanto quando me contaram que lhe encontraram bebendo e chorando na mesa de bar").

Pois a Caixa de Ódio vai virar DVD. De sexta até domingo, Arrigo canta na Casa de Francisca, uma pequena casa de shows em São Paulo. As três apresentações serão gravadas para um vídeo que deve chegar às lojas até o final do ano. "Quando comecei a fazer esse show, em julho de 2009, já tinha em mente transformá-lo em disco", explica Arrigo. "Mas, no final do ano passado, cheguei à conclusão que teria que fazer um DVD". O motivo, segundo o cantor, é que a "parte física" de sua performance é importante demais para ser deixada de fora.

Divulgação/Lost Art

"Eu gosto de gritar. Deixo o transe acontecer", afirma Arrigo Barnabé

A interpretação de Arrigo deixa aflorar toda a raiva presente nas canções de Lupicínio - o nome "Caixa de Ódio", afinal, não foi escolhido por acaso. "Eu gosto de gritar. Deixo o transe acontecer", reconhece Arrigo. Com sua voz rouca, explora a angústia e o sarcasmo de canções como "Judiaria", "Quem Há de Dizer", "Volta" e "Esses Moços, Pobres Moços", além das já citadas "Caixa de Ódio", "Nervos de Aço" e "Vingança". O cenário intimista da Casa de Francisca adiciona ainda mais dramaticidade ao espetáculo.

O cantor conta que a ideia de interpretar Lupicínio é antiga. "Quando o Itamar Assumpção fez aquele disco com músicas do Ataulfo Alves ( Ataulfo Alves por Itamar Assumpção , de 1996), pensei que poderia fazer algo parecido", explica. "O primeiro nome que me veio em mente foi o Lupicínio". A relação entre esses dois trabalhos realmente existe. Arrigo e Itamar o grande são os grandes nomes da vanguarda paulista, cena que sacudiu a música brasileira nos anos 80; ambos se debruçaram (de forma muito pessoal) sobre dois compositores muito populares em suas épocas, mas atualmente um tanto desvalorizados.

"O Lupicínio praticamente não tem herdeiros hoje em dia. Talvez o Chico Buarque, mas ele também é de outra época", avalia Arrigo. "Atualmente, os artistas estão muito preocupados em fazer coisas de 'bom gosto', e o Lupicínio não combina com isso". Os shows de gravação do DVD Caixa de Ódio acontecem de sexta (16) a domingo (18) na Casa de Francisca (Rua José Maria Lisboa, 190, Jardim Paulista). Os ingressos custam R$ 35 e, até o início da tarde desta sexta, restavam entradas somente para o show de domingo. Em maio, ele fará shows no local em todos os domingos do mês.

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