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Cultura
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Ao lado de Marcos Suzano, Vitor Ramil mostra samba gelado em São Paulo

Marco Tomazzoni |

De um lado, Vitor Ramil, um dos maiores nomes da música contemporânea gaúcha e compositor requisitado por artistas de todo o país. Do outro, Marcos Suzano, carioca famoso por revolucionar o toque do pandeiro e que já ofereceu seus préstimos a Lenine, Marisa Monte e Gilberto Gil, só para citar alguns. A união dos dois deu origem ao disco Satolep Sambatown, apontado pela crítica como um dos destaques do ano passado e que viaja agora pelo Brasil, turnê que passou por São Paulo no último final de semana, no Teatro do Sesc Pompéia.

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A parceria não poderia ser mais diversa, e é isso que a torna tão especial. Enquanto Ramil representa a essência da milonga, típica da região sul (Argentina e Uruguai, inclusive), com poesia dramática e acordes e harmonias geladas, Suzano entra com a malemolência do samba e a experimentação eletrônica. É o caso da música que abre o disco e o show ¿ Livro Aberto tem cuíca festiva e percussão cadenciada, devidamente subvertidas por um violão choroso, que acompanha a letra delirante de Ramil.

O irmão de Kleiton e Kledir, por sinal, mostra que melhora a cada ano que passa. Não só suas composições ficam cada vez mais complexas e interessantes, proeza para uma carreira que beira 30 anos, como a voz mostra afinação e técnica assombrosas. A climática Livros no quintal, apoiada em uma base eletrônica em loop, é prova disso, no refrão que arranca arrepios pela potência vocal, no violão arranhado.

A música, retirada do álbum Tambong, de Ramil, representa a tônica do show, que mistura músicas da discografia solo do compositor com as faixas de Satolep Sambatown. Das participações especiais no disco, Katia B repetiu no palco a parceria. A cantora, que gravou duas canções de Ramil no álbum Espacial , apresentou no Sesc Pompéia Destiny, uma delas, e Que horas não são?, que canta em Satolep Sambatown.

Jorge Drexler é outro dos convidados do disco, mas não pôde viajar a São Paulo. Se ele não estava presente, Ramil não deixou por menos e interpretou A zero por hora com competência suficiente para não deixar ninguém com saudade da gravação original. 12 segundos de oscuridad, outra parceria com o cantor uruguaio, também estava no repertório e foi um dos grandes momentos da noite, com altas doses de lirismo.

Suzano é a definição perfeita do homem banda. De poucas palavras, deixa a conversa com o público para o falante Ramil e mergulha numa complexa costura de ritmos. Sempre concentrado, faz do pandeiro sua arma principal, apesar de surpreender constantemente pela infinidade de sons que tira da mesa de efeitos e dos pratos que o cercam. Prova de sua competência é o trabalho em Café da manhã: batidas e efeitos discretos, mas que estão intimamente ligados à natureza agressiva da letra (Tudo o que ela quer é me ver chorar).

A melancolia que deu o tom em grande parte da noite deu trégua em alguns poucos, mas memoráveis momentos. A ilusão da casa tem raro apelo pop na obra de Ramil, com violão percussivo e refrão fácil. O copo e a tempestade, só voz e pandeiro, é uma das boas surpresas de Satolep Sambatown e continua chamando a atenção ao vivo. A apaixonante Grama verde, por sua vez, antes gravada por Adriana Maciel, também mostra um sol que raramente dá as caras nos discos do gaúcho.

A música abriu caminho para a parte final do show, que contou com um bis generoso de Ramil, quase que exclusivo de sua carreira solo. A brilhante Estrela, estrela, talvez sua composição mais famosa, evitou os pedidos dos fãs em uma versão estupenda. Mas o grande destaque foi a épica Joquim, de oito minutos, do álbum Tango (1986) ¿ introdução a cappella, violão, seguido pela percussão de Suzano e a entrada de Katia B, que voltou ao palco para ajudar no refrão. Inesquecível.

Confira abaixo a lista de canções que foram apresentadas no show:

Livro Aberto
Invento
Viajei
Espaço
Livros no quintal
A zero por hora
12 segundos de oscuridad
O copo e a tempestade
Que horas não são
Destiny
Foi no mês que vem
Astronauta lírico
A ilusão da casa
Neve de papel
Café da manhã
Grama verde
Não é céu

A word is dead
Estrela, estrela
Joquim

Leia mais sobre Vitor Ramil e Marcos Suzano.

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