André Mehmari e Hamilton de Holanda encerram a 8ª edição da MIMO

Dupla fez homenagem a Egberto Gismonti e Hermeto Paschoal; festival reuniu 120 mil pessoas em cinco dias

Tiago Agostini, enviado especial a Olinda |

"Faltam as palavras, as notas jamais." Meio sem querer, o bandolinista Hamilton de Holanda acabou resumindo a 8ª Mostra Internacional da Música de Olinda durante seu show ao lado do pianista André Mehmari, neste domingo (11), que encerrou o festival na Igreja da Sé.

Beto Figueiroa/SantoLima
Hamilton de Holanda durante o show de encerramento da 8ª MIMO
Sob os olhos do maestro Philip Glass e de Jards Macalé - que esteve na MIMO para apresentar o documentário "Canções do Exílio - A Labareda que Lambeu Tudo" -, a dupla apresentou um repertório baseado em seu último disco, "Gismonti Paschoal", em homenagem a Egberto Gismonti e Hermeto Paschoal. Os dois, inclusive, já haviam participado do show de Gismonti no dia anterior .

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A dupla conseguiu ajeitar os arranjos de forma que o piano de Mehmari e o Bandolim de Holanda não rivalizem em momento algum. Harmonicamente, os dois dividem base e momentos solo igualitariamente. No repertório, privilégio para canções de Gismonti, como "Frevo" e "Farol que Nos Guia", além de algumas composições próprias, como "Choro da Contínua Amizade".

No primeiro show da noite, a Pagode Jazz Sardinha's Club fez talvez o show mais fraco da MIMO. Para um grupo que se propõe misturar diversos estilos como samba, jazz e funk carioca, falta versatilidade a seus músicos. O ponto alto foi a música que dá nome ao grupo.

A banda acabou destoando do restante do festival. Em seus cinco dias de programação, foi difícil assistir a um show menos do que bom na MIMO. Méritos da curadoria de Lu Araújo e Andre Oliveira, que consegue mesclar nomes consagrados e boas apostas da nova geração. Focado principalmente em música instrumental, o festival se preocupa em ser assessível a todos os tipos de público.

Não bastasse a qualidade da programação, a MIMO ainda enfoca a formação de novos músicos. Durante toda a semana foram realizados workshops gratuitos com as atrações do festival, proporcionando uma interação única.

Outro fator para o sucesso da Mostra é a gratuidade dos espetáculos, que rendeu um público total de 120 mil pessoas entre todos os dias - contando os shows realizados no Recife e João Pessoa. Com as portas das igrejas históricas de Olinda abertas ao público - e com telões montados do lado de fora dos palcos principais -, a MIMO dialoga com um público heterogêneo e espontâneo, difícil de encontrar nas sisudas apresentações de grandes teatros. A recepção calorosa invariavelmente atinge os músicos, que apresentam shows mais passionais.

A integração com o sítio histórico da cidade é outro charme do evento. Poder passear pelas ladeiras de Olinda entre os shows, com o clima quente levemente refrescado pela brisa do mar, é uma experiência envolvente. Para quem vem de fora e se hospeda em alguma das pousadas dos arredores, a experiência é ainda mais enriquecedora, ao ponto que é possível esbarrar com ícones da música andando pelas ruas estreitas da cidade.

Por todas suas peculiaridades, a MIMO parece impossível de ser realizada em outro lugar que não Olinda. A musicalidade e vocação artística da cidade são um complemento perfeito à programação. Há no clima dos shows nas igrejas uma intimidade desconcertante. Por todos os fatores, para quem não gosta da agitação do carnaval, a MIMO se oferece como a oportunidade perfeita para conhecer Olinda. É difícil se arrepender.

* O repórter viajou a convite do festival

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