Aos 50 anos, Chico Adnet lança primeiro disco

Respeitado pianista, compositor e arranjador, músico estreia com o álbum "Alma do Brasil"

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Chico Adnet
Chico Adnet chegou aos 50 anos e olhou para trás. Lembrou do que fez nos últimos 24. Não se arrependeu. Nem poderia. Respeitado pianista, compositor, arranjador, ele conseguiu viver de música produzindo jingles e trilha sonora para TV. A necessidade de constituir família, criar os dois filhos, Luiza e Marcelo, era maior. Chico fugiu da ideia de tornar públicas canções tão suas. Sentimentos que foram extravasados ao piano, ou com lápis e um pedaço de papel, numa composição, ficaram guardados ao longo de todo o tempo. E então veio a coragem de mostrar aos outros sua música, ou sua alma. O disco "Alma do Brasil" é a reunião de canções datadas de 24 anos, ou mais recentes. Enfim, Adnet faz a sua estreia. 

Não que a vida podasse as oportunidades. A família Adnet tem tradição na música. Chico é irmão do músico e compositor Mário e das cantoras Muiza e Maucha. Sua tia, a pianista Carmen, de 80 anos, venceu o concurso de Chopin, em Varsóvia, em 1949. "Ainda assim, eu me preocupava mais em ganhar a vida do que ter uma banda. A paixão pela música, porém, sempre esteve ali", explica.

Mais do que a necessidade de ganhar a vida, Chico sentia que sua música não cabia mais no mercado atual. São pitadas de bossa nova e samba, com arranjos orquestrais e piano. "Naquela época (anos 80), me sentia inadequado", confessa. "Mas essa ideia foi tomando forma há dois ou três anos. Ano passado, voltei a compor. Foi como uma avalanche, que começou a tomar conta de mim. Não consegui mais parar."

Boa parte das composições de todo esse tempo foi relembrada aos poucos. Eram arrancadas da memória de Chico. "Elas começaram a reaparecer. Tinha pouco desse material gravado. Cada uma das canções que eu escolhi para o disco me deixou em transe por uma semana", diz. Com todas, de novo, em sua cabeça, o músico percebeu que o material produzido anteriormente era muito mais melancólico e triste. Hoje, a sua música é algo mais festivo. "É a terapia. São nove anos fazendo. Tenho uma consciência diferente agora", explica. "Nos anos 80, algumas coisas saiam de mim de forma triste. Eu mostrava para as pessoas e elas estranhavam isso."

"Arquiteto", "Adeus Brasil", "Quem Não Quer Ser Feliz?" fazem parte dessa leva antiga. O tom um tanto melancólico das letras entra em sintonia com os arranjos refinados produzidos por dez músicos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). A voz de Chico, frágil e baixa, dá o tom intimista. O disco foi produzido pelo próprio compositor em parceria com o maestro e violonista Jaime Alem, que trabalha com Maria Bethânia e lançou um disco no selo de Chico, Repique Brasil.

Ex-integrante do conjunto vocal Céu da Boca, Chico encontrou em arranjos refinados um talento capaz de engrandecer sua estreia. Sua capacidade como letrista - apenas duas, das 14, não são suas - não atinge o mesmo grau de excelência de seus arranjos e melodias. Mas, apesar dos 50 anos, esta é a estreia de Chico Adnet. As cinco décadas trazem reflexão. E ele, aos poucos, volta a investir no sonho de garoto.

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